As quadrilhas que atuam no mercado ilegal de equipamentos eletrônicos provenientes do Paraguai têm usado o mesmo modus operandi dos traficantes de drogas e dos cigarreiros. A informação é do comandante do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), coronel Wagner Ferreira da Silva.
Ontem, a Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram uma operação contra um grupo especializado no descaminho desses equipamentos.
Na operação, foram apreendidas mercadorias que totalizavam R$ 1 milhão. Ainda não se sabe quanto essa quadrilha movimentava ao todo. Só neste ano, o DOF, por exemplo, já retirou de circulação equipamentos eletrônicos que totalizavam US$ 322,6 mil.
“[Essas quadrilhas] atuam no mesmo modal do tráfico de drogas e contrabando, compartilham rotas e cadeias logísticas, inclusive. Mas ocorrem também os chamados formiguinhas ou sacoleiros, que praticam o crime com menor volume de material. Existem várias estratégias, inclusive, a utilização de entrepostos [depósitos], assim como ocorre com o tráfico e o contrabando”, explicou Silva.
A comercialização desses materiais eletrônicos é considerada descaminho, já que é um crime de ordem tributária, porque não é feito o pagamento de impostos devidos pela entrada no País desse objetos. Com isso, a venda fica muito mais barata do que a de um produto legalizado.
Este ano, além das apreensões de eletrônicos, o DOF também encontrou 887 pneus, 3.510 kg de confecções, 620 kg de brinquedos e 1.420 celulares.
Já em 2020, a corporação registrou um aumento expressivo na apreensão de equipamentos eletrônicos, durante todo o ano passado foram US$ 3,4 milhões em produtos, dos quais US$ 938,9 mil correspondem ao período de janeiro a setembro. “O ano passado foi atípico, mesmo, por conta da pandemia”, afirmou o coronel sobre o montante apreendido.
OPERAÇÃO
O esquema flagrado pela PF ontem, no bojo da Operação Fronteira Legal, usava hotéis localizados no distrito de Vila Vargas, em Dourados, como ponto de parada. De lá, as mercadorias seguiam para outras regiões do Brasil.
A ação foi feita em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF) e resultou na prisão dos proprietários dos hotéis, bem como de dois hóspedes.
Magner Valente é dono do Hotel Vargas, e Gladson Oliveira Guerreiro, do Hotel Guerreiro, ambos às margens da BR-163. Os dois estabelecimentos, segundo as investigações que tiveram início com a Polícia Militar em 2020, funcionavam como depósito para as mercadorias oriundas do Paraguai.
“As investigações tiveram início quando foram feitas apreensões de mercadorias do Paraguai na região onde estão localizados os dois hotéis. De lá para cá, fomos apurando que os locais eram usados como entreposto para estas mercadorias. Depois, esses produtos eletrônicos eram destinados a outros estados brasileiros”, pontuou Eduardo Gonçalves, procurador do MPF, durante a coletiva.
Já os hóspedes foram detidos em quartos onde estavam os produtos eletrônicos. Os presos e os itens apreendidos, que precisaram ser levados por um caminhão-baú, foram encaminhados para a sede da PF em Dourados.
Na ação realizada nesta quinta-feira, que também teve apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que fiscalizou as rodovias da região, foram apreendidos produtos como celulares e smartwatches.
APREENSÃO
Na ação de ontem, a polícia também flagrou um caminhão com metade do espaço ocupado com iogurte e a outra metade lotada com caixas de contrabando.
O motorista do veículo, de 34 anos, disse que foi feito um descarregamento em Mundo Novo, cidade também localizada no sul do Estado, e outro perto de Salto del Guairá, considerado um dos três “paraísos” de importados do Paraguai.
A mercadoria seria levada para Mato Grosso, e o motorista receberia R$ 5 mil pelo transporte. No entanto, os policiais acreditam que o valor seria bem maior. Ações da operação já haviam sido iniciadas na quarta-feira, com barreiras nas estradas da região. Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo juiz federal Fábio Fischer.
Participaram da ação, 12 policiais federais e 26 servidores da Receita Federal, além do helicóptero da Receita e drones.