O fogo que vem queimando o Pantanal de forma mais intensa há pelo menos 52 dias, quando o Corpo de Bombeiros começou sua operação para combater as chamas no bioma, chegou a Corumbá.
O município, um dos mais castigados pelos incêndios florestais no Brasil, está coberto por fumaça e fuligem, originadas principalmente de uma queimada na região do Paraguai Mirim, há três dias.
O fogo também tem atingido outros municípios de Mato Grosso do Sul, como Porto Murtinho, Bela Vista, Reserva Cisalpina (Brasilândia) e Água Clara, onde o Corpo de Bombeiros continua com operações para tentar controlar os incêndios.
Com o impacto do fogo no Meio Ambiente, o Ministério do Desenvolvimento Regional confirmou nesta segunda-feira (23) que repassará R$ 8,6 milhões para Mato Grosso do Sul empenhar no combate às queimadas.
O dinheiro será direcionado ao governo do Estado.
Na sexta-feira (20), o prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes (Podemos), solicitou apoio ao Estado no combate ao fogo. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, divulgou que o recurso vai ser empenhado.
No caso de Corumbá, esse incêndio nos arredores do município começou antes do meio-dia de sexta-feira (20), perto de uma área conhecida como Jericoacoara Corumbaense, e com o vento espalhou-se por uma distância, em linha reta, de mais de 2 quilômetros.
Quase atingiu uma pousada, que fica em frente ao Porto Geral de Corumbá.
Na tarde de sexta-feira, a fumaça chegou à parte baixa de Corumbá e até esta segunda-feira (23) persistia no céu, tanto durante o dia como à noite.
A intensidade de fumaça na cidade já causou peso sobre o sistema público de saúde.
A Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá identificou aumento na procura por atendimentos na Santa Casa do município por conta de problemas respiratórios, entre sábado e domingo.
“Tivemos um aumento de 15% relacionado a problemas respiratórios, principalmente asma”, reconhece o secretário municipal de Saúde, Rogério Leite.
Para garantir que haja atendimento para esse aumento de demanda, tanto o pronto-socorro da Santa Casa como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Guatós têm recebido apoio do corpo técnico da Secretaria de Saúde.
“Temos que manter a acessibilidade aos usuários nas unidades do pronto-socorro e na UPA para conseguir atender essa demanda”, comenta o secretário.
Animais atingidos
Outra população atingida pela queimada vive diretamente no Pantanal. O Grupo de Resgate Técnico Animal do Cerrado e Pantanal (Gretap-MS) atuou no incêndio do Pantanal Mirim, nas proximidades de Corumbá, para realizar o resgate e tratamento de animais.
O grupo confirmou que foram prestados atendimentos veterinários para 12 animais, com exame físico, inspeção, resgate e tratamento em campo.
Desses animais atingidos diretamente pelas chamas, seja o fogo, seja a fumaça, quatro deles precisaram tomar medicação e foram encaminhados para atendimento em Corumbá.
A equipe do Gretap-MS continua em campo porque ainda há trabalho de monitoramento. Esse grupo foi criado neste ano pelo governo do Estado, após a grande tragédia que atingiu o Pantanal em 2020.
No ano passado, o fogo consumiu 28% do Pantanal (4,1 milhões de hectares) e a estimativa do Grupo de Estudos em Vida Silvestre (Gevs) aponta que 20 mil animais morreram.
Além dos animais socorridos pelo Gretap-MS, os bombeiros também atuaram diretamente no resgate de bichos silvestres. Durante o incêndio registrado nas proximidades de Corumbá, uma jiboia adulta foi salva do fogo e levada para uma área segura.
No combate aos incêndios deste fim de semana, especialmente o que causou a grande fumaça sobre Corumbá, houve o emprego de dois aviões e foram usados 10 mil litros de água.
Os bombeiros ainda estão com 103 homens disponíveis para atuação no âmbito da operação, além de apoio de Marinha, Exército, Semagro e prefeituras das cidades afetadas.
A tenente-coronel dos bombeiros e comandante da Operação Hefesto, Tatiane Dias de Oliveira Inoue, explica que o incêndio na margem do Rio Paraguai, lado oposto de Corumbá, está controlado.
Porém, outras ações passam a ser exigidas para garantir que o fogo não volte.
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“A guarnição subiu para a região na sexta-feira e está em atividade desde que chegou. O incêndio agora está controlado, mas precisa fazer o rescaldo e o monitoramento. Há dificuldades de acesso, e eles foram deslocados por aeronave e embarcação"
"As condições atmosféricas não são favoráveis e deixam a vegetação extremamente seca e propensa à propagação dos incêndios florestais”, detalha a tenente-coronel, que visitou a área queimada na sexta-feira (20) e permanece na região de Corumbá, onde há uma base de controle da Operação Hefesto.
As condições climáticas adversas para a região do Pantanal em Corumbá vão prosseguir e por isso há ainda muito perigo de o fogo voltar em áreas onde não há chamas aparentes, porém troncos de árvores continuam quentes.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inpe) aponta que há alerta de perigo de onda de calor ao menos até esta terça-feira (24) para toda a região.
As temperaturas podem chegar a 41ºC e a umidade do ar pode ficar abaixo de 20%. Tudo isso, aliado às rajadas de vento, que fazem as chamas se propagarem, favorece as queimadas.
A Polícia Militar Ambiental e o Ministério Público Estadual estão trabalhando em conjunto para identificar se os incêndios combatidos pelos bombeiros tiveram intervenção humana.
Caso sejam identificados os autores, pode haver multa administrativa e os suspeitos responderão por crime ambiental.
O Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) suspendeu todas as autorizações de queimada controlada no Estado desde 30 de junho, conforme a Portaria nº 925, de 29 de junho. Essa medida está válida até 30 de outubro.
Alento no Pantanal
A situação de seca severa pode ter uma pausa na quinta (26) e na sexta-feira (27). O Inmet divulgou que há previsão de chuva para os dois dias e no fim de semana. As pancadas de chuva podem ajudar a reduzir as áreas com reincidência de queimadas.
Contudo, o volume de chuva não será suficiente para regular a situação. São necessários mais de 800 mm de chuva para equiparar o nível do rio com registrado no início de 2020. A previsão foi feita pelo Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).