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La Ninã continua em Mato Grosso do Sul e pode causar estiagem acentuada

De acordo com pesquisadores da Embrapa, o fenômeno influenciou o regime de chuvas em 2021 e influenciará em 2022

Nélida Navarro

03/12/2021 - 11h33

O fenômeno climático La Ninã  influenciou o clima em Mato Grosso do Sul desde o começo do ano, e a previsão para 2022, não é diferente.

 De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o regime de chuvas continuará o mesmo, com chuvas escassas e esparsas, e com redução de chuvas no Sul do MS. 

Segundo a Instituição, 2021 é considerado um ano atípico, com o inverno mais frio dos últimos 14 anos e janeiro mais chuvoso em 42 anos.  

A estiagem para os pesquisadores é motivo de preocupação, já que a La Niña  influenciou o regime de chuvas e temperaturas em 2021, e também influenciará até o início de 2022. 

Os estudos da Organização Meteorológica Mundial indicam que o fenômeno, entre o final de 2021 e começo de 2022, será de fraco a moderado. 

As pesquisas mostram que os setores da agricultura, saúde, recursos hídricos e gerenciamento de desastres serão afetados. 

Segundo os dados do Monitor de Seca da Agência Nacional das Águas (ANA) e que foram analisados pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), indicaram que 36 municípios sul-mato-grossenses enfrentaram situação de seca considerada grave no mês de outubro, como é o caso de Corumbá e Ladário.

Vinte e quatro cidades apresentaram seca moderada, 16 registraram seca extrema e três da região do Bolsão (Selvíria, Paranaíba e Aparecida do Taboado) registraram seca excepcional.

Chuvas

Segundo a coordenadora do Cemtec, Vanessa Fernandes, o mês de outubro registrou entre 125% a 150% de chuva acima do esperado em diversas localidades. 

Mas devido ao período de seca, as chuvas não conseguiram reverter a situação.  “Observou-se precipitação acumulada mensal entre 200 a 400 milímetros nas regiões Central, Sudeste e Leste do Estado”. 

O mês seguinte não foi diferente, as chuvas continuaram mal distribuídas. Segundo o meteorologista, Natálio Abrahão, as cidades que tiveram chuvas acumuladas acima do esperado foram: Campo Grande (238,2 mm), São Gabriel do Oeste (156,1 mm), Corumbá (137,3 mm), Corguinho (215,1 mm), Rochedo (221,4 mm), Paranaíba (178,8 mm), Cassilândia (232,2 mm) e Dois Irmãos do Buriti (221,4 mm). 

Em outros municípios do estado, as chuvas ficaram abaixo do esperado, como é o caso de Tres Lagoas que registrou apenas 33,6 mm dos 147,2 mm estimados para o período. 

O meteorologista, Natálio Abrahão, afirma que apesar de o mês ter apresentado chuvas acima da média em algumas localidades, o que predominou foram as chuvas abaixo do esperado e mal distribuídas.

”O que pode apresentar baixa produtividade, considerando que o mês de dezembro está previsto um veranico muito acentuado e longo com chances de estiagens atípicas”, destacou Natálio. 

A cidade de Ivinhema registrou 15mm de chuvas em novembro, e o município de Rio Brilhante apresentou chuvas acumuladas de 112m, contabilizando contrastes nas localidades. 

O Boletim climático da Embrapa informou que Dourados teve o menor índice pluviométrico dos últimos 43 anos, apenas 47mm, 30% da média histórica que é de 153 mm. 

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