Campo Grande conseguiu reduzir em mais de 50% a meta para se alcançar a imunidade coletiva contra a Covid-19 em pouco mais de 30 dias.
Levantamento do Correio do Estado mostra que até o dia 31 de maio eram 508.100 pessoas que não haviam tomado nenhuma dose dos imunizantes contra o coronavírus.
Atualmente, o número está em 260.630.
Os dados foram retirados do Vacinômetro da Prefeitura de Campo Grande e refletem a aceleração da vacinação na cidade, que teve um impulsionamento este mês com o ingresso das doses da Janssen, vacina de dose única, e de remessas maiores de AstraZeneca e Pfizer.
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O número de 260.630 pessoas é relativo à margem de 75% da população da Capital, que hoje está em 675.500 pessoas, porcentagem exigida para que se possa chegar à imunidade coletiva, de acordo com pesquisas recentes feitas no Brasil.
O valor é um pouco acima do que se imaginava, em razão da variedade de vacinas aplicadas no Brasil e da diferença de eficácia de cada uma delas.
A porcentagem veio da pesquisa feita na cidade de Serrana (SP), onde toda a população foi vacinada com a Coronavac.
Em relação à população imunizada, o salto foi grande: de 167.407 pessoas que tomaram as duas doses em maio para 236.384 atualmente.
Esse valor contabiliza pessoas que tomaram as duas doses de imunizantes e também os que receberam a vacina de dose única, 25.270 pessoas.
Com esses números, a Capital ainda precisa que 439.116 pessoas completem a imunização para chegar à imunidade coletiva. Desse total, 178.486 já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19.
Pesquisadores afirmam que todas as vacinas conseguem proteger até certo ponto apenas com a primeira dose, mas é necessário completar a imunização para garantir maior proteção contra a doença e suas variantes dela.
Para o médico-veterinário Lucas Delfino, 23 anos, que ontem completou a imunização, foi um alívio receber a vacina.
“Receber a segunda dose hoje está sendo um alívio, mesmo que parcial, já que muitas pessoas ainda não foram vacinadas. Apesar de todo esse caos, acredito que já estamos vivendo um progresso”.
O mesmo alívio foi compartilhado pela comerciante Noêmia Alves, de 61 anos, que também tomou a segunda dose da vacina AstraZeneca.
“Fico feliz da vida de encerrar essa etapa da vacinação hoje. Temos todos que tomar para assegurar a nossa saúde. Eu que trabalho com o comércio, com fluxo de muita gente, a vacina se torna uma segurança a mais para nós”, afirmou.
PRÓXIMOS LOTES
Segundo a secretária-adjunta de Saúde do Estado, Crhistinne Maymone, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) informou que o Brasil deve receber 2,4 milhões de imunizantes da Pfizer esta semana, 12,1 milhões da AstraZeneca, oito milhões da Coronavac, pelo Instituto Butantan, e mais um milhão de doses da Coronavac importadas.
“Desse valor nós só temos uma estimativa, que pode não se concretizar, de envio de 32 mil doses dessas 2,4 milhões da Pfizer. As outras vacinas dependem de confirmação de entrega por parte das farmacêuticas e do Ministério da Saúde, que só informa a quantidade e o dia das entregas a 12 horas do envio”, explicou a secretária-adjunta.
Maymone ponderou que essa imprevisibilidade no envio de vacinas se deve ao governo federal não enviar sempre uma porcentagem fixa de doses para cada estado.
“O Ministério da Saúde tenta sempre equalizar a distribuição de doses para todos”, afirmou.
Mato Grosso do Sul é hoje o estado que aplicou de primeiras e segundas doses em todo o Brasil.
O valor tem a ver com a vacinação em massa realizada na região de fronteira, onde 13 municípios vacinaram a população dos 18 aos 50 anos com imunizante da Janssen, de aplicação única.
A pesquisa contribuiu para o excelente desempenho do Estado, mas Crhistinne garante não ser o único fato.
“É fruto de muito empenho nosso, não trabalhamos sozinhos, fazemos tudo em rede, com apoio de todos os municípios e com a logística como prioridade. Não temos hora para trabalhar”, salientou.
A previsão do governo do Estado é de que até setembro Mato Grosso do Sul atinja a imunidade coletiva, com os 75% da população vacinada com ao menos uma dose.
Em relação às cidades da fronteira, essa estatística deve ser atingida ainda esta semana, já que a previsão é de que hoje sejam imunizados os últimos moradores com as doses da Janssen.
Depois de 15 dias de todos imunizados, uma pesquisa comandada pelo pesquisador Julio Croda, médico infectologista e membro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), será feita para avaliar a efetividade da vacina do grupo Johnson & Johnson em ambiente onde a variante Gama (P.1) é predominante.
Atualmente, o Estado conta com 24,4% de pessoas imunizadas e são 1.905.985 doses aplicadas, das quais 1.220.285 foram para primeira dose, 534.080 para segunda aplicação e 151.620 doses únicas.
(Colaborou Mariana Moreira)