Após três meses dos primeiros casos da variante Delta da Covid-19 em Mato Grosso do Sul, considerada a mais contagiosa das cepas da doença, especialistas descartam a ameaça de explosão de casos no Estado e defendem que o avanço da vacinação foi fundamental para conter a circulação da mutação.
Segundo o titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Geraldo Resende, Mato Grosso do Sul registrou, até o momento, dez casos da variante Delta, e o perigo maior de disseminação do vírus já passou.
“A variante Delta não encontrou terreno fértil em Mato Grosso do Sul, graças à política de implementação da vacinação, aqui a variante não teve vez e não tivemos nenhuma onda de casos. A parceria com os municípios e com a população fez com que tivéssemos a vacinação muito avançada e apenas dez casos dessa cepa no Estado”, destacou Resende.
Na Europa, nos Estados Unidos e em Israel, a variante Delta provocou alta de internações e freou planos de reabertura econômica.
No Rio de Janeiro, a cepa é responsável por 99,79% dos casos de coronavírus, de acordo com o último informativo de Vigilância Genômica da Covid-19.
Médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio explica que o perigo maior quanto à variante Delta no Estado passou, visto que, quando a cepa explodiu em outros estados, Mato Grosso do Sul apresentava uma cobertura vacinal menos expressiva.
“Acredito que não há mais perigo quanto à Delta no Estado. Atualmente, a cobertura vacinal em Mato Grosso do Sul é infinitamente maior do que, por exemplo, no Rio de Janeiro, em que tivemos milhares de casos, e isso garante uma segurança para o Estado, mas, ainda assim, os cuidados precisam ser mantidos”, disse.
Até as 17h desta terça-feira (5), Mato Grosso do Sul tinha 1.921.163 pessoas com a primeira dose, além de 1.428.384 com a segunda dose e 234.996 com a vacina de dose única. Já em relação à terceira dose, 189.090 pessoas da população estimada conseguiram o reforço.
Paralelo ao avanço da vacinação, Mato Grosso do Sul atingiu o menor índice da pandemia dos últimos 15 meses em setembro.
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O diretor-presidente do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), Lívio Viana de Oliveira Leite, enfatiza que a estabilidade da doença se deve ao avanço da vacinação, como forma de ajudar a conter a variante.
“A variante Delta tem um índice alto de transmissão, e o Hospital Regional seria o reflexo se essa variante estivesse circulando de maneira expressiva aqui, o que não verificamos nos últimos meses, pelo contrário, estamos em declínio, graças ao avanço da vacinação”, avaliou.
Dos dez casos registrados em MS, seis são de moradores de Campo Grande, três em Amambai e um de uma pessoa do Rio de Janeiro que estava em Ladário.
Os primeiros casos da Delta no Brasil foram detectados na tripulação de um navio de Hong Kong ancorado no Maranhão, em maio deste ano.
DELTA
Registrada primeiramente na Índia, a variante Delta é altamente transmissível e levou a uma explosão de mortes no país.
Estudos recentes apontam que essa nova cepa do coronavírus é muito mais transmissível e tem maior probabilidade de invadir o sistema imunológico, responsável pelas defesas do nosso organismo.
Rivaldo Venâncio reitera que, mesmo com poucos casos da variante confirmados no Estado, os cuidados devem ser mantidos.
“Todos devem estar alertas e manter os cuidados, como o uso de máscara. A Delta passou a ser a variante com mais presença em diversos estados e, atualmente, temos uma estabilidade da doença em Mato Grosso do Sul, mas essa cepa, apesar de ser menos letal, tem maior potencial de transmissão”, afirmou o especialista.
As vacinas disponíveis contra a Covid-19 demonstram proteção contra a variante, apesar de serem menos eficazes. As primeiras doses da Pfizer e da AstraZeneca têm 33% de eficácia contra a doença sintomática provocada pela variante Delta.
Após duas doses, a AstraZeneca revela eficácia de 60%, contra 88% da Pfizer. A da Janssen apresenta 66%. Por isso a necessidade de completar a imunização.