A vacinação em massa na fronteira do Estado com a Bolívia e o Paraguai vai resultar na imunidade coletiva contra a Covid-19 em 13 cidades de Mato Grosso do Sul já neste mês. A aplicação das 165,5 mil vacinas da Janssen, de dose única, começa nesta sexta-feira em pelo menos oito dos 13 municípios participantes do estudo Vebra Covid-19.
Mesmo depois de os imunizantes serem distribuídos às cidades de fronteira na manhã desta quinta-feira (1º), gestores de alguns municípios ainda questionaram o envio das doses a apenas uma parcela do Estado, durante reunião no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, garantiu que a pesquisa continua e que todo MS será beneficiado com o avanço na imunização.
“Essa conquista foi trabalhada durante três meses, e os municípios que não fazem parte da fronteira já tiveram ganho substantivo. Inclusive nessa remessa de vacinas, que já veio com um adicional de doses que regularmente são endereçadas às cidades de fronteira”, relatou Resende.
Apesar de ser uma das cidades mais avançadas na vacinação contra o coronavírus, Japorã, que participa da pesquisa, enfrenta problemas em relação à ida das pessoas até os locais de imunização.
Conforme o secretário municipal de Saúde, Fábio Carlos Emborana, os próximos dias serão de busca ativa dos moradores, além de um forte trabalho de convencimento para que ocorra a imunização.
Com a vacinação em massa começando hoje, a cidade estima encerrar a imunização no município em 15 dias. Conforme o secretário, as maiores recusas dos imunizantes acontecem na comunidade indígena.
“Temos por volta de 300 indígenas que recusaram a vacina. Acredito que boa parte acontece por conta da questão religiosa, existem várias denominações evangélicas nas aldeias, além do [conflito] cultural”, disse.
Na fronteira com o Paraguai, Ponta Porã vai aplicar o maior número de vacinas Janssen disponibilizadas para o estudo, 51.620 doses. Com o início da imunização em massa nesta sexta-feira na faixa etária de 36 anos, o município estima concluir a campanha contra a Covid-19 na quarta-feira (7), em maiores de 18 anos.
Município vizinho da Bolívia, Corumbá foi contemplada com 49.940 doses da Janssen. O secretário municipal de Saúde, Rogério Leite, estima que os estoques se esgotem neste fim de semana.
A faixa etária de 30 anos ou mais será imunizada hoje; amanhã (3), adultos com 25 anos ou mais vão receber a dose única contra o coronavírus. No domingo, a aplicação do imunobiológico será em adultos com 18 anos ou mais.
A mesma estratégia de imunização será adotada pelo município de Mundo Novo, com a vacinação hoje em moradores com 32 anos ou mais, 25 anos ou mais neste sábado e, por fim, maiores de 18 anos no domingo. Em Sete Quedas, a aplicação das doses deve terminar amanhã, conforme divulgado pela prefeitura.
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ESCLARECIMENTOS
A promotora de Justiça Filomena Fluminhan convocou uma reunião extraordinária no MPMS na tarde desta quinta-feira (1º) para que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) respondesse aos questionamentos da Prefeitura de Campo Grande sobre o envio das 165,5 mil doses da Janssen aos municípios de fronteira.
Após o encontro, que durou cerca de três horas, o titular da SES, Geraldo Resende, salientou que, após os esclarecimentos prestados, aqueles contrários ao estudo estão contra a ciência.
Esta será a primeira análise científica de vacinação em massa com a Janssen, em um cenário que conta com a cepa Gama (antiga P.1). “Apresentamos vários argumentos que justificam o estudo na fronteira. Precisamos nos unir neste momento para que possamos vencer o coronavírus e imunizar toda a população até setembro”, disse Resende.
Para o secretário municipal de Saúde, José Mauro de Castro Filho, ainda existe um equívoco na divisão das doses da Janssen.
“Quem está se contaminando é a cadeia produtiva, poderia ser um método muito mais eficaz se dividíssemos as doses em todas as regiões. Se nós recebêssemos 33% dos dois lotes da Janssen e outras vacinas, poderíamos chegar à vacinação em 27 anos, seriam 15 anos em poucos dias”, afirmou.
Ao ser questionado sobre o prazo de imunização em setembro dado pelo secretário Geraldo Resende, José Mauro Filho manteve o descontentamento e argumentou que, com a divisão proporcional, como era antes, o Estado poderia terminar a vacinação até antes dos próximos três meses.
“Desta forma, seria um ganho extraordinário para a Capital e para todos os municípios”, salientou.
Em relação a uma possível judicialização de doses, José Mauro afirmou que não há mais o que discutir. “É uma decisão do próprio Plano Nacional de Imunização [PNI] destinar essas vacinas para uma pesquisa, não é? Embora a gente entenda que deveria ser o contrário, no entanto. Há uma opinião divergente apenas”, finalizou.
É importante destacar que, mesmo sem receber as doses da fronteira, Campo Grande terá um salto de imunização com o novo rateio de vacinas no Estado. Com a divisão sendo feita em 66 municípios, de 33% das vacinas em cada lote, a Capital passará a receber 37,25% dos imunobiológicos destinados a todo MS, conforme a SES.
Esta nova forma de divisão já entrou em prática e apenas nesta quinta-feira Campo Grande recebeu 14,5 mil doses da Janssen, das 41 mil disponíveis ao Estado.
Produzida pelo grupo Johnson & Johnson, este imunobiológico de dose única possui eficácia de 85% para casos graves de Covid-19 e proteção completa contra hospitalização e morte pela doença.