Mato Grosso do Sul registrou no mês de setembro os menores indicadores da pandemia dos últimos 15 meses, com redução no número de casos confirmados e óbitos pelo vírus.
O Estado precisa atingir 90% da população com pelo menos uma dose do imunizante para liberar atividades associadas à aglomeração, como o réveillon e o carnaval, de acordo com especialistas ouvidos pelo Correio do Estado.
Mato Grosso do Sul tem 76,6% da estimativa populacional de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com pelo menos uma dose de vacina. Os que estão com a imunização completa representam 58,9%.
Para o infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda, o avanço na vacinação e indicadores positivos quanto à queda de casos confirmados e óbitos no Estado refletem positivamente na diminuição do número de hospitalizações por Covid-19.
Segundo ele, para que se tenha atividades com aglomeração, como réveillon e carnaval, é necessário que, pelo menos, 90% da população esteja vacinada com a primeira dose.
“Para o retorno de atividades como Natal, Réveillon e Carnaval, precisamos de pelo menos 90% da população vacinada com pelo menos a primeira dose no Estado. Em Mato Grosso do Sul, a vacinação está bem avançada, a tendência é de que dentro de oito semanas se tenha esses números, mas, para isso, o foco deve ser a busca ativa em pessoas que ainda não foram vacinadas”, disse Croda.
Na avaliação da infectologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ana Lúcia Lyrio, o avanço significativo da vacinação é a única maneira de chegar ao fim da pandemia e à retomada segura de atividades e eventos com aglomeração.
“Para bloquear uma infecção como a do coronavírus precisamos de pelo menos 90% da população com uma dose do imunizante e 70% imunizadas, caso contrário, o vírus vai continuar circulando com risco grande de casos graves e internações".
"Todos os pacientes que foram a óbito nos últimos dias não tinham tomado nenhuma dose da vacina, o que é algo muito sério, o Brasil tem muita oferta de doses”, explicou Lyrio.
Croda reiterou que para a celebração de festas de fim de ano é fundamental que não se tenha nenhuma nova variante que traga impacto na proteção da vacinação.
Últimas notícias
“Para que se tenha uma retomada segura de atividades como Réveillon e Carnaval é importante que não se tenha uma nova variante, porque aí teremos de repensar em uma nova estratégia de imunização. O Estado está bem avançado, é necessário completar a vacinação de 100% dos adultos”, destacou.
Para o titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Geraldo Resende, Mato Grosso do Sul tem total condição de avançar cada vez mais nos indicadores de vacinação e ter um retorno seguro.
“Eu não brigo com a ciência e nos baseamos no que os infectologistas indicam. Acredito que até outubro iremos atingir 80% da população vacinável com as duas doses e em novembro teremos muito trabalho para dar condição de termos festas e eventos da nossa cultura e do nosso povo de volta".
"Mato Grosso do Sul tem condição total de ter essa retomada”, afirmou o secretário.
OUTRA VISÃO
Em contrapartida, para o médico infectologista e também pesquisador Fiocruz Rivaldo Venâncio, ainda é muito cedo para discutir sobre festas de fim de ano ou Carnaval.
“Precisamos avaliar semanalmente a situação epidemiológica do Estado, hoje não há garantia para o fim do ano ou Carnaval. A expectativa é de que não seja como o ano passado, em que vivemos um momento crítico da pandemia, mas precisamos analisar isso mais para frente".
"É preciso observar como será a dose de reforço e casos confirmados para as próximas semanas”, defendeu.
VACINAÇÃO
Mato Grosso do Sul atingiu o menor índice da pandemia dos últimos 15 meses no mês de setembro, o pico de mortes causadas pela doença ocorreu no mês de abril deste ano, com 1.401 óbitos no Estado, enquanto setembro fechou o mês com 149 mortes.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), quanto ao número de casos confirmados, o ápice ocorreu em junho, com 44.686 confirmações.
Croda frisou que a vacina é responsável pelos indicadores, visto que, reduz as chances de transmissão do vírus e impede complicações por causa da doença.
Até as 17h de ontem, Mato Grosso do Sul tinha 1.919.450 de pessoas com a primeira dose, 234.995 com dose única e 1.653.941 com a segunda dose.
Já em relação à terceira dose, menos de 40% da população estimada havia conseguido o reforço.
“Mato Grosso do Sul tem todas as atividades com flexibilidades, não existe mais lotação máxima dos estabelecimentos e não temos nenhuma medida restritiva do poder público quanto à pandemia, apenas o uso de máscara, então esses números são reflexos diretos da vacinação”, apontou Croda.
Rivaldo Venâncio associa a efetividade da vacinação no Estado aos indicadores positivos, mas alerta que os cuidados devem ser mantidos.
“É indiscutível que o patamar que o Estado está vivendo com a redução de casos e consequentemente de internações e óbitos se deve à vacinação, mas não podemos desconsiderar que uma parte da população desenvolveu anticorpos contra o vírus".
"Torcemos para que a Covid-19 se comporte como outras doenças respiratórias, que a partir de um patamar o número de casos confirmados, principalmente casos graves, se tenha redução substancial da circulação”, explicou.
ESTRATÉGIA
Com a campanha de imunização avançada, Mato Grosso do Sul quer dar o próximo passo e iniciar a vacinação de crianças e adolescentes, de 3 a 11 anos, conforme anunciado pelo SES.
Em Mato Grosso do Sul, ainda há mais de 103 mil pessoas que não tomaram nenhuma dose dos imunizantes disponíveis, ou seja, pessoas maiores de 12 anos e que poderiam ter procurado a vacina, conforme estimativa populacional de 2020 do IBGE.
Geraldo Resende alerta que diversos países iniciaram a imunização das crianças. A Argentina, por exemplo, aprovou o uso da vacina Sinopharm, de origem chinesa, para imunizar crianças.
Mato Grosso do Sul tem mais de 70% dos adolescentes de 12 a 17 anos vacinados com ao menos uma dose.
“Pedimos que o Ministério da Saúde defina com velocidade a vacinação das crianças acima de 3 anos e abaixo dos 12 anos. Precisamos urgente dessa decisão, outros países estão vacinando crianças, estamos atrasados".
"Mato Grosso do Sul tem vacina disponível e estrutura para começar essa nova etapa e diminuir cada vez mais os indicadores da pandemia”, afirmou o secretário.
Por outro lado, Croda avaliou que o trabalho deve ser direcionado à população que não se vacinou, para que se tenha um maior controle da vacinação.
“Mato Grosso do Sul tem vacina para todos. O foco é vacinar quem não vacinou, inclusive diminuiu o intervalo de doses e está aplicando o reforço em idosos acima de 60 anos e profissionais de saúde com menos de 18 anos".
"Ou seja, é fato que temos bastante vacina para ofertar, e o objetivo deve ser buscar quem não vacinou, só assim poderemos chegar a 100% da população imunizada”, alegou.