A entrega da primeira etapa de revitalização desta segunda fase do Reviva Campo Grande acontece na tarde deste sábado. No entanto, as obras não estão totalmente