Os incêndios registrados em Campo Grande de 1° de janeiro a 11 de agosto deste ano superaram o número do mesmo período do ano passado.
O total saiu de 2.080 ocorrências para 2.312, ou seja, aumento de 11,15% nos focos. Os dados são do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.
No interior do Estado a situação não tem sido diferente. Em 2020 foram 1.656 ocorrências, enquanto neste ano o número chegou a 2.087, um aumento de 26%.
Segundo o meteorologista da Uniderp, Natálio Abrahão, a Capital já está sem chuva expressiva há 72 dias, o que ajuda ainda mais no alto índice de queimadas.
Conforme o comandante do 6º Grupamento de Bombeiros Militar, tenente-coronel Danilo Santos, a baixa umidade do ar aliada às altas temperaturas causa o aumento dos focos.
“A questão da umidade do ar muito baixa aliada com a temperatura muito elevada e os ventos faz com que as condições fiquem propícias para ter incêndio”, explicou o tenente-coronel.
“São três anos de estiagem bem severa. São três anos que os níveis de incêndio em vegetação estão bem elevados, por causa das condições climáticas”, acrescentou.
Ainda de acordo com Santos, a maioria dos incêndios tem alguma origem humana, mesmo que a pessoa não tenha intenção.
Na última semana, por exemplo, um incêndio acometeu o Parque dos Poderes, e a suspeita é de que um senhor de 81 anos tenha ateado fogo na área.
As chamas começaram na quinta-feira, por volta das 16h30min, e atingiram de 6 hectares a 8 hectares.
Nos casos em que alguma pessoa é flagrada ateando fogo, os bombeiros prendem em flagrante e encaminham para a delegacia por crime de poluição. Jogar bituca de cigarro e causar um incêndio, por exemplo, pode ser considerado crime culposo, quando não há intenção.
“O que a gente pede é que as pessoas tenham consciência de que o uso do fogo não é adequado para fazer qualquer tipo de limpeza, mas, ainda que a pessoa não tenha intenção de provocar incêndio, pode acontecer algo grave".
"A possibilidade de perder o controle é muito grande. Sem contar as doenças respiratórias e acidentes de trânsito, pois a fumaça pode impedir a visão dos motoristas”, explicou Danilo Santos.
QUALIDADE DO AR
Conforme explica o doutor em Geofísica Espacial e professor da UFMS Widinei Alves Fernandes, a queimada é uma prática milenar muito utilizada pelo homem, que a enxerga como solução para limpar terrenos e áreas agrícolas e construir rodovias e cidades.
No entanto, ele ressalta que essa prática prejudica o meio ambiente.
Com este cenário, a qualidade do ar também acaba ficando afetada.
O que comprova isso são os dados da Estação de Qualidade do Ar da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que mostram que o pico da poluição do ar em Campo Grande foi registrado no dia 8 de julho.
Últimas notícias
A análise é feita desde o dia 10 de março, quando a Estação começou a funcionar, e leva em consideração os indicadores de material particulado PM10 e PM2,5.
Nesse caso, a concentração de material particulado com diâmetro não superior a 10 micrômetros (µm) chegou a 117,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
Já a emissão de material particulado com diâmetro de 2,5 µm chegou a 48,3 µg/m³. Esses valores estão entre moderados e ruins, segundo a escala da Estação da Qualidade do Ar.
“Durante uma queimada são emitidos para a atmosfera gases poluentes e partículas de aerossol que afetam a qualidade do ar".
"Os principais poluentes emitidos por queimada são: dióxido de carbono [CO2], que é o principal gás do efeito estufa; monóxido de carbono [CO]; óxidos de nitrogênio [NOx]; e material particulado com diâmetro menor que 2,5 µm [PM2,5]”, explicou o pesquisador.
Ainda conforme Fernandes, as queimadas no Estado ocorrem em grande quantidade principalmente durante a estação seca, entre junho e outubro.
“A poluição provocada pelas queimadas é somada à poluição antropogênica, associada à ocupação urbana e às atividades industriais".
"Dessa forma, todo o ar da região vai apresentar concentrações de poluentes acima do normal, em comparação com os períodos sem as queimadas, não sendo possível evitar que a população seja exposta a esses poluentes, a não ser que as pessoas possam se deslocar para uma outra região com nível de poluição menor”, acrescentou.
PANTANAL
A região do Pantanal também não fica para trás e vive um dos piores momentos, em razão das queimadas e da estiagem. Ainda segundo o meteorologista Natálio Abrahão, faz 72 dias que não chove na região.
De acordo com informações da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), em junho, mais de 80% das propriedades estabelecidas na região do Pantanal já tinham sido afetadas pela escassez de chuvas.
No ano passado, o bioma teve quase 30% de seu território queimado, uma área de 4,344 milhões de hectares.
Desse total, 2,399 milhões de hectares correspondem à devastação em Mato Grosso, e 1,944 milhão de hectares, à devastação em Mato Grosso do Sul.
Conforme o satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em apenas um mês, as queimadas em Corumbá, por exemplo, tiveram aumento de 33,75%.
Do dia 1° de julho a 21 de julho foram registrados 323 focos. Já do dia 1° de agosto a 21 de agosto, o número passou para 432.
Corumbá registrou 763 focos de incêndios neste período, enquanto no ano passado foram apontados 3.918.
Miranda teve 47 registros neste ano, e no ano passado, 48.
Ainda segundo levantamento do Inpe, Mato Grosso do Sul teve 2.350 focos de janeiro a 11 de agosto de 2021. Na mesma época do ano passado, foram registrados 5.798 incêndios.