O comércio e o trânsito na região central de Campo Grande estão sendo afetados pela segunda etapa do projeto Reviva Centro. A Rua Rui Barbosa foi a escolhida para o início das obras, que alteraram o movimento para lojistas da área e influenciaram o trajeto do transporte coletivo.
A revitalização teve início em junho e, caso não ocorra nenhuma interferência que paralise as intervenções, terminará em agosto de 2022, mês de aniversário da Capital.
Atualmente, as intervenções acontecem no quadrilátero entre a avenida Fernando Corrêa da Costa e as ruas Rui Barbosa, Padre João Crippa e Pedro Celestino. O projeto fechou a via para ônibus na Rua Rui Barbosa, o que modificou a localização do terminal de embarque para a quadra acima da via.
Com isso, o auxiliar administrativo Pedro Paulo dos Santos apontou que o trânsito na região da obra está precário, sendo motivo de reclamação dos passageiros que fazem uso do transporte coletivo para chegar ao trabalho.
“O transporte coletivo na cidade oferece um serviço muito ruim, e agora temos as principais ruas da cidade interditadas, o que dificulta muito a vida de quem vai de ônibus trabalhar. Antes eu gastava 45 minutos para chegar no meu trabalho, que fica no entorno da obra, agora tenho que sair mais cedo de casa e demoro 1h30min”, relatou.
Com as intervenções, motoristas do transporte coletivo precisam desviar dos trechos em obras do Centro da Capital, o que acaba acarretando em atraso nos horários dos ônibus e pode ocasionar multas.
Contra essa medida, logo no início das obras, motoristas foram às ruas para pedir que as penalidades sejam administrativas e não financeiras, em caso de atrasos dos ônibus causados pelos motoristas. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande, a penalidade custa em torno de R$ 150 para o bolso do condutor.
A segunda etapa do Reviva Campo Grande contempla o microcentro, que abrange, além da Rua José Antônio, o quadrilátero formado pelas avenidas Fernando Corrêa da Costa, Mato Grosso e Calógeras e pela Rua Padre João Crippa.
O farmacêutico Heitor Mendes destaca que, apesar de a obra visar melhorias para a cidade, há também quem não tenha gostado, porque algumas vagas de estacionamento já foram perdidas. “A questão do estacionamento aqui está um caos, já dei duas voltas no quarteirão para encontrar algum local para estacionar”, destacou.
As obras de revitalização do Centro de Campo Grande são financiadas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de US$ 56 milhões. O programa teve início há uma década, mas as obras começaram de fato a sair do papel apenas em 2018, com a revitalização da Rua 14 de Julho, que custou R$ 60 milhões e foi inaugurada em novembro de 2019.
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COMERCIANTES
Em razão dos impactos econômicos causados pela pandemia, Mateus Almeida, proprietário de uma loja de produtos saudáveis na Rua Rui Barbosa, questiona se esse era o momento oportuno para o início da revitalização, visto que os negócios estão sendo diretamente afetados pela queda do movimento de pedestres e de automóveis na região durante o período de obras.
“Se fosse para escolher, seria melhor termos essa obra no ano que vem ou em outro momento, o movimento da loja já não está bom pela pandemia e ainda interditaram todo o trânsito da rua. Muitas pessoas deixam de entrar no nosso estabelecimento pela obra, principalmente por não termos mais estacionamento nas duas vias. A nossa expectativa é de que essa obra acabe logo”, alegou Almeida.
As obras na Rui Barbosa foram incluídas no projeto de mobilidade urbana, como parte do Corredor Sul do transporte coletivo. A via será revitalizada com obras de drenagem, de recapeamento, de acessibilidade e de estação pré-embarque.
A via terá 7,1 km de recapeamento, desde as proximidades do viaduto da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) até a Avenida Rachid Neder.
Dono de uma loja de tecidos, Ronaldo Ferreira destaca que, por conta da reforma e da queda de 30% no movimento, seis funcionários ganharam férias.
“A reforma está na frente da minha loja há 15 dias e o movimento já caiu em 30%, os funcionários estão fazendo o possível para agilizar, mas é complicada toda essa situação. Eu dei férias para seis funcionários, como caiu optamos por antecipar. A nossa expectativa é de que isso passe logo”, apontou.