Cidades

ENTREVISTA

Governo prepara projeto para criar o passaporte da vacina

Secretário acredita que essa medida é uma tendência natural no combate à Covid-19

Após mais de um ano e meio dos impactos causados pela pandemia do novo coronavírus, com centenas de internações e mortes, Mato Grosso do Sul começa a viver um novo quadro da Covid-19, com perspectivas de controle da doença. 

Para ajudar na consolidação desse cenário, o governo do Estado trabalha com a ideia de encaminhar à Assembleia Legislativa, na próxima semana, um projeto propondo a criação do passaporte da vacina.

A medida, que restringe o acesso a lugares de uso coletivo a apenas pessoas vacinadas contra a Covid-19, é vista como uma tendência natural nessa fase de combate ao vírus em várias capitais brasileiras, bem como em muitos países, que condicionam, inclusive, a entrada de estrangeiros à vacinação.

O certo é que o avanço da imunização em Mato Grosso do Sul tem sido o responsável pela modificação do cenário da Covid-19 no Estado, o que tem refletido nos números da pandemia. Nesta sexta-feira, por exemplo, o número de pacientes internados pela doença chegou a 127. 

O maior número dos últimos 14 dias foi registrado no dia 8, com 213. Já o recorde foi no mês de junho, quando foram registradas 1.339 internações.  

Conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES), outro destaque é a taxa de contágio, que pela primeira vez no ano ficou abaixo de 0,80. Nesta sexta-feira, o indicador estava em 0,79, o que significa que de cada 100 casos existe a possibilidade de aproximadamente 79 contaminados amanhã.

O Correio do Estado ouviu o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, sobre o assunto.

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CORREIO DO ESTADO – Secretário, qual o desenho que podemos fazer do atual cenário da pandemia de Covid-19 em Mato Grosso do Sul?

GERALDO RESENDE – Acredito que o cenário é totalmente diferente daquilo que aconteceu há três ou quatro meses. Temos uma doença em franco declínio. 

A nossa taxa de contágio tem caído a cada dia. Hoje, a nossa taxa é de 0,79, ou seja, é a menor que encontramos em quase um ano e meio de pandemia. O número de casos novos tem diminuído, o número de internações hospitalares também tem caído. 

Estamos com pouco mais de 120 internações, e já chegamos a ter 1.339. O número de mortes está em torno de cinco. Ainda existe algum número de óbitos residuais – não são diagnósticos de agora. Só estão sendo fechados e divulgados no presente.

Com isso, estou dizendo que o quadro é totalmente diferente e acredito que vai continuar diminuindo e vamos chegar nos próximos dias... quero acreditar que vai chegar, proximamente, o dia em que teremos zero de óbitos em Mato Grosso do Sul. Já tem um número bastante expressivo, em mais de 20 cidades, sem registro de casos há mais de 60 dias.  

Mato Grosso do Sul é o Estado que mais vacina no País. A que esse desempenho é atribuído? O que MS fez de diferente de outros estados?

Unidade. Uma unidade construída com prefeitos e prefeitas, secretários e equipes de imunização. Em segundo lugar, um planejamento adequado. E também uma logística de distribuição mais rápida das vacinas. 

Elas chegavam e nós, em menos de 12 horas, já as distribuíamos aos 79 municípios. Em terceiro, monitorar diariamente o encaminhamento dessas vacinas, como elas se encontravam nos municípios e sua aplicação. 

Fazíamos remanejamento entre municípios quando víamos que nos municípios a vacinação estava aquém daquilo que nós esperávamos no processo de imunização. Outra coisa foi o estudo que realizamos naqueles 13 municípios de fronteira. 

Não só foi exitoso para os municípios fronteiriços, como também o cinturão que construímos reverteu em benefício dos outros 66 municípios que não fazem parte da área de fronteira.

Campo Grande, por exemplo, ganhou porcentualmente, assim como outras cidades do Estado, e isso fez com que nos elevássemos ao patamar em que nos encontramos. 

Além disso, fizemos outras tratativas vitoriosas, como remanejar doses em uma espécie de empréstimo antecipado daqueles segmentos que estavam com alguma resistência de vacinar, como no casos dos indígenas. 

Tudo isso foi importante. No auge da doença, na falta de vagas, também recorremos a outros estados, aqueles a quem havíamos dado apoio, em uma parceria. Com isso, conseguimos salvar muita gente.

O que dizer daqueles que até hoje, apesar da disponibilidade de vacinas, não se imunizaram?

São pessoas que querem voltar à época das trevas. A vacina foi um elemento fundamental para que estivéssemos aqui. 

Muitas doenças matavam antigamente, milhares de pessoas morriam quando não existia vacina, contra pólio, por exemplo, sarampo, contra as diversas formas de meningite. Elas fizeram do Brasil um referencial no mundo todo em matéria de vacinação. 

Hoje, aqueles que não querem se vacinar querem retornar ao tempo das trevas. Como tenho dito: o lugar deles é o lixo da história. A humanidade haverá de superar isso. Infelizmente, esses querem viver em um pensamento equivocado, querem luzes, mas haveremos de vencê-los.

