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Prometida como medida de biossegurança, reforma de terminais fica para 2022

Reportagem visitou oito terminais da Capital e encontrou locais sem água e luz e servindo de moradia a usuários de drogas

A conclusão da reforma dos terminais de ônibus de Campo Grande ficará para 2022. A licitação será refeita em função da alta de preços na área da construção civil. 

Enquanto isso, a população continua a sofrer com a ausência de medidas de biossegurança nesses locais, como a falta de água e itens básicos de higiene em plena pandemia – fato que foi, inclusive, questionado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) na Justiça.  

A reportagem do Correio do Estado ontem visitou todos os terminais da Capital – Aero Rancho, Bandeirantes, General Osório, Guaicurus, Júlio de Castilho, Morenão, Moreninhas e Nova Bahia – e o ponto de integração Hércules Maymone.  

Nesses locais foi identificado que a superlotação dos veículos continua, assim como outros problemas, como a falta de fechadura nas portas dos banheiros, paredes pichadas, falta de itens básicos de higiene, como papel higiênico, sabonete, álcool em gel, e até mesmo de água, sendo estes elementos essenciais para evitar a proliferação da Covid-19.

De acordo com a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), 77.805 passageiros transitam diariamente pelos oito terminais da Capital e o ponto de integração Hércules Maymone.

Ainda de acordo com a Agetran, os terminais mais movimentados da cidade são o Bandeirantes e o Guaicurus, que juntos recebem 24.860 passageiros por dia.  

No Terminal Morenão, os banheiros não contam com fechadura e itens essenciais, como água. Em toda extensão do prédio, apenas dois recipientes de álcool em gel estavam disponíveis para a população.

No Terminal General Osório, além da superlotação para a entrada nos veículos e falta de álcool gel, um morador de rua se instalou em uma das salas abandonadas do local, que deveria ser um espaço de venda de artesanatos de moradores da região.  

O Terminal Moreninhas parecia deserto, acentuando a perspectiva de abandono. Com vidros quebrados, bebedouro sem água, falta de segurança e iluminação, usuários do serviço aguardam a chegada dos veículos com medo e insegurança, principalmente à noite.

O projeto inicial, feito em 2019, previa gastar até R$ 5 milhões com as reformas dos oito terminais de transbordo da Capital, e a entrega estava prevista para 27 de agosto deste ano, em comemoração ao aniversário da cidade.  

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INVESTIGAÇÃO  

A maneira que a empresa de transporte está lidando com a pandemia, a superlotação de ônibus e as condições nos terminais é apontada pelo MPMS de maneira irregular. 

O órgão acusa o Consório Guaicurus e a Prefeitura de Campo Grande de descumprirem medidas básicas de biossegurança, como fiscalizar e fazer com que os usuários mantenham distanciamento social, além de oferecer álcool em gel e recursos para higienização das mãos nos terminais. Como analisado pela reportagem, pouco disso foi feito.  

Para a auxiliar de limpeza Nádia Ramos, 47 anos, o serviço de ônibus regrediu ainda mais com a pandemia. Segundo ela, além da superlotação dos veículos em meio á pandemia, a redução do número de ônibus durante o horário de pico é um problema diário para quem utiliza o serviço.  

“Eu não sei como, mas conseguiram piorar o serviço de transporte que já era péssimo. Com a pandemia, tudo ficou ainda pior. Saio de casa cedo para não me atrasar para o trabalho, mas fico mais de 40 minutos parada no terminal esperando ônibus. Eu acho uma vergonha, nós pagamos, nada acontece de graça”, relatou Nádia.

Um estudo realizado em julho por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco revelou que os terminais de ônibus são os locais com maior risco de contaminação pelo coronavírus.  

TERMINAIS  

Na primeira etapa das obras, no início de 2020, foram reformados os terminais Júlio de Castilho, Bandeirantes e Guaicurus, cujas obras estão quase concluídas, com investimento de R$ 2 milhões.

Com a necessidade de nova licitação, o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, explicou que o certame deverá ser aberto nos próximos meses e, após a definição da empresa responsável, as intervenções deverão ser concluídas no segundo semestre de 2022.

Estão previstas reformas nos terminais Morenão, Aero Rancho, General Osório, Nova Bahia e Moreninhas e no ponto de integração Hércules Maymone.

O projeto prevê a reforma de banheiros e bebedouros, a revisão das instalações elétricas e hidráulicas e estabelecimento de plano de biossegurança, além de medidas contra incêndio e pânico, cobertura, reforço do piso rígido do pátio e pintura geral.

Rudi Fiorese explicou que o aumento expressivo nos preços dos materiais de construção civil impactou a conclusão das intervenções.  

“O responsável pela execução da obra disse que os preços de um ano atrás subiram demais, que não ia conseguir entregar. Os insumos da construção tiveram aumentos bem variados, por exemplo, produtos siderúrgicos tiveram aumento de 50%, o cimento, de 30%, não compensava mais para a empresa concluir o serviço pelo preço inicial”, disse Fiorese.  

SEGURANÇA

De acordo com o Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) acordado entre as partes envolvidas no serviço de transporte coletivo da Capital, a prefeitura deveria disponibilizar a permanência de, pelo menos, dois guardas municipais por terminal de ônibus nos horários com maior fluxo de usuários. 

Com isso, os agentes deveriam fiscalizar os terminais das 7h às 9h, das 11h30min às 13h e das 17h30min às 19h, mas, segundo os usuários, isso não basta para garantir a segurança do local.  

O Terminal Júlio de Castilho teve suas obras iniciadas, contudo, ainda não concluídas, mas já conta com um posto da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Nenhum agente foi identificado no local.  

Dos oito terminais fiscalizados, apenas o Bandeirantes tinha agentes da GCM.  

O aposentado Jair dos Santos, 65 anos, relatou o medo constante que sente no Terminal Moreninhas. Com a pandemia, todos podem adentrar no prédio, que não tem segurança. “Eu fico apreensivo com a pandemia, mas também com os marginais da região. Fica tudo aberto, ninguém controla quem entra e sai, já ouvi relatos de assaltos aqui ao redor”, contou.

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Oportunidade de Emprego

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