O termo “sommelier de vacina” está em alta nos últimos dias. Sommelier é a pessoa responsável pela carta de vinhos dos restaurantes. Nesse caso, a expressão se refere às pessoas que estão escolhendo qual vacina tomar, o que de acordo com a infectologista Rafaelli Melo tem prejudicado a velocidade da campanha da imunização.
“Não faz nenhum sentido fazer escolha de vacina, a vacina não é um ato individual, mas coletivo. A melhor vacina é a que estiver disponível. Todos devem tomar os imunizantes, quando for possível, conforme a disponibilidade em cada região”, destacou a especialista.
Três imunizantes estão sendo aplicados no Estado, sendo eles Pfizer-BioNTech, AstraZeneca-Oxford-Fiocruz e Coronavac-Sinovac-Butantan.
Rafaelli ressalta que o termo “sommelier de vacina” ficou conhecido devido às filas enormes para receber o imunizante contra a Covid-19 começarem a se dissipar quando as pessoas descobrem que não receberão uma dose da sua marca de preferência e, sim, de outro fabricante.
“As reações às vacinas não são uma regra, os sintomas sendo leves e bem controlados, são um bom sinal. Inclusive, é um bom sinal quando o corpo reage, pois significa que o seu sistema imune está trabalhando na produção de anticorpos. Com a vacina poderemos diminuir cada vez mais a quantidade de casos graves da Covid”, explicou.
A especialista defende que todos os imunizantes contra a Covid-19 ampliados no país são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Mato Grosso do Sul já aplicou 1.631.837 doses. Por volta de 41,32% dos moradores já foram contemplados com a primeira etapa de vacinação. Em relação aos imunizados, 17,31% dos sul-mato-grossenses já estão protegidos contra o coronavírus.
“A decisão de se vacinar não é individual, e sim, coletiva. Quando deixamos de nos imunizar, colocamos em risco a nossa saúde e também a saúde das pessoas que nos cercam, seja em casa ou em nosso trabalho. A vacinação é um processo de proteção coletiva, e a gente só vai estar seguro com um maior número de pessoas vacinadas”, alegou a especialista.
Conforme dados da prefeitura da Capital, 41.46% da população já recebeu a primeira dose do imunizante e 18.69%, a segunda. Outros 0.59%, equivalente a 5.312 pessoas, tomaram a dose única da Janssen.
As reações mais comuns após a vacinação incluem dor ou sensibilidade e inchaço no local da injeção, além de febre baixa e dor no corpo, conforme a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim).
Rafaelli ressalta que os benefícios dos imunizantes são muito maiores do que os pequenos efeitos colaterais que podem causar e as pessoas não devem ter receio em receber a vacina.
Saiba quais são os efeitos esperadas da vacina:
AstraZeneca
A vacina AstraZeneca, produzida pela farmacêutica AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford e Fundação Oswaldo Cruz, possui segurança geral de 70% após aplicação das duas doses.
Conforme o Ministério da Saúde, o intervalo de aplicação entre a primeira e segunda dose deve ser de três meses.
A aplicação da AstraZeneca em gestantes está suspensa, após recomendação da Anvisa.
Efeitos muito comuns: sensibilidade, dor, sensação de calor, coceira ou hematoma, indisposição, cansaço, calafrio, febre, dor de cabeça, enjoo, dor muscular ou nas articulações, podem ocorrer em 1 em cada 10 pessoas.
Efeitos comuns: inchaço, vermelhidão ou um caroço no local da injeção, febre, enjoos, diarreia, sintomas semelhantes a resfriado, dor de garganta, coriza, tosse, podem ocorrer em 1 em cada 10 pessoas.
Efeitos incomuns: sonolência, tontura, diminuição do apetite, dor abdominal, ínguas, suor, coceira ou erupção na pele, podem ocorrer em 1 em cada 100 pessoas.
Efeitos muito raros: coágulos sanguíneos graves em pessoas com níveis baixos de plaquetas. Foram observados com uma frequência inferior a 1 em 100.000 indivíduos vacinados.
Efeitos desconhecidos: reação alérgica grave, inchaços graves nos lábios, face, boca e garganta. Não pode ser calculada a partir dos dados disponíveis.
Coronavac
A vacina Coronavac, produzida pela chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan de São Paulo, tem eficácia geral de 50,39%, de acordo com o laboratório chinês.
Em relação aos casos leves de coronavírus, sem a necessidade de internação, a cobertura vacinal chega a 78%. Em casos moderados e graves da doença, a eficácia da Coronavac atingiu índices de 100%.
O Instituto Butantan informa que o intervalo de aplicação entre a primeira e segunda dose deve ser de 28 dias.
Pfizer
Produzida pela farmacêutica americana Pfizer e pela empresa alemã BioNTech, o imunizante possui eficácia geral de 91% após aplicação da segunda dose, de acordo com as empresas.
Este imunizante possui 100% de eficácia em casos graves da doença, como morte e internações até seis meses após aplicação da segunda dose.
Estudo publicado pela revista científica The Lancet mostra que o imunizante da Pfizer possui 70% de proteção contra Covid-19 após aplicação da primeira dose.
Efeitos muito comuns: dor e inchaço no local da injeção, cansaço, dor de cabeça, diarréia, dor muscular, dor nas articulações, calafrios e febre, podem ocorrem em 10% dos pacientes.
Efeitos comuns: vermelhidão no local de injeção, náusea e vômito, podem ocorrer entre 1% a 10% dos pacientes.
Efeitos incomuns: aumento dos gânglios linfáticos, reações de hipersensibilidade [lesão na pele ou coceira, inchaço da pele ou mucosa, sensação de mal estar, dor no braço, insônia e prurido no local de injeção pode ocorrer entre 0,1% e 1%.
Efeitos raros: paralisia facial aguda, podem oorrer entre 0,01% e 0,1%.