A Prefeitura de Campo Grande tenta agilizar o atendimento a vítimas do temporal de sexta-feira.
Para isso, está prevista uma licitação de cerca de R$ 450 mil para compra de material, além de suplementação de R$ 1,5 milhão para programa social da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Amhasf), com o intuito de concluir obras em residências danificadas.
Mesmo assim, de imediato, a administração pediu que empresários fizessem doações.
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De acordo com a prefeitura, cerca de 700 moradores foram prejudicados pelo temporal de sexta-feira. A Amhasf já atendeu 236 casos, e, só na manhã de ontem, outras 67 pessoas haviam se cadastrado para receber a visita das equipes da agência.
Como o material disponível não é suficiente para atender a uma demanda tão grande e uma compra nesse volume demora tempo, o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), solicitou que empresários da Capital contribuíssem com a causa.
Durante coletiva de imprensa na manhã de ontem, o prefeito afirmou serem necessários R$ 300 mil para a compra de 2,7 mil telhas e que, com os secretários municipais, doará R$ 100 mil para auxiliar as famílias afetadas.
Trad pediu ainda que comerciantes vendam produtos com preços menores e disponibilizou o telefone (67) 3314–3900 para quem desejar fazer doações. Durante o encontro, a Cooperativa Sicredi doou R$ 50 mil, e a Amhasf recebeu durante o dia 10 rolos de lona doados por empresas.
“O evento causou prejuízos apenas com telhas e alimentos. Algumas residências perderam objetos, como móveis e televisões, mas o que realmente essas famílias precisam agora é de telhas e alimentos”, disse o prefeito.
De acordo com levantamento da prefeitura, foram 624 ocorrências de queda de árvores, obstrução de vias ou risco iminente de queda em Campo Grande.
Além disso, 121 semáforos queimaram, 54 deles em locais com risco de acidentes. Deste total, 60% foram prejudicados por falta de energia elétrica. Até a manhã desta segunda-feira, 10 semáforos ainda não haviam voltado a funcionar.
Os ventos ultrapassaram 100 km/h e destelharam residências na Capital. A Amhasf distribui 236 lonas, e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) colocou 300 servidores e 30 caminhões nas setes regiões da cidade para limpar as ruas.
PROJETOS
De acordo com o diretor de Administração e Finanças da Amhasf, Cláudio Marques, em 10 ou 15 dias, a prefeitura planeja emitir a ordem de compra para materiais de construção para as casas que foram afetadas. Esse tempo é em razão de uma licitação que está em elaboração e deve ser lançada nos próximos dias.
“Iniciou hoje [segunda-feira] o termo de referência e em até sete dias úteis ele deve ser publicado. Em 10 dias, contando de agora, já deve estar ratificado para compra dos itens, esse será o primeiro passo, depois temos outro programa para deixar as condições definitivas”, afirmou Marques.
O programa citado pelo diretor será o Credihabita, que auxilia o cidadão na aquisição de materiais de construção e na contratação de assistência técnica para construção, reforma e ampliação de moradias. Para esse programa, a Amhasf solicitou suplemento de R$ 1,5 milhão, com a finalidade de atender a essas famílias.
“Esse suplemento será com fonte do tesouro e já foi aprovado pela Secretaria de Finanças. Mas agora precisa mandar para a Câmara aprovar. Acredito que em 30 dias estaremos com ele preparado para atender as famílias”, explicou o diretor.
Para se cadastrar e receber as duas partes da assistência da prefeitura, a Amhasf orienta ligar no telefone (67) 3314-3900, que funciona das 8h às 17h, sem horário de almoço.
INFRAESTRUTURA
A prefeitura também solicitou a empresários do ramo da construção que colaborem com as equipes da Sisep que trabalham na retirada de árvores e na desobstrução de vias, ressaltando que o auxílio será bem-vindo.
O titular da Sisep, Rudi Fiorese, declarou que as equipes da prefeitura têm feito o trabalho na cidade e que os servidores estão desde sexta-feira nas ruas, entretanto, como o volume de atendimento é grande, a ajuda é para acelerar os trabalhos.
“A gente tem uma estrutura, mas, se conseguirmos empresas que possam ajudar, faremos mais rapidamente. No entanto, não estamos esperando por isso: desde que a tempestade passou, estamos trabalhando", avaliou Fiorese.
"São situações variadas, então, é difícil dar prazo, mas toda a estrutura está empenhada nisso. Acreditamos que, das ruas que estavam interditadas, 90% já devem estar liberadas”, finalizou.
Previsão
Ventos chegaram a 102 km/h, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), e previsão é de que pode haver tempestade semelhante à de sexta-feira neste fim de semana em Campo Grande. Apesar de essa possibilidade ser pequena, a Amhasf trabalha com uma margem maior, para o caso de novos desastres.