A obrigatoriedade do uso de máscaras em todos os ambientes segue em vigência em Campo Grande, e, segundo a prefeitura, essa exigência só será retirada se a vacinação evoluir na Capital.
Porém, a estagnação na vacinação contra Covid-19 tem dificultado que isso aconteça, e a instituição de um passaporte da vacina, que ajudou vários estados e países a aumentar a cobertura vacinal, foi descartada pelo prefeito Marcos Trad (PSD).
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Campo Grande tinha até o início da noite de ontem 72,3% da população geral com a primeira dose e 65,9% com a imunização completa.
Para que haja uma autorização para retirada de obrigatoriedade do equipamento de proteção individual (EPI), o prefeito afirmou que um plano estava sendo desenvolvido, em que flexibilizações aconteceriam quando a cidade chegasse a 70% de imunizados, depois outras medidas aos 75% e novas aos 80%.
Entretanto, o Correio do Estado já mostrou, em matéria publicada no dia 22 de outubro, que Mato Grosso do Sul estava estagnado na vacinação e que essa pouca evolução da porcentagem de cobertura ocorria em todos os municípios.
Um exemplo prático desse avanço lento é que o Estado, que figurou muitos meses entre os que mais vacinavam no Brasil, perdeu o posto para São Paulo e já pode ser ultrapassado pelo Rio Grande do Sul.
Nessas duas localidades, coincidência ou não, há a exigência da apresentação do comprovante de vacinação para eventos. Na Capital, entretanto, Trad afirmou que a medida não será implantada, porque ele alega que a vacina não é obrigatória.
“Não existe essa possibilidade, a vacina não é obrigatória. Nosso foco é fortalecer a imunização com as duas doses, estamos tentando de tudo para que aqueles que já tomaram a primeira dose voltem para receber a segunda”, afirmou o prefeito da Capital sobre a medida.
Em relação ao uso do EPI, ele disse que o Executivo tem consultado especialistas. “Vamos deixar de usar máscaras quando a ciência autorizar. Aqui temos um grupo de médicos que tem me orientado sobre [isso], e esse não é o momento ainda”.
O prefeito se agarra a uma medida que, segundo ele, será feita pelo Ministério da Saúde e que incentivará a vacinação no Brasil.
A campanha está em fase de elaboração, de acordo com Trad, que recentemente esteve reunido com a secretária especial de Enfrentamento da Pandemia do governo federal, Rosana Leite de Melo. Essa medida deve começar a ser colocada em prática até o fim deste mês, disse o chefe do Executivo municipal.
PASSAPORTE
Se, por um lado, o prefeito não é adepto do passaporte da vacina, o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, por outro, afirma que vê a medida como importante para fazer com que mais pessoas procurem as doses que hoje estão paradas em estoque.
“Eu acredito que com o passaporte da vacina mudaríamos a nossa situação. Eu sou a favor, e todos os estados que aderiram estão com a vacinação aumentando mais a cada dia. Se aderíssemos a essa opção, aumentaríamos a nossa porcentagem de vacinados em 30% a 40%”, avaliou Resende.
O secretário afirmou que hoje Mato Grosso do Sul tem cerca de 340 mil doses à disposição dos municípios nas geladeiras da Secretaria de Estado de Saúde (SES).
“Nós queremos que eles [municípios] apliquem essas doses para podermos distribuir mais. Nossa vacinação está lenta, muitas pessoas estão deixando de retornar para a segunda dose e muitas se negam a tomar a vacina”.
Sobre a segunda dose, o prefeito afirmou nesta quarta-feira que 61 mil pessoas ainda não a tomaram na Capital. “Um dos elementos técnicos da saúde pública é o não retorno de 61 mil pessoas que não tomaram a segunda dose da vacina. Essas pessoas estão circulando pela cidade, então, nós ficamos com medo”, disse Trad ao negar a retirada das máscaras.
ESPECIALISTA
Na opinião do médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda, o principal seria uma busca ativa efetiva por parte da prefeitura, tanto para os que não tomaram nenhuma dose como para aqueles que não retornaram para a segunda.
“A nossa taxa de aceitação da vacina não está tão baixa, principalmente da população adulta acima dos 18 anos. Mas precisamos fazer uma busca ativa para esses que não voltaram para a segunda dose. A prefeitura tem endereço e telefone dessas pessoas, e, para quem ainda não tomou, a gente pode expandir com a atenção primária, fazer a saúde territorializada, pode fazer busca ativa casa por casa de quem não se vacinou e explicar de forma simples e direta, fazer uma campanha de forma direta”, explicou o pesquisador.
Para Croda, o passaporte é mais uma das medidas, mas deve vir acompanhado dessa lista de outras atividades, que seriam essenciais para um alcance maior da vacina contra a Covid-19. “Convencer quem não tomou com diálogo e argumentos sobre vacinação. Instituir o passaporte ajuda, mas tem uma parte que cabe à prefeitura”.