Ainda está de pé a ideia de colocar vacinação nas escolas para adolescentes?

Nós estamos buscando todas as formas de aumentar ainda mais a vacinação. Na segunda-feira, com a Fiems (Federação das Indústrias), vamos lançar um programa chamado Retomada Segura, que tem seis vertentes. 

Uma delas é a gente fazer a empresa livre da Covid-19, com apoio da Federação das Indústrias e de outras federações para a gente instituir o passaporte da vacina. Eventos com mais de 100 pessoas, que elas tenham tomado no mínimo a primeira dose. 

Há o projeto de as empresas terem um selo, “Empresa Livre da Covid-19”, com todos os seus funcionários vacinados. Todos setores, comércio, agro e outros importantes da economia. Fazer um mutirão da vacinação, vacinar os idosos na dose de reforço, o Dia D da vacinação que estaremos realizando neste sábado. 

Temos vacina em quantidade, mais de 400 mil doses estão nos municípios. Avançar nos adolescentes. Ainda bem que o Ministério da Saúde reverteu aquela decisão equivocada de não vacinar os adolescentes. Vamos fazer com que quem tomou a primeira dose tome a segunda. 

Estamos fazendo a busca ativa daqueles que não se vacinaram, enfim, todo um trabalho que estiver ao nosso alcance para isso.

O senhor acredita que o passaporte da vacina é uma tendência no Estado?

Acredito que, sim. Como disse há pouco, a ideia é encaminhar um projeto para a Assembleia Legislativa para colaboração e debates. Vamos conversar com o governo do Estado para encaminhar esse projeto, talvez já na próxima semana. 

A ideia é de que a gente tenha, no mínimo, para que as pessoas que participem de espaços públicos tenham ao menos uma dose da vacina, para que não exponha outras pessoas.

O uso de máscara e a higienização constante das mãos vão continuar como uma regra sanitária?

Acredito que até o fim do ano, sim. Acredito que alguma dessas situações será incorporada na vida das pessoas. 

Nos países asiáticos, por exemplo, isso é uma rotina. No Japão, as pessoas usam máscaras para evitar que qualquer tipo de doença seja transmitido às demais pessoas. Isso mostra o alto grau de conscientização dessa sociedade. 

Acredito que isso deverá acontecer por aqui, com uma parcela significativa de nossa população. Haverá uma mudança de cultura. Vamos incorporar um pouco dessa cultura.

Devemos nos preparar para uma vacinação anual contra a Covid-19?

Sim. Estamos nos preparando porque acreditamos que a vacinação contra Covid-19 será igual à vacinação contra a influenza. Só que acredito que será aperfeiçoada. As novas vacinas que virão serão superiores a essas que aí estão. 

Acredito que a efetividade das vacinas que virão será bem melhor, até porque a ciência que conseguiu produzir uma vacina em tão curto espaço de tempo continua trabalhando.  

Estamos caminhando para o fim da pandemia. Quais são os projetos da Saúde para o pós-pandemia?

Temos projetos a serem lançados nos próximos dias, o Opera Mato Grosso do Sul, o Examina Mato Grosso do Sul, para enfrentar o represamento das cirurgias eletivas que já existia antes da pandemia e foi se avolumando durante a pandemia. 

A gente quer, de fato, fazer um grande evento para resolver um problema de saúde que já perdura há dois, três, cinco anos em um indivíduo que precisa do SUS (Sistema Único de Saúde). Um exame de ressonância magnética, uma colonoscopia, uma tomografia, enfim, precisa ser disponibilizada para nossa gente. 

Temos aí 39 instituições que fizeram adesão e 34 municípios. Temos quase 70 mil cirurgias eletivas para serem realizadas e 35 mil exames a serem feitos em três meses. A gente vai fazer disso uma diferença fundamental na vida das pessoas.

Há outros projetos para serem executados?

Ha outros projetos, sim, que precisam ser executados, desde a atenção primária até a atenção especializada de saúde, principalmente entregar hospitais que as macrorregiões precisam há muito tempo. 

Os hospitais regionais de Dourados e de Três Lagoas; terminar completamente o Hospital de Câncer de Campo Grande; entregar os vários hospitais que estão em reforma no Estado, vários municípios têm; e deixar aqui duas marcas desse governo: o Hospital do Idoso e o Hospital Materno Infantil que a gente está contando com o apoio da bancada federal. 

Fazer o Hospital do Idoso no São Julião, aproveitar aquele espaço e estrutura, e a Maternidade Cândido Mariano, dar um novo sentido àquela maternidade, para que ela seja um Hospital Materno Infantil na sua essência. 

Erguer ali um hospital vertical. Acredito que com isso poderemos dizer que este governo foi muito pródigo em promover um salto de qualidade na saúde no Estado.

A pandemia, particularmente, deixa também um legado em termos de estrutura?

Vamos deixar muitos equipamentos e estruturas. Vamos tentar quanto aos leitos de UTI. Vamos ver o quanto o governo federal vai ajudar. Além de serviços que antigamente só existiam nas grandes cidades.

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