Mato Grosso do Sul anunciou o retorno de diversas atividades que, até então, pelo Programa de Saúde e Segurança na Economia (Prosseguir), não eram indicadas para estarem abertas.
A partir de agora, festas, bingos, teatro, produção musical e até discotecas e danceterias poderão funcionar respeitando a capacidade máxima de lotação.
A medida é uma forma que o Estado encontrou para retomar uma certa normalidade, já que MS já tem 75,5% da população acima de 18 anos com ao menos uma dose das vacinas contra a Covid-19.
O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa com o secretário de Infraestrutura e presidente do Prosseguir, Eduardo Riedel, e a secretária de Educação, Maria Cecília Amêndola da Motta.
“Nós definimos que não há mais o conceito de atividade essencial. Nós elencamos várias atividades que vão ter a sua lotação baseada na bandeira, a exemplo das escolas. É a maneira que a gente tem para definir por um critério as atividades que na pandemia mais geraram problema de contaminação e disseminação. Essas atividades estão permitidas, só que seguindo o grau de lotação conforme o município”, explicou Riedel.
A publicação com as liberações deve ser feita ainda esta semana.
Estão liberadas as seguintes atividades:
- Bares e outros estabelecimentos especializados em servir bebidas com ou sem entretenimento;
- Parque de diversão e parques temáticos;
- Exploração de boliches;
- Exploração de jogos de sinuca, bilhar e similares;
- Exploração de jogos eletrônicos recreativos; atividade de exibição cinematográfica;
- Serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas;
- Atividades de museus e de exploração de lugares e prédios históricos e atrações similares;
- Cabeleireiros; casas de bingos; exploração de apostas em corridas de cavalo;
- Exploração de jogos de azar e apostas;
- Tabacarias; casas de festas e eventos; atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza;
- Serviços de tatuagem e colocação de piercing;
- Produção teatral e musical; produção de espetáculos de dança, circenses, de marionetes e similares;
- Produção de espetáculos de rodeios, vaquejadas e similares;
- Atividades de sonorização e iluminação; discotecas, danceterias, salões de dança e similares;
- Atividades de sauna e banhos.
CRITÉRIOS
A lotação máxima de cada estabelecimento será definida com base na classificação das cidades por cores de bandeira, da mesma forma como ocorrerá com as aulas.
Nas cidades de bandeira cinza, de grau de risco extremo da pandemia, a capacidade máxima será de 30%; na bandeira vermelha, de 50%; na bandeira laranja, de 70%; na amarela, de até 90%; e as cidades em verde podem atender com 100%. Mesmo critério usado nas escolas.
Todos os locais devem respeitar o toque de recolher vigente em cada cidade, assim como as medidas como o fornecimento de álcool em gel, o distanciamento, entre outros.
“A gente quer parar de contar mortos para contar os vacinados, para contar quantos empregos nós vamos voltar a gerar, para contar quantos alunos nós teremos em sala de aula, essa é a nossa esperança, e é para isso que estamos trabalhando”, declarou o secretário de Infraestrutura.
A medida faz parte do plano de retomada econômica e social do governo do Estado, conforme já havia sido antecipado pelo Correio do Estado na semana passada.
Riedel afirmou ainda que, mesmo com o fim do conceito de atividades essenciais, caso seja necessário, o governo pode decretar o fechamento de algumas atividades novamente.
“Nós estamos abertos a realidades do momento, não podemos nos fechar a questão em torno de uma situação. Nossa expectativa é de que com a vacina nós tenhamos outra realidade, mas, se for necessário, por qualquer situação de proteção à vida das pessoas, nós não exitaremos em tomar uma decisão”.
O secretário reforçou ainda que as atividades que têm limitação de público são as que aglomeram mais e precisam de um cuidado redobrado. O boletim com a classificação das cidades por cores de bandeira será feito quinzenalmente, tendo os locais que se adequarem às classificações no período.
VACINAÇÃO
Mato Grosso do Sul é o estado brasileiro mais avançado na vacinação. São 55,9% da população vacinada com uma dose e outros 31,4% completamente imunizados com a segunda aplicação ou a dose única. Em relação à população adulta, acima de 18 anos, o recorte é ainda maior, são 75,5% vacinados e 42,4% imunizados.
A aceleração da vacinação no Estado se deve, em grande parte, à pesquisa feita na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bolívia, onde foi disponibilizada para toda a população adulta a chance de ser imunizada com a vacina da Janssen – de dose única.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), cerca de 90% da população adulta das cidades integrantes da pesquisa foram imunizados.
Por causa disso, o Estado espera ser a unidade federativa a terminar a imunização mais rápido no Brasil. Com esse cenário, o Estado já estuda medidas para vincular a vacinação ao direito de participar de alguns eventos. De acordo com Riedel, porém, ainda não há uma definição sobre isso por se tratar de um assunto complexo.
“É uma questão que já está posta dentro da Saúde e do Prosseguir de uma maneira geral, até para a gente entender, porque tem vários aspectos dentro dessa situação, e ela não é só de saúde, ela é de saúde, jurídico, de segregação da sociedade", disse.
"Tem muita coisa a ser discutida neste momento e tem muita coisa a ser aprendida mundo afora. A gente ainda vai caminhar um pouquinho para ter nossa sociedade vacinada para poder entender a consequência disso, e o próximo passo é esse, saber se vai segregar ou não algumas atividades”, completou.
As visitas presenciais nos presídios de MS serão retomadas no dia 1º de agosto, e a condição é a vacinação.
Um dos fatores de preocupação do governo é a chegada de novas variantes, como a Delta (de origem indiana). Para o secretário, uma das formas de evitar a propagação dessas novas cepas é a aceleração da vacinação.
“O que mais vai resolver e evitar o problema é a vacinação, e por isso o nosso esforço total e central na vacinação das pessoas. A variante Delta não ter chegado é muito bom para o Estado, e a gente tem de acelerar a vacinação, que é a grande proteção para essas variantes”. (Colaborou Glaucea Vaccari)