Cidades

GRIPE

Intervalo entre vacina antiga e nova versão deve ser de 30 dias

Segundo a SES, 1.061.473 de doses de vacina contra influenza foram aplicadas em MS

Mato Grosso do Sul atravessa uma epidemia de gripe em paralelo à pandemia de Covid-19, com pelo menos 91 casos confirmados do subtipo H3N2. 

Responsável pela produção do imunobiológico, o Instituto Butantan afirmou ao Correio do Estado que prevê a entrega das doses atualizadas com a cepa Darwin ao Programa Nacional de Imunização (PNI) para o início de março. 

Conforme o assessor militar da Secretaria de Estado de Saúde (SES), coronel Marcello Fraiha, será necessário um intervalo de 30 dias para que aqueles que receberam a versão 2021 da vacina contra a Influenza possam tomar a nova dose.

Segundo a SES, 1.061.473 doses de vacina contra gripe foram aplicadas em Mato Grosso do Sul até 30 de dezembro de 2021. O índice de cobertura vacinal é de 76,7%, abaixo dos 90% preconizados pelo Ministério da Saúde.

O infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda explicou que aqueles que estão recebendo a vacina contra a gripe neste momento deverão se imunizar com a dose atualizada para a nova cepa. 

“Quem tomou a vacina agora, quando a vacina estiver liberada a partir de março com a nova variante Darwin H3N2, deve fazer o uso do imunobiológico normalmente. Não existe nenhum problema e não precisa de nenhum intervalo maior [entre as versões contra a influenza]”, afirmou.  

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), não há necessidade de intervalo entre as vacinas contra a gripe. 

Em nota, a Pasta afirmou que a dose que protege contra a influenza também pode ser aplicada no mesmo dia que o imunobiológico contra a Covid-19.

Em Campo Grande, desde o início da campanha de vacinação, em abril de 2021, foram aplicadas 313.514 doses da vacina contra influenza. 

Dessas, 197.293 são referentes aos públicos prioritários, uma adesão pouco significativa da população em geral. 

Conforme a Pasta, apenas as crianças de seis meses a menores de seis anos superaram a meta de cobertura vacinal, com 90,25% de imunização. Para este ano, a secretaria estima que 71.732 crianças sejam vacinadas contra a gripe.  

MORTES

Foi confirmada ontem a sexta morte por H3N2 em Mato Grosso do Sul. De acordo com a SES, trata-se de uma mulher de 74 anos, residente em Corumbá e com histórico de hipertensão. A vítima manifestou os primeiros sintomas em 29 de dezembro, foi internada em 1º de janeiro no Hospital de Corumbá e morreu em 2 de janeiro.

A quinta morte em decorrência da H3N2 no Estado foi confirmada na terça-feira. A vítima é uma mulher de 71 anos, que residia em Dourados. Conforme a SES, a idosa que possuía doença cardiovascular crônica e diabetes mellitus foi internada no dia 18 de dezembro e faleceu no dia 31.

A primeira morte por H3N2 em MS aconteceu em Campo Grande, em 21 de dezembro. A vítima era um homem de 21 anos. Já a segunda morte aconteceu na terça-feira (28/12/2021), em Corumbá. Com o quadro de desnutrição, a idosa de 76 anos faleceu na Santa Casa do município.

A quarta vítima foi uma mulher de 35 anos, que morava na Capital. Os primeiros sintomas começaram no dia 29 de dezembro, evoluindo para óbito no dia 2 de janeiro.  

“FLURONA”

A SES confirmou nesta terça-feira no Estado os primeiros seis casos de “florona”, uma junção das palavras “flu”, que significa gripe em inglês, com parte da palavra coronavírus.

 Segundo a Pasta, todos os casos analisados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MS) foram encaminhados para o Instituto Adolfo Lutz (IAF), em São Paulo, onde houve a confirmação da dupla infecção por Influenza e Covid-19.

Os seis casos foram registrados em Corumbá, em Dourados e em Campo Grande. Todos os pacientes já receberam alta. No País, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Ceará já confirmaram duplas infecções por “flurona”.

O primeiro caso de “flurona” neste ano foi detectado em Israel, em uma mulher grávida não vacinada, de acordo com o Ministério da Saúde do país. 

Ela recebeu alta no dia 30 de dezembro, depois de ser tratada com sintomas leves. Os primeiros casos de dupla infecção já haviam sido registrados nos Estados Unidos em 2020, durante o primeiro ano da pandemia de Covid-19.

Para o doutor em doenças infecciosas Everton Lemos, é possível haver tanto um surto de influenza como de novos casos de infecções simultâneas. 

O especialista ressalta que já existiam relatos de casos de coinfecção de Covid-19 com outras doenças desde o início da pandemia.

“Como a H3N2 é uma cepa nova e não teve imunização específica para ela, esta tem apresentado um aumento de casos por agora”, afirmou Lemos. De acordo com o infectologista Julio Croda, a dupla infecção não apresenta um maior risco ao paciente.

“Infecção por dois vírus não é algo raro, ainda mais neste momento que são dois vírus respiratórios em circulação com todas as medidas de biossegurança flexibilizadas e uma vacina da influenza que não contém a cepa H3N2”, afirmou.  

TESTES COVID-19

Após o fim das festividades de Natal e Ano-Novo, a procura por testes para detectar a Covid-19 aumentou consideravelmente em Campo Grande.

No polo da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), a manhã de ontem foi intensa. Com mais de 100 atendimentos, pelo menos 30 deram positivo, informou a enfermeira responsável pelo setor, Lina Oliveira Dias Ribeiro.

“O mês de dezembro foi o que mais lotou. A gente está até superpreocupada porque é 5 de janeiro e continua com essa lotação, cada vez aumentando mais, e aumentando os casos positivos também”, disse. 

Entre os meses de outubro e novembro, eram cerca de dois testes positivos por dia. A partir do mês de dezembro, a média saltou para 150. Na terça-feira, foram realizados 543 atendimentos, dos quais 174 apontaram a presença do coronavírus.

Foi preciso até mesmo reforçar a quantidade de funcionários para dar conta da demanda, mesmo assim, a enfermeira avalia que os sintomáticos têm esperado pelo menos três horas para receber o atendimento.  

A consultora de vendas Micaela Santos, de 22 anos, foi a procura do teste após sentir sintomas durante o Natal, e relatou que ficou pelo menos por quatro horas esperando.

“No Natal, fiquei bem mal, com muita dor no corpo, febre, coriza e fiquei rouca também, aí minha chefe mandou eu vir procurar o teste”, disse Santos.

A profissional Lina pediu para a população também procurar outros polos de testagem para evitar longas esperas. 

“Queria ressaltar para as pessoas procurarem os postos de saúde perto da casa deles, porque lá estão fazendo testes, não é só aqui”, reiterou. Colaborou Gabrielle Tavares.

76,7% de cobertura

Apesar de disponível para toda a população, até 30 de dezembro, apenas 76,7% dos sul-mato-grossenses haviam sido vacinados contra a gripe, por volta de 1.061.473 pessoas. 

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