O porcentual de pessoas com o esquema vacinal completo necessário para se atingir um patamar tranquilo da pandemia é de 80% da população geral.
Em Campo Grande, esse número está longe de ser alcançado. Nesta sexta-feira (17), até as 18h, a cidade tinha apenas 73,45% dos moradores com a primeira dose e 70,44% com duas doses.
A estagnação da aplicação da primeira dose continua, mesmo com campanha feita pela prefeitura e pela Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) com o objetivo de “presentear os desobedientes”, como classificou o prefeito Marcos Trad (PSD).
Com este cenário de estagnação, o qual já dura mais de um mês, o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda avalia que o patamar desejado só deverá ser atingido quando for aberta a vacinação para crianças de 5 a 11 anos.
O que só deve ocorrer a partir de 2022, já que o Ministério da Saúde precisa comprar doses do imunizante da Pfizer específico para este grupo.
“O governo precisa fazer a compra e a distribuição da vacina para 5 a 11 anos, o governo tem de adquirir e distribuir, se essa população tiver acesso, provavelmente vamos chegar a 80% da população imunizada."
"É importante aumentar a cobertura vacinal nesta época do ano, principalmente se a pessoa for viajar, ter o esquema vacinal completo”, avalia o médico.
O especialista ressaltou que a Capital tem uma resistência à vacina ainda maior do que muitos municípios do interior de Mato Grosso do Sul, visto que, segundo os dados do Estado, 81,67% da população geral já tomou pelo menos uma dose da vacina e 72,28% conseguiram concluir o esquema vacinal.
CAMPANHA
Nesta semana, a prefeitura da Capital anunciou o lançamento da Campanha “Não vacile, vacine”, em parceria com a Fiems, que vai sortear uma moto 0 km e 10 vale-compras no valor de R$ 1 mil por semana, para os “atrasados da vacina”.
A iniciativa premia quem, em quase um ano de vacinação aberta, ainda não buscou a imunização, em detrimento dos que cumpriram com o calendário orientado pelos órgãos de saúde.
Na ocasião, o prefeito Marcos Trad afirmou que a ação vai “premiar os desobedientes” e alegou que não haveria outra maneira de incentivar quem ainda não tomou a vacina.
Entretanto, outras capitais brasileiras decidiram pela instituição do passaporte da vacina, uma forma de restringir a entrada de quem ainda não se imunizou em certos lugares.
A medida contribuiu, inclusive, para que São Paulo ultrapassasse Mato Grosso do Sul no ranking de estados com o maior porcentual de imunizados.
“[MS] vai ficar para trás na cobertura vacinal, já foi o primeiro, caiu para segundo e, se continuar assim, vai cair para terceiro e quarto”, disse Croda, que ao ser perguntado sobre qual seria a melhor alternativa afirmou não haver fórmula mágica.
“A gente tem que ter estímulo, busca ativa, passaporte e todo o possível para garantir o acesso a quem não teve e fazer com que os outros busquem a vacina”, completou.
O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, afirmou que aguarda um “consenso dentro do governo” para poder implementar a iniciativa do passaporte de vacina, mas frisou que cada município pode tomar essa decisão.
“É uma decisão que estamos tentando construir consenso, há uma discussão com toda a equipe do Prosseguir do governo do Estado."
"Estamos aguardando o desenrolar de todo mundo, uma ação do STF, aquilo que foi motivo de deliberação da Anvisa, e assim que tivermos um consenso dentro do governo nós vamos nos manifestar."
"Cada município poderá adotar também, já que o STF deu essa possibilidade de os municípios adotarem seus critérios para, inclusive, os festejos que estão se aproximando, como Natal e Ano-Novo”, disse Resende
CRIANÇAS
Nesta sexta-feira, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para o governo federal se manifestar sobre a atualização do Programa Nacional de Imunização (PNI) para vacinar crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 antes da volta às aulas no primeiro semestre de 2022.
A União também precisa se posicionar sobre a criação de um dia D para imunização ou de possíveis datas para implementar mutirões de vacinação.
A ordem foi dada em uma ação movida por partidos de oposição que, desde outubro do ano passado, cobram medidas mais efetivas para a imunização da população contra o novo coronavírus.
Em um novo capítulo do processo, o Partido dos Trabalhadores (PT) pediu que o Ministério da Saúde seja obrigado a estabelecer um cronograma para a distribuição dos imunizantes a crianças na faixa dos 5 aos 11 anos.
Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação da vacina da Pfizer, contra a Covid-19, em crianças de 5 a 11 anos.
A formulação da dose pediátrica equivale a um terço da usada em pessoas com mais de 12 anos.
A orientação é para administração de duas doses, com intervalo de 21 dias, cada uma com 10 microgramas.
O Ministério da Saúde começou a se preparar para a vacinação de crianças em novembro, antes da autorização da Anvisa, e negociou a aquisição de 40 milhões de doses. A entrega dos imunizantes foi condicionada ao aval do órgão.
E estimativa do secretário de Estado de Saúde é que até fevereiro Mato Grosso do Sul possa ter essas doses em mãos para iniciar a campanha de vacinação nas crianças. (Colaborou Karine Alencar)