A rua Hotel da Vila Base Aérea, localizada em Campo Grande, está sem energia desde 5h30min da última quinta-feira (14), quando houve um temporal.
O restante das ruas da vila também ficaram sem energia, mas o problema foi resolvido às 13h de sexta-feira (15).
A chuva que atingiu Campo Grande na madrugada da última quinta-feira (14) afetou o fornecimento de energia em 55 bairros espalhados pelas sete regiões da Capital.
De acordo com a Energisa, concessionária que distribui energia para 74 municípios de Mato Grosso do Sul, galhos, árvores e raios atingiram a fiação elétrica, interrompendo o serviço de energia.
Ao todo, foram 401.852 descargas elétricas foram registradas das 0h às 9h de quinta-feira (14) em Mato Grosso do Sul. Além disso, o acumulado médio de chuvas na Capital foi de 52mm, de acordo com o meteorologista Natálio Abrahão.
A estudante Aline Escobar da Silva mora na Base Aérea de Campo Grande há quase 22 anos e conta que equipes da Energisa restabeleceram o fornecimento do serviço nas outras ruas da vila, mas na rua onde mora, não.
“Eles arrumaram a rua principal que é a rua Fox e depois eles foram embora porque começou a chover. Eles não terminaram o serviço e simplesmente foram embora. Teve muitos bairros que acabaram a luz no segundo temporal e que a voltou antes do que voltou na minha casa”.
Aline ainda conta que comprou isopor com gelo para refrigerar alimentos perecíveis para não estragarem.
“Está estragando comida na geladeira. A gente está tendo que comprar isopor e gelo, gastando com uma coisa que deveria ser indispensável”.
O operador de callcenter, Vinícius Oliveira, também mora na Vila Base Aérea e diz que seus peixes estão morrendo, pois o aquário necessita de energia para haver oxigenação.
“Tenho que ficar bombeando manualmente a água dos meus aquários para eles não morrerem. Está complicado essa situação. O problema é até quando vamos esperar”.
Além disso, Vinícius afirma que é frustrante ficar sem energia por tanto tempo. “Pagamos as contas sempre em dia sempre contando que vamos poder contar com o apoio da empresa. Não é a primeira vez que a empresa demora para vir nos dar o apoio”.
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A assistente de perícia Edileusa Pinheiro é moradora da Vila Base Aérea e afirma que a falta de energia atrapalha seus estudos.
“Não tinha carga no celular para poder estudar e minha prova é dia 27 deste mês, prova esta que é importante na minha profissão e minha certificação para eu poder estar habilitada e trabalhar em minha área”.
Edileusa ainda ressalta que a empresa não prestou nenhum suporte nesses dois dias sem energia.
“Nós entendemos que por conta da situação do tempo ontem, muitas ocorrências aconteceram, porém no nosso caso não foi por causa da tempestade de ontem. E agora a gente não consegue nem ligar mais, nem abrir solicitação por meio do App deles, pois diz que todos os atendentes estão ocupados”.
Tamiris Peres também é moradora da Vila Base Aérea e afirma que a falta de luz prejudica seu trabalho, que é em home-office.
"Não posso ficar mais sem trabalhar! Precisamos de uma resposta e de uma solução com urgência! Está ficando tudo atrasado. Estou sem palavras com tudo isso! Não entendo essa demora!".
Em defesa, a Energisa informou que o objetivo é normalizar o fornecimento de energia em Campo Grande o mais rápido possível e que existem equipes de plantão para recuperar os estragos causados pela tempestade.
"Na manhã de hoje chegou reforço num voo fretado do Mato Grosso e ao longo do dia chegam equipes de São Paulo, Paraíba, Sergipe, Acre, Rondônia e Minas Gerais", afirmou a concessionária por meio de nota.
Estragos
As chuvas ocorridas na última quinta (14) e sexta-feira (15) causaram inúmeros estragos em Mato Grosso do Sul.
Uma Casa de Carnes no bairro Guanandi, em Campo Grande, está sem energia há um dia e funcionários temem prejuízo na perca de produtos perecíveis.
O açougueiro Jeferson Douglas diz que está mantendo produtos perecíveis como leite, queijo, iogurte, bebidas, sucos, carnes e frango refrigerados em uma câmara fria, mas que isso é temporário.
"Ainda não estragou, mas já começa a perder qualidade, a carne por ser um produto perecível começa a desidratar. O queijo é outro produto que hoje está muito caro e perde muito rápido, a gente está tomando as precauções até onde pode".
Temporais e ventos de 100 km/h derrubaram árvores, postes, torres, muros; queimaram semáforos, prejudicando o trânsito; deixaram bairros sem luz e abriram buracos pelas ruas da cidade.
Uma jovem de 16 anos ficou ferida após uma árvore de grande porte atingir o carro onde ela estava, na avenida Bandeirantes, em Campo Grande.
Um motociclista também ficou gravemente ferido após a mesma árvore atingi-lo. Ele foi levado em estado grave para a Santa Casa, onde foi entubado.
Uma tempestade de areia atingiu Campo Grande na tarde desta sexta-feira (15), deixando o céu vermelho e escuro por alguns cerca de 40 minutos.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, 154 árvores caíram até as 17h45min desta sexta-feira (16).
A Energisa recebeu quatro mil ligações no temporal, número 20 vezes maior do que outras ocorrências de chuvas e rajadas de vento.
“É uma situação nunca registrada em quase oito anos de concessão em Mato Grosso do Sul”, informou a concessionária por meio de nota.