Com medidas distintas anunciadas na quarta-feira (9), a desobrigação do uso da máscara gerou dúvidas entre os moradores de Campo Grande.
O Correio do Estado percorreu o centro da Capital nesta quinta-feira (10) e conversou com algumas pessoas. Para a maioria dos entrevistados, o uso da máscara deve ser mantido por mais tempo em Mato Grosso do Sul. O argumento dos campo-grandenses favoráveis à medida é de que ainda é muito cedo para uma flexibilização tão brusca.
A estudante Karen Victoria, 18 anos, explicou que, para ela, a liberação deve ser feita com calma, e não do dia para a noite.
“Passamos dois anos com máscaras, não é confortável, não adoramos usar, mas nesse tempo de insegurança são as máscaras que nos protegem. Eu sou contra a desobrigação agora, precisa ser um processo linear”, afirmou Karen.
Na manhã de ontem, o governo de Mato Grosso do Sul oficializou o fim da obrigatoriedade do uso da máscara para ambientes fechados no Estado. Conforme o decreto, o uso do item passa a ser facultativo a cada cidadão.
A decisão levou em conta o cenário epidemiológico atual do Estado, que configura com um esquema vacinal completo de 80,66% da população.
O panfletista Willian Gutemberg, que trabalha no centro da Capital divulgando serviços de beleza, disse que o momento já é apropriado para o abandono do uso da máscara em alguns ambientes, dependendo da lotação do local. No entanto, ele defende que o uso deve ser obrigatório no transporte público.
“Eu acho que já podemos frequentar lugares sem máscara, lugares abertos e alguns fechados, mas dependendo da lotação. Só deve continuar obrigatório nos ônibus e carros de aplicativos”, opinou Gutemberg.
Contrário à decisão do governo do Estado, o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), informou que manterá a obrigação do uso de máscaras em alguns locais fechados e que a liberação nestes ambientes será gradual.
“Não é simplesmente você liberar o uso da máscara da noite para o dia. Como é que a partir de quinta ninguém mais precisa usar a máscara? Qual a garantia que a gente tem? Em ambientes fechados, ainda há necessidade. Em transporte coletivo, ainda há necessidade. Todos queremos tirar a máscara, se já fizemos durante 24 meses e estamos próximos a retirá-las, por que apostar no escuro?”, acrescentou.
Conforme o prefeito, um novo decreto contendo as normas para a liberação gradual da máscara na Capital será publicado apenas na segunda-feira (14).
Segundo o secretário municipal de Saúde, José Mauro Filho, a desobrigação em Campo Grande ocorrerá de forma progressiva e será dividida em três etapas.
“Vamos seguir etapas para deixar o uso da máscara, a primeira é a obrigação em transportes, locais de saúde e escolas. A segunda é a recomendação para ambientes fechados, como restaurantes e shoppings. A terceira é a desobrigatoriedade em lugares abertos, sem aglomerações, como parques”, esclareceu o titular da Sesau.
Mesmo com a flexibilização estadual, os municípios têm autonomia para estabelecer medidas mais restritivas quanto ao uso de máscara em seus territórios. Ou seja, cada prefeito pode decidir se mantém ou não a obrigatoriedade do equipamento de proteção contra a Covid-19.
BOLETIM
Dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que 133 sul-mato-grossenses estavam internados com Covid-19 até ontem.
Entre os hospitalizados, 56 estão em leitos clínicos e 77 em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A ocupação global de leitos de UTI do Sistema Único de Saúde (SUS) na macrorregião de Campo Grande está em 78%; Dourados, 72%; Três Lagoas, 32%; e Corumbá, 59%.
Segundo a SES, 815 pessoas testaram positivo para Covid-19 nas últimas 24 horas em Mato Grosso do Sul. Com isso, o Estado totaliza 511.191 casos e 10.430 mortes confirmadas desde o início da pandemia. A média móvel de casos dos últimos sete dias é de 1.060,0.
VACINAÇÃO
Desde o início da imunização contra a Covid-19 em Mato Grosso do Sul, em 18 de janeiro de 2021, 5.448.911 dose foram aplicadas, das quais 2.207.461 são primeira dose; 1.863.968 são segunda dose; 1.028.023 terceira dose; 92.148 dose de reforço; e 257.311 dose única.
Em Campo Grande, 717.276 pessoas já se vacinaram com a primeira dose, 662.797 receberam a segunda dose ou dose única, 344.197 se imunizaram com a terceira dose e 43.088 receberam a dose de reforço.