Com o retorno da temporada de chuvas em Campo Grande, a população passou a se preocupar com os estragos espalhados pela cidade, visto que a prefeitura não aproveitou o longo período de estiagem para realizar obras e resolver problemas antigos de alagamento e drenagem na Capital.
As precipitações dos últimos dias têm causado transtornos, como árvores caídas em cima de casas, além de estragos no asfalto.
Ao percorrer algumas ruas de Campo Grande, a reportagem do Correio do Estado encontrou vários buracos que aumentaram com as precipitações em diferentes bairros, por exemplo no Jardim Colibrí e no Universitário.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, a Prefeitura de Campo Grande tem dois projetos que aguardam a liberação de recursos para contenção de águas pluviais, que são a construção de duas barragens, uma no córrego Segredo e outra no Prosa.
Segundo ele, essas intervenções serão essenciais para evitar as enchentes recorrentes na cidade, mas que, ainda assim, não foram executados após meses de estiagem na Capital.
“A falta de recurso está atrapalhando a viabilização das obras. Temos equipes que fazem toda a preparação antes de chegar o período de chuva, com a limpeza de bueiros e vias da cidade, e a construção de barragens nos córregos Segredo e Prosa serão fundamentais para controlar a vazão nos horários de pico que causam alagamento das vias”, explicou.
Fiorese reiterou que para o córrego Segredo o Executivo está em busca de recursos e está desenvolvendo projetos para manutenção do local.
De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, apenas na manhã de ontem choveu 20,4 milímetros na Capital.
ABANDONO
Outro projeto importante para aliviar os impactos causados pela chuva será a construção de uma bacia de retenção, entre as avenidas Mato Grosso e Hiroshima, contudo, a obra está em discussão há meses e ainda nem saiu do papel.
No local, a reportagem do Correio do Estado encontrou entulho acumulado e matagal, além de um dos pontos do futuro piscinão ter dado início a um processo de erosão.
Segundo Rudi Fiorese, o Executivo aguardava a liberação de recursos para lançar o edital de intervenção, a obra de contenção está orçada em R$ 6 milhões.
“Nos próximos dias lançaremos um novo edital, o objetivo é de implantar uma bacia de retenção de águas pluviais que liga a Avenida Mato Grosso com a Rua Hiroshima, prevenindo assim os alagamentos causados na extensão”, explicou o secretário.
PREJUÍZO
Com o retorno das chuvas, o comércio e o trânsito na região central da Capital estão sendo ainda mais afetados pela segunda etapa do projeto Reviva Centro. As diversas vias interditadas e trechos em obras têm causado prejuízos para lojistas e motoristas que transitam nos locais.
Dona de uma mecânica na Avenida Fernando Corrêa da Costa, Lurdes dos Reis, 59 anos, assustou-se ao chegar em seu comércio e encontrar a calçada coberta por lama, que acabou descendo de um dos trechos em obra do Reviva. Segundo ela, alguns clientes evitaram parar no local por causa dos problemas que a chuva e a reforma causaram.
“A situação está péssima, ninguém consegue entrar no meu estabelecimento por conta da lama que formou aqui na frente. Por causa das obras do Reviva, toda a terra está descendo com a chuva e interditando a frente da minha loja", relatou.
"No período da manhã, uma senhora quase escorregou com o tanto de barro que formou aqui e clientes não quiseram parar. Cadê o planejamento? Isso está causando transtorno”, completou.
A segunda etapa do Reviva Campo Grande contempla o microcentro, que abrange, além da Rua José Antônio, o quadrilátero formado pelas avenidas Fernando Corrêa da Costa, Mato Grosso e Calógeras e pela Rua Padre João Crippa.
Outro problema que se agrava com o tempo chuvoso em Campo Grande são os temidos buracos. Uma fonte, que preferiu não se identificar, relatou que estava passando pela Rua Padre João Crippa na quarta-feira, quando caiu dentro do buraco em um dos trechos do Reviva Centro e perdeu um dos pneus de seu carro.
“Com as obras e esse período de chuva, os entulhos estão no meio da via, passei pela Rua Padre João Crippa e cai em um buraco, deu perda total no meu pneu”, disse.
O motociclista Pedro Guimarães, 24 anos, contou que estava voltando de uma entrega no início da manhã de ontem, por volta das 9h30min, e quase caiu dentro do buraco.
“O buraco era enorme, cabia a moto quase, mas consegui desviar, e a moto ficou presa nas bordas. Acaba sendo um risco, dependendo do local e da profundidade, não é nem pelo pneu que me preocupo, é pela segurança do condutor mesmo. Eu fico alerta quando chove em Campo Grande, em questão de dias os buracos aparecem, é sempre assim”, afirmou Guimarães.
Previsão
A previsão para o fim de semana será de chuva, rajadas de vento e trovoadas para algumas cidades do Estado.
Há risco de tempestade em algumas cidades de MS, com possibilidade de chuvas intensas, ventos de 40 a 60 km/h e risco de corte de energia elétrica. Do dia 12 ao dia 20 de outubro, as chuvas ficarão mais intensas e com maiores acumulados.
ALERTA DE CHUVA
A previsão para os próximos dias em Mato Grosso do Sul é de chuva, tempo abafado e céu encoberto até a terça-feira (12). Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade do ar deve chegar a 100% em Campo Grande, com pancadas de chuva.
Estima-se que o acumulado para as regiões sudeste, leste e nordeste varie de 50 mm a 125 mm. Para as demais regiões, o volume de chuva é de 10 a 35 mm.