Campo Grande chegou a registrar, na tarde de ontem (20), a temperatura máxima de 39,3ºC. De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, este foi o dia de setembro mais quente dos últimos 10 anos.
A estimativa do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta ainda que o calor e a baixa umidade relativa do ar devem continuar durante a semana, com alívio apenas a partir de sexta-feira.
Ainda segundo Natálio, 36 municípios registraram temperaturas acima de 40°C no Estado, e as máximas são caracterizadas como emergência térmica.
Com previsão de registrar 39ºC nesta terça-feira (21), Campo Grande deve continuar com temperaturas recordes, com 5ºC acima do comum a um dia da chegada da primavera, que começa no dia 22 de setembro.
A meteorologista do Inmet Naiane Araújo explica que esse calor excessivo acontece em virtude da permanência de uma massa de ar seco e quente na região.
“As últimas semanas têm sido de muito calor no Estado por causa da permanência de uma massa de ar seco e quente, o que contribui diretamente para deixar as temperaturas elevadas. O que também tem influenciado para as máximas registradas é a corrente de ar conhecida como jato polar, que não passou tanto pelo Brasil durante o inverno”, avaliou.
Araújo reitera que são os chamados bloqueios atmosféricos, que atuam como uma barreira impedindo o avanço de frentes frias ou outro sistema que consiga levar chuva para as regiões do País.
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Outro ponto levantado pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima é a presença de um anticiclone em médios níveis, que está contribuindo para a manutenção de dias quentes e secos.
Como exemplo, Água Clara foi a cidade mais quente do Brasil na tarde de ontem (20), conforme o Inmet. Hoje, os termômetros variam entre 23°C e 44°C.
Com sensação térmica de 49ºC, Corumbá, como de costume, registrou temperaturas recordes. A máxima na cidade chegou a 43,9ºC na tarde de ontem. Nesta terça-feira, a temperatura segue elevada e deve ficar na casa dos 45ºC, segundo o Inmet.
Já em Campo Grande, os dados apontam que a máxima deve ficar na casa dos 39ºC na tarde de hoje. Vale ressaltar que ontem a sensação térmica foi de 43,2ºC na Capital e nesta terça-feira deve se manter alta.
CUIDADOS
O médico otorrinolaringologista e professor do curso de Medicina da Uniderp Alexandre Cury alerta que, durante o calor e a umidade relativa do ar baixa, é indispensável manter os cuidados com a saúde.
Ontem, foi registrada umidade relativa do ar de 8% em Coxim, enquanto em Corumbá o índice chegou a 9%, quando o recomendado para a saúde humana varia de 60% a 80%, por isso o tempo seco pode provocar ressecamento da pele e desconforto nos olhos, na boca e no nariz.
“Pessoas com doenças respiratórias têm sofrido muito com o tempo mais seco nos últimos dias. Com isso, a população deve estar atenta a alguns cuidados, como lavar bem o nariz com soro fisiológico, manter o ambiente arejado e utilizar umidificador ou toalha molhada na hora de dormir”, apontou.
Cury ressalta que nos dias mais quentes do ano o consumo de água deve ser ainda maior, em torno de 2 a 3 litros por dia.
“A orientação é tomar água durante todo o dia, para manter o corpo hidratado. Nesse período, é fundamental tomar água, usar hidratante no corpo, usar colírio lubrificante e alimentar-se bem”, diz.
Além disso, para aliviar o desconforto provocado pela secura, recomenda-se evitar atividades físicas e exposição direta ao sol nas horas mais quentes e secas do dia.
CHUVA E FRIO
A partir desta sexta-feira (24), são esperadas mudanças no tempo em decorrência da aproximação de uma massa de ar frio, que deverá trazer chuva, ventos fortes e alívio no calor intenso registrado nos últimos dias.
De acordo com a meteorologista do Inmet, está prevista chuva para todas as regiões de Mato Grosso do Sul.
“A partir de sexta-feira, devem ocorrer pancadas de chuva em todo o Estado, o que deverá aliviar as temperaturas e a umidade relativa do ar. O fim de semana será mais tranquilo, com temperaturas amenas".
"Mato Grosso do Sul está com alerta de chuva em todo o Estado no fim de semana, não teremos frio, mas a qualidade do ar deve melhorar nos próximos dias”, avalia.
Araújo destaca que ainda não é possível pontuar a previsão de chuva em milímetros para o fim de semana.
Segundo ela, a tendência é de que as grandes precipitações só voltem em meados de outubro. Isso acontece porque grandes massas de ar seco seguem pelo centro do País.
“A estiagem dos últimos anos está bem rigorosa, o volume de chuva previsto para o Estado no fim de semana deverá aliviar as temperaturas, que estão acima da média. Não devemos registrar precipitações expressivas até outubro”, aponta.