A paralisação de caminhoneiros de frotas e empresas em Mato Grosso do Sul tem perdido força após quase 48 horas de manifestação, contudo em pelo menos quatro municípios do Estado ainda há resistência por parte dos manifestantes.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a paralisação em Mato Grosso do Sul já chega a quatro rodovias bloqueadas ou com ponto de concentração.
No início da manhã de ontem, o Estado contava com sete pontos interditados, bloqueados ou com concentração de manifestantes, entretanto, três foram liberados ainda na tarde de ontem. Com isso, quatro locais seguiam com o sistema Pare e Siga até o fechamento desta matéria.
Na BR-163, no km 38, em Eldorado, e na BR-158, no km 91, em Paranaíba, as rodovias foram bloqueadas por parte dos caminhoneiros desde as 7h de ontem.
Conforme apurado, não há nenhum ponto com trânsito bloqueado por completo. Nos locais, os caminhoneiros seguem protestando e o trânsito está funcionando no sistema Pare e Siga.
A PRF informou que já está de posse de uma liminar da Justiça Federal que estabelece multa de R$ 10 mil por dia caso a BR 163 seja mantida interditada. A penalidade poderá ser aplicada ao CNPJ ou CPF dos organizadores.
Além disso, foi solicitado à Justiça liminar semelhante para as demais rodovias federais de Mato Grosso do Sul.
Na BR-262, km 4, na cidade de Três Lagoas, havia pontos de concentração, equipes da PRF foram ao local e o trânsito flui normalmente.
Enquanto na cidade de São Gabriel do Oeste, os organizadores da paralisação emitiram uma nota de solicitação de apoio, na tarde de quinta-feira. Intitulado “Pró-Brasil”, eles pedem a colaboração da indústria, do comércio, dos produtores do agronegócio, dos grupos de transporte, das instituições religiosas e do poder público.
Caminhoneiros estão estacionados às margens da BR-163, no entorno do quilômetro 614. Conforme a PRF, o trânsito está fluindo normalmente no local. O movimento foi organizado um dia após manifestantes pró-governo pedirem, entre outras pautas, o voto impresso e o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional.
A equipe de reportagem do Correio do Estado percorreu as saídas da Capital, com o objetivo de encontrar caminhoneiros que aderiram ao movimento, contudo na cidade não há movimentação de manifestantes com a intenção de interditar ou bloquear as rodovias.
IMPASSE
O caminhoneiro Almir Gomes Araújo, 63 anos, trabalha para uma empresa de ração animal e só não aderiu às manifestações por causa da demanda de seu trabalho. Segundo ele, a população precisa apoiar o movimento dos caminheiros, porque, na fala dele, esse caminho seria necessário para uma “transformação” no País.
“Se eu parar, os animais morrerão de fome, por isso vou seguir abastecendo onde for necessário, mas a minha vontade era parar. Os meus parceiros deveriam aderir, temos de mudar esse País", disse.
"Não faço isso por mim, já estou velho, penso nos meus netos e não sei o que vai ser do futuro deles com as coisas do jeito que andam”, relatou.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Mato Grosso do Sul (Sindicam-MS), Osny Bellinatti, não há caminhoneiros autônomos na paralisação no Estado, sendo apenas caminhoneiros que pertencem a empresas.
“O caminhoneiro autônomo está andando, não está parando, eles precisam pagar as contas. Quem está lá são os donos de cooperativas e os donos de empresas. As empresas estão promovendo bagunça, é fato que os autônomos não vão entrar nesse movimento”, apontou.
Como exemplo, o caminhoneiro autônomo Natalino da Costa , 42 anos, não aderiu ao movimento e segue com sua rotina de trabalho.
“Aqui no Estado não tem essa demanda, mesmo se mandarem parar, vou continuar trabalhando. Eu dependo de comissão, preciso trabalhar, tenho família e casa para sustentar. Vivemos tempos difíceis, se eu parar quem vai pagar minhas contas?”, avaliou.
NACIONAL
Além de MS, pelo menos outros 13 estados registram manifestações de caminhoneiros bolsonaristas no País: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Rondônia, Goiás, Maranhão, Rio de Janeiro e Tocantins .
Segundo informações do Ministério da Infraestrutura, não há registros de nenhuma interdição de pista, após reunião do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com representantes da categoria.
Apesar do apoio ao presidente, os caminhoneiros continuam com os protestos mesmo após Bolsonaro emitir uma carta pedindo para que os manifestantes encerrem o movimento, pois “atrapalha a economia” e “prejudica todo mundo, em especial, os mais pobres”.