Mato Grosso do Sul chegou ao menor porcentual de mortes ocorridas em relação ao número de casos registrados. Segundo levantamento feito pelo Correio do Estado, neste início de setembro, o Estado tem um porcentual de 0,7% de letalidade da doença, patamar inferior ao já registrado em todos os outros meses anteriores na pandemia, desde março de 2020, quando os primeiros casos foram registrados.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, este é um patamar que deve se manter ao longo do mês, em virtude do alto número de pessoas vacinadas em Mato Grosso do Sul.
Até sexta-feira (3), o Estado tinha 73,7% da população com a primeira dose ou com a vacina de dose única e 46,2% com o esquema vacinal completo. O resultado disso está sendo sentido agora.
Do dia 1º deste mês até o dia 3, foram registrados 894 casos e apenas 7 mortes (o número considera apenas pessoas que morreram em setembro, sem contabilizar as que foram apresentadas apenas agora).
“Com certeza isso é efeito vacinação, e a tendência é de que permaneça assim, com pessoas pegando [a doença], mas não morrendo”, afirmou a médica infectologista e diretora de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mariana Croda.
O mesmo diz a infectologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ana Lúcia Lyrio.
“Esses dados mostram o poder da vacinação. Reduziu [o número de mortes] drasticamente, reflexo do avanço da vacinação. É uma tendência, porque estão vacinando os mais vulneráveis com a terceira dose”, declarou, ressaltando a aplicação da dose de reforço em idosos e imunossuprimidos.
Conforme o levantamento feito pela reportagem, o mês que mais se assemelha com o atual foi maio de 2020, quando o porcentual de mortes versus casos registrados chegou a 0,89%.
O pico ocorreu em abril deste ano, quando a letalidade bateu 4,2%, naquele mês, 32.587 casos foram confirmados, resultando em 1.400 mortes, o maior número de óbitos de toda a pandemia até agora.
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VARIANTES
Mesmo com o bom desempenho e estimativa de manutenção deste patamar, as médicas alertam que os cuidados com a doença devem ser mantidos, já que o vírus segue em mutação constantemente e uma preocupação atualmente é a variante Delta.
Apesar de ainda não ter sido registrada no Estado, a variante Delta já se tornou predominante em estados vizinhos ou destinos turísticos de muitos sul-mato-grossenses, como São Paulo e Rio de Janeiro.
“Estamos em uma corrida para vacinar o maior número de pessoas antes que a variante Delta se torne predominante aqui também. Precisamos ter mais pessoas com as duas doses”, afirmou Croda.
Lyrio pede que, por causa da variante, as pessoas não descuidem das medidas de biossegurança. “Não devemos abrir a guarda para a variante Delta, que é muito transmissível. E espero que [esses dados] sensibilizem as pessoas que não tomaram a segunda dose ou não se vacinaram”.
Ambas as infectologistas não acreditam em uma retomada do pico da pandemia em MS, mas alertam que pode haver aumento de casos se a variante se estabelecer no Estado.
“Difícil [voltar ao pico] porque temos quase 50% de vacinados com as duas doses, isso diminui a circulação viral. Precisamos reforçar a terceira dose dos idosos. Difícil afirmar alguma coisa, mas espero que não [voltemos ao pico]. Mas esse vírus continuará circulando em níveis endêmicos por conta de mutações, e se todos mantiverem a vacinação em dia não teremos problemas”, avalia Ana Lúcia.
Já Croda ressalta que Mato Grosso do Sul foi um dos últimos estados a passar pelo pico da pandemia no País, em todas as ondas que a doença trouxe.
“Demora mais para vivermos o pico. Geralmente, ele ocorre primeiro no Sudeste, depois no Norte, Sul e só então chega a MS. Pode ser que soframos um aumento de casos, mas estamos trabalhando para que isso só ocorra quando tivermos mais de 80% de imunizados com as duas doses, o que evitará mortes”.
BOLETIM
Atualmente, a média móvel de casos em todo o Estado está em 255 por dia, já a média móvel de mortes chegou, nesta sexta-feira, a 10 óbitos diários, números muito diferentes dos registrados há dois meses, quando Mato Grosso do Sul tinha 792 de média de casos e 36,9 de mortes, no dia 3 de julho.
A taxa de contágio também estacionou em um patamar abaixo de 1, o que ajuda a conter a pandemia. Desde julho está na casa de 0,8 e na sexta-feira estava em 0,88.
A ocupação de leitos também foi diretamente impactada por essa progressão da pandemia. Há dois meses, havia 759 pessoas internadas com a doença no Estado, enquanto na sexta-feira esse número de hospitalizados era de 247.
No dia 3 de julho deste ano, apenas 44,1% da população do Estado havia tomado uma dose e somente 19,2% tinham o esquema vacinal completo.