Cidades

Balanço

MS tem queda de 11% em estupros de crianças, mas é o 1º entre estados

Somente em 2021, a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul realizou 3.782 atendimentos contra violência sexual

Nélida Navarro

07/12/2021 - 09h30

Pelo quarto ano consecutivo, Mato Grosso do Sul lidera o índice de taxa de crianças e jovens vítimas de estupro no Brasil, registrando taxa de 186,0 por 100 mil habitantes em 2020. 

Os dados constam no último levantamento feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e inclui, pessoas entre 0 e 19 anos.

 Em comparação com o ano anterior, o Estado apresentou uma redução de 11,4%, entretanto, a queda não foi suficiente para sair da liderança negativa do ranking.

Em 2017, a taxa estava em 218,5; em 2018 passou para 220,9 e em 2019 chegou a 210,1.

Depois de Mato Grosso do Sul,  Rondônia está com a segunda pior taxa (146,2), seguida por Paraná (139,7), Mato Grosso (136,5) e Santa Catarina (135,2). 

Com taxas menos assustadoras está a Paraíba, com 7,0 e Maranhão, com 15,7.

Conforme mostra o Unicef, no geral, em todas as faixas etárias, a maior parte das vítimas é do sexo feminino. Entre vítimas de 0 a 4 anos e de 5 a 9 anos, as meninas representam 77% do total e os meninos, 23%. 

Já entre as idades de 10 a 14 anos e 15 a 19 anos, as meninas correspondem por 91% dos registros, e o masculino, por 9%.  

De acordo com informações da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, somente em 2021, o Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Nudeca) registrou 3.782 atendimentos. 

Deste total, 2.681 são de Campo Grande.

Entre agosto e outubro, período em que ocorreu o retorno das aulas presenciais da rede pública, o Nudeca realizou o atendimento direto de mais de 30 casos, na Capital.

Para a coordenadora do Núcleo, defensora pública Débora de Souza Paulino, a escola pode ser um dos ambientes em que a criança se sinta mais segura para denunciar o estupro.

“A medida em que as aulas retornaram, esses números vem aumentando também. As crianças denunciam na escola, em locais que ela se sinta protegida. 

A questão da escuta é um dos principais pontos”, ressaltou a defensora.

A Defensoria também tem se empenhado para que meninas vítimas de abuso não passem por exame pericial com profissionais do sexo oposto.  

“A dificuldade que nós temos é, por exemplo, no interior, nem sempre a gente tem uma médica, as vezes no município só tem um médico e a criança inevitavelmente vai ser atendida por aquele médico”, explicou a coordenadora do Nudeca, Débora de Souza.

“A gente já vem atuando principalmente junto ao executivo através de reuniões para poder implementar essas políticas”, acrescentou.

A ideia também é ampliar a escuta dessas vítimas, contratando mais psicólogos e assistentes sociais em 2022.

MORTES VIOLENTAS  

Em 2020, as piores taxas de Mortes Violentas Intencionais, em crianças de 0 a 9 anos, foram encontradas em Roraima (2,02), Rio Grande do Norte (1,98), Mato Grosso do Sul (1,48) e Rondônia (1,47).

Conforme mostra o levantamento, de 2016 a 2019, a morte violenta de meninas ocorria majoritariamente nas residências, ficando entre 39% e 36%, respectivamente. 

Em 2020, o principal local onde ocorrem mortes de meninas foram as vias e estabelecimentos públicos.

Já com idade entre 10 e 19 anos, Mato Grosso do Sul apresentou taxa de Mortes Violentas Intencionais de 21,82 em 2017; 17,10 em 2018; 10,11 em 2019 e 9,18 em 2020. 

Comparando a taxa apresentada pelos outros estados entre 2016 a 2020, o estado que apresentou maior aumento foi Alagoas, com um crescimento de 54,3%. 

Em seguida está Ceará, com aumento de 11,4%.

VIOLÊNCIA POLICIAL  

A proporção de mortes de crianças e adolescentes, entre 10 e 19 anos, decorrentes de intervenção policial foi de 4.90% em Mato Grosso do Sul.

Conforme mostra o Unicef, no geral, em todas as faixas etárias, a maior parte das vítimas é do sexo feminino. Entre vítimas de 0 a 4 anos e de 5 a 9 anos, as meninas representam 77% do total e os meninos, 23%. 

Já entre as idades de 10 a 14 anos e 15 a 19 anos, as meninas correspondem por 91% dos registros, e o masculino, por 9%.  

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