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SAÚDE

Capital tem 70% das eletivas represadas desde o ano passado

Secretário disse que cirurgias gerais devem ser os primeiros procedimentos autorizados a retornar

Suspensas desde o início da pandemia, as cirurgias eletivas ainda seguem sem previsão de retomada em Campo Grande. De acordo com o secretário municipal de Saúde, José Mauro Pinto de Castro Filho, por volta de 70% dos procedimentos não emergenciais previstos para 2020 continuam represados na Capital.  

Segundo Castro Filho, existem pelo menos seis mil pessoas na fila por procedimentos cirúrgicos não urgentes em Campo Grande, além das cirurgias que já estavam agendadas, mas foram postergadas. 

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) para questionar os dados de procedimentos cirúrgicos agendados no ano passado e até o fechamento desta edição não obteve retorno.  

Conforme o secretário, a retomada das cirurgias eletivas requer um grande esforço coletivo, além de depender dos indicadores atuais de internações e mortes por Covid-19 e dos dados da vacinação contra a doença causa pelo novo coronavírus. 

“Temos um grande desafio pela frente, não só referente às cirurgias, mas também aos exames e às consultas especializadas. Todos esses procedimentos deixaram de ser realizados em função do risco de contágio por coronavírus, e toda a energia foi gasta para o atendimento de pacientes graves no Centros de Terapia Intensiva [CTIs], além da criação de leitos”, ressaltou.

A demora nas cirurgias também reflete nas consultas. Um dos exemplos dessa espera é a doméstica Matilde dos Santos, 51 anos, que conversou com a reportagem enquanto estava no Centro Especializado Municipal Presidente Jânio Quadros (CEM). 

Ela aguarda há pelo menos 10 meses por uma cirurgia de timpanoplastia, que consiste na colocação de um enxerto de cartilagem ou de parte muscular da orelha para o fechamento da perfuração.  

“Eu ainda preciso terminar os meus exames para conseguir a cirurgia, estou há quase um ano só esperando pela consulta, já sabendo que preciso de um procedimento mais sério, porque meu tímpano está perfurado”, disse.  

Já Odete Oliveira, 52 anos, está há mais de dois meses esperando uma consulta com um reumatologista. “Ainda não consegui passar pelos exames e não sei se vou precisar de uma cirurgia”.  

O titular da Sesau explicou que as cirurgias gerais devem ser os primeiros procedimentos autorizados a retornar. “Vamos começar pelos procedimentos de vesiculectomia, cirurgias pediátricas e ortopédicas, que são a maior demanda da nossa rede de saúde”.  

FINANCIAMENTO

O secretário municipal de Saúde também afirmou que as cirurgias eletivas dependem de contratualizações de vagas em unidades de saúde particulares. “Nós ainda não contamos com o hospital municipal e, por esta razão, temos essas parcerias com a rede privada. No entanto, ainda estamos em um cenário de pandemia e dependemos das sobras de leitos de CTI”, disse.  

Conforme o secretário, os hospitais já estão sendo notificados para que as cirurgias eletivas sejam retomadas assim que houver sobra de vagas em leitos de CTI.

“Nós fizemos agora um mutirão de exames de ressonância por meio do Hospital do Câncer. São cuidados que não param”, afirmou.  

Para Castro Filho, o maior desafio para a ampla retomada das cirurgias eletivas é a fonte de financiamento. Discutido em nível nacional, ainda é incerto o valor que será destinado para os procedimentos cirúrgicos represados em razão da pandemia de Covid-19.  

“O governo do Estado já se antecipou e anunciou a retomada da Caravana da Saúde, que é um importante financiamento e que serve para alguns procedimentos, como a oftalmologia. No entanto, a maior demanda por cirurgias requer centros especializados, com toda a estrutura necessária de um hospital”, ponderou o titular da Sesau.  

Por ora, a secretaria já firmou parcerias com a Maternidade Cândido Mariano, para a realização de procedimentos pediátricos, o Hospital São Julião, que será encarregado das cirurgias gerais, e o Hospital do Pênfigo, atenderá à demanda de pacientes ortopédicos e gerais.

“Teremos também a Santa Casa, com atendimentos ambulatoriais e de ortopedia, e o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian [Humap-UFMS] e o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul [HRMS], que também vão abrir agenda para retornar com os procedimentos, como colostomia e cirurgias bariátricas”, afirmou, mas sem informar uma data.  

PARCERIA  

O vínculo entre a iniciativa público-privada, potencializado durante a crise sanitária, deve perdurar por mais um tempo. O secretário municipal de Saúde salientou que a pandemia deixará um legado estrutural, com mais de 70 leitos contratualizados em unidades particulares de saúde para atendimentos de pacientes regulados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).  

Para os próximos meses, o gestor prevê que essa relação público-privado abrirá portas para a realização de procedimentos no pós-pandemia. 

“Poderemos focar na realização de exames, consultas e cirurgias eletivas. Agora, esperamos que o Ministério da Saúde regulamente algumas questões necessárias, como o financiamento, para que esse projeto se torne realidade”, frisou.  

No entanto, conforme o secretário, os recursos para que as filas de procedimentos tenham um fim na Capital ainda são incertos. 

“Vamos supor que em 2020 tivemos R$ 50 milhões até o mês de agosto. Em 2021, estamos trabalhando com R$ 10 milhões, [ou seja,] não temos o mesmo potencial de investimento como era no início da pandemia. Sabemos que teremos que pagar essa conta de cirurgias eletivas em atraso, mas ainda não sabemos como. É uma conta que não fecha”, disse. 

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