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Solução para conter enchentes pode vir de empresas privadas

Construção de sete barragens de contenção nos córregos Segredo e Imbirussu resolveriam problema da cidade

Nos últimos anos e principalmente neste mês de novembro, Campo Grande tem sofrido com enchentes nas regiões próximas aos córregos do Segredo e Imbirussu.

Para resolver o problema gerado pelas águas pluviais, o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, disse estar em conversa com empresas privadas com o objetivo de ajudar a financiar investimento de R$ 120 milhões para a construção de sete barragens de contenção nesses córregos. 

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“Temos um projeto para fazer barragem nos córregos Segredo e Imbirussu. É possível pedir para que incorporadoras façam isso como forma de compensação ambiental ao município, já iniciamos conversa com algumas empresas nesse sentido e é, sim, uma alternativa”, informou Fiorese.

Segundo o secretário, serão quatro barragens no Córrego do Segredo e três no Córrego Imbirussu, essas terão a mesma funcionalidade das cinco construídas no Córrego Sóter.

“A função das barragens é controlar a vasão das águas. Criamos cinco no Sóter, e é o que vamos fazer nos demais pontos, essa é uma solução para o problema que estamos tendo na Capital, podemos fazer barragens de concreto, terra ou gabião”.

O titular da Pasta, porém, não informou a reportagem do Correio do Estado quando e em que pontos dos córregos essas obras serão executadas.  

VISÃO TÉCNICA

O presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Seção Mato Grosso do Sul (Abes-MS), Fernando Magalhães, esclarece que as enchentes estão ligadas à falta de pontos para a água infiltrar no solo.

“Por que enche de água? Porque escorre do telhado, cai, vai para a rua e chega nesses canais. Em torno de 40, 60 minutos a gente já tem toda a água da chuva chegando nesses pontos, e não dá tempo nem de emitir um alerta, isso com base em alguns estudos que fizemos em modelagem hidráulica ali no canal do Segredo da Ernesto Geisel”, explica.

Magalhães ainda aponta que a falta de planejamento para drenagem em Campo Grande fortalece o problema.  

“Nós não temos planejamento para drenagem em Campo Grande, foi feito um Plano Diretor dentro da área da bacia do Prosa, mas o Segredo e o Imbirussu não têm planejamento para isso, não há modelagem estimada do quanto de água vai para esses canais e a capacidade desses canais em responder. O fato é que eles não conseguem dar conta de chuvas intensas”, declarou o engenheiro, que é doutor em saneamento e recursos hídricos.

Para o presidente da Abes-MS, a construção das barragens de contenção é uma possibilidade, mas não a única. Magalhães explica que existem outras formas de resolver o problema de Campo Grande, baseando-se em modelos de cidades inteligentes.  

“O conceito novo de drenagem não é mais vocês escoarem água, mas é você infiltrar. Cada vez alargamos mais e mais os canais, é uma alternativa para evitar enchentes, mas quando a gente pega cidades inteligentes, resilientes com concepções novas, essas áreas são preservadas com soluções baseadas na natureza, não é mais alargamento, é na verdade evitar que a água vá para os canais", disse.

"E podemos fazer isso a partir de uma fiscalização efetiva e um incentivo para que as pessoas tenham áreas em seus terrenos para água infiltrar”, complementou.

INCENTIVO  

Conforme a Diretora de Planejamento Ambiental da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), Mariana Massud, na Capital existe a lei complementar n° 341/2018 referente ao Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental do município de Campo Grande (PDDUA) no qual cria o Índice de Relevância Ambiental (IRA).

“O IRA se trata de um parâmetro urbanístico ambiental de uso e ocupação do solo que visa à qualificação da vida urbana por meio do incentivo à implantação de dispositivos de controle de drenagem, combinado ao plantio e à manutenção de cobertura vegetal nos terrenos do município”, informou a diretora. 

Ou seja, o projeto visa incentivar a criação de pontos onde a água possa infiltrar o solo.  

A iniciativa ainda não está em vigor, mas assim que publicada será aplicada a todos os novos empreendimentos, públicos ou privados, na aprovação do licenciamento urbanístico e ambiental, realizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur). 

Bem como os antigos, caso façam ampliações ou regulamentações.

DESTRUIÇÃO

Com as chuvas que já duram sete dias na Capital, parte da estrutura em torno do Córrego do Segredo em frente à construção do Centro de Belas Artes, na Avenida Ernesto Geisel, desmoronou na madrugada desta quinta-feira (18).

A área foi interditada nesta sexta-feira (19) e deve receber reparos nos próximos dias. O trânsito da região não sofreu alteração por conta do desmoronamento, no entanto, o local foi sinalizado com faixas e placas para que não haja riscos para os motoristas que passam pela via.

A força das águas pluviais, além de causar o desmoronamento, arrastou entulhos de construções e árvores pelos canais. A Sisep informou que será realizada uma ação de limpeza.

Saiba - Nível de Perigo

Estudo do curso de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) aponta o grau de risco de vários pontos da Capital. No levantamento, os córregos são classificados por uma faixa que varia de R2, para o risco médio, até R4, para risco muito alto. 

O Córrego do Segredo na região da Avenida Rachid Neder foi classificado em R4, para risco mais alto.

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