Idealizada antes da pandemia de Covid-19, a implementação da Day Clinic Vó Honória Martins Pereira, o Hospital das Moreninhas, deve sair do papel em 2022. De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), José Mauro Pinto de Castro Filho, a unidade terá como foco as cirurgias eletivas.
Quando em funcionamento, a unidade aumentará a oferta de leitos para realização de procedimentos diagnósticos e cirúrgicos de baixa e média complexidade. Com o conceito de day clinic, a proposta é que o paciente permanece no máximo 12 horas na instituição.
“Conseguimos recursos para 30 leitos no Hospital das Moreninhas. Nós vamos ampliar a estrutura do local e passar a ofertar exames como tomografia, endoscopia e colonoscopia”, disse o secretário.
O projeto prevê uma estrutura composta por um complexo de três centros cirúrgicos, uma sala de recuperação pós-anestésica com quatro leitos, 18 leitos de internação temporária, três leitos de estabilização e quatro salas para exames diagnósticos (raios X, ultrassom, tomografia, colonoscopia e endoscopia).
Haverá ainda salas de gesso, central de material e esterilização, curativo, sala de indução e recuperação pós-anestésicos, quatro consultórios, farmácia, serviço social, Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, salas administrativas e banheiros com acessibilidade.
Para José Mauro, apesar de a pandemia de Covid-19 ter atrasado algumas obras na área da saúde, o cenário nos próximos meses será positivo.
“Apesar de não colocarmos em prática nenhum desses projetos, implementamos 200 leitos em centros de terapia intensiva [CTIs] a mais em Campo Grande, 300 leitos clínicos a mais, isso é um hospital de 500 leitos, do tamanho da Santa Casa, contratualizado”, reiterou Castro Filho.
Hospitais
Anunciado em 2019, o Hospital Municipal de Campo Grande permanece como um sonho distante para a população. A obra estimada inicialmente em cerca de R$ 200 milhões nunca saiu do papel, em razão da emergência sanitária imposta pela pandemia de coronavírus. A edificação do hospital custaria R$ 110 milhões.
Já o aparelhamento da unidade ficaria entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões. Segundo o titular da Sesau, ainda não há previsão para que o Hospital Municipal se torne realidade na Capital.
“Nos últimos dois anos, tínhamos vários projetos, e o Hospital Municipal permanece em discussão. Por ora, entendemos que há uma necessidade maior de atendimento na linha pediátrica e do idoso”, frisou o secretário. A Prefeitura de Campo Grande anunciou nesta semana, a construção do Hospital do Idoso nas dependências do Hospital São Julião.
São previstos 140 leitos, sendo 100 para atendimento clínico, 30 para unidades de terapia intensiva (UTIs) e 10 para observação. A unidade deve ficar pronta de três a cinco anos.
Campo Grande contará ainda com um hospital especializado no atendimento a crianças. A unidade pediátrica será implementada de forma provisória no antigo Hospital da Criança.
Segundo o titular da Sesau, a prefeitura da Capital está em estágio final nas trativas com a Maternidade Cândido Mariano, local definitivo escolhido para a implementação do Hospital da Criança municipal.
Por mês, a instituição terá capacidade para 170 internações, 150 procedimentos cirúrgicos, 1,2 mil exames de imagem e 10 mil exames laboratoriais.
A Capital deve ampliar nos próximos meses a rede de assistência nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
“Vamos reformar o Aero Rancho, ali será uma Unidade de Pronto Atendimento [UPA]. Temos ainda projetos para reformas em todas as UPAs, além dos quatro Centros Regionais de Saúde [CRSs] que também serão transformados em UPAs”, disse José Mauro.
Cobertura
O secretário de Saúde destacou que nos últimos anos Campo Grande deu um salto nos índices de cobertura da atenção primária. Para o gestor, isso só foi possível após o município ampliar a rede de profissionais de saúde e aumentar os investimentos em programas de residência médica.
“Nós fizemos o maior concurso público em agosto de 2019, contratamos mais de 1,5 mil médicos. De lá para cá, fizemos a residência médica de Saúde da Família e multidisciplinar, com seis profissões, com todos os residentes com bolsas do Ministério da Educação [MEC]", ressaltou.
"Hoje, esta é a maior residência de Saúde da Família do País. Isso aumentou a nossa cobertura de atenção primária de 33% para 75%”, salientou. De acordo com José Mauro Pinto de Castro Filho, Campo Grande saiu da 27ª colocação no ranking de atenção à saúde primária em 2019 para o 8º lugar em 2020. (Colaborou Gabrielle Tavares).