Cidades

IMUNIZAÇÃO

Terceira dose? Infectologista defende o reforço das vacinas contra Covid

Farmacêuticas já realizam estudos sobre a necessidade da dose de reforço e Ministério da Saúde prevê aplicação a partir de outubro

Rafaela Moreira

24/08/2021 - 00h02

A aplicação da terceira dose da vacina contra Covid-19 tem sido discutida por autoridades e profissionais de saúde. O infectologista André Barbosa defende que o principal motivo de uma dose extra tem a ver com as variantes do coronavírus, pessoas idosas ou com comorbidade.  

 

“As vacinas aplicadas no Brasil têm mostrado bons resultados de eficácia e já podemos notar que os imunizantes cumpriam o que prometeram nos ensaios clínicos, pessoas que tomam as duas doses, em grande maioria, não desenvolvem quadros graves da doença. Contudo, nenhuma das vacinas irá garantir uma imunidade permanente, ou seja, que a gente tome e fique imune durante toda vida. A urgência com certeza são idosos e pessoas com comorbidades”, apontou Barbosa.

Na última quarta-feira (18), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), recomendou que o Ministério da Saúde comece a aplicar a dose de reforço em idosos com mais de 80 anos e imunossuprimidos vacinados com a CoronaVac.

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga afirmou, durante entrevista na última quinta-feira (19), que a terceira dose das vacinas contra a Covid deve começar a ser aplicada a partir de outubro, quando o país tiver alcançado 75% da população vacinada com as duas doses ou com uma vacina de dose única.

Segundo Queiroga, a prioridade será idosos e profissionais da saúde, que foram os primeiros imunizados na campanha de vacinação do país.

André Barbosa explica que há uma diferença técnica entre a terceira dose e a dose de reforço. No caso de pessoas imunizadas há mais de 6 meses, a dose adicional é considerada como um reforço para a imunização.

Sendo considerado terceira dose quando a aplicação ocorre para complementar o esquema vacinal de pessoas idosas ou imunodeprimidas, que respondem com mais dificuldade à vacinação no esquema comum de duas doses no tempo definido pela bula. 

De acordo com o especialista, a terceira dose é necessária porque, com o tempo, a proteção oferecida pela vacina cai, contudo, de quanto em quanto tempo a vacina deverá ser aplicada novamente, só será possível afirmar após a realização de novas pesquisas.

“A vacina contra o vírus influenza, que causa a gripe, por exemplo, é aplicada anualmente. E sua composição muda todo ano justamente para proteger as pessoas das variantes em circulação em determinado período. Pesquisas serão fundamentais para definir a necessidade, qual será a performance de cada vacina”, destacou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), pediu uma moratória mundial para a terceira dose de vacinas até setembro. A OMS argumenta que é preciso priorizar os países que ainda não conseguiram administrar doses à sua população, até que se chegue a ao menos 10% das pessoas vacinadas em todos os países, em vez de usar o suprimento global para reforçar a vacinação internamente .

"Eu entendo a preocupação de todos os governos em proteger seu povo da variante Delta. Mas não podemos aceitar países que já usaram a maior parte do suprimento global de vacinas usando ainda mais", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Delta 

Com o avanço da variante Delta do coronavírus, alguns países consideram ou já começaram a ministrar uma terceira dose de vacina à sua população. Como exemplo, em Israel, estão ministrando as vacinas para pessoas com mais de 50 anos; outros, como a Hungria, abriram para a população em geral. Ainda há os que oferecem doses só para quem recebeu uma vacina específica, como o Chile.

Um estudo de julho feito por pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College, de Londres, mostrou que a delta é 97% mais transmissível do que o coronavírus original, identificado na China. 

Em entrevista à CNN Brasil, o médico Alexandre Naime, que é chefe do departamento de infectologia da Universidade Estadual PaulistA (Unesp) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), disse que a delta deverá “substituir todas as outras variantes em um curto período de tempo”.

“Vamos ter mais casos de Covid-19 por conta da variante delta, caso a gente não melhore as medidas sanitárias e aumente a velocidade da vacinação”, afirmou.

Ritmo da vacinação

De acordo com dados do vacinômetro disponibilizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mato Grosso do Sul tem 71,34% de pessoas vacinadas e 40,81% imunizadas contra Covid-19.

Isso representa 1.762.1061 sul-mato-grossenses que receberam a primeira dose, 962.801 que receberam a segunda dose e 227.300 que receberam a dose única. 

Das 2.952.170 doses recebidas do imunizante, Mato Grosso do Sul aplicou 2.916.520.

Campo Grande tem 66,6% de vacinados e 43,06% de imunizados, segundo dados do vacinômetro disponibilizado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Este número representa 603.495 campo-grandenses que tomaram uma dose da vacina e 390.169 pessoas que tomaram as duas doses ou dose única.

Mato Grosso do Sul é o primeiro estado do país no ranking de aplicação da segunda dose, de acordo com dados do vacinômetro disponibilizado pelo Ministério da Saúde.

A campanha de imunização contra Covid-19 começou em 18 de janeiro deste ano em Mato Grosso do Sul. O objetivo é imunizar pessoas contra a doença para diminuir o número de casos, óbitos, internações e conter a pandemia.

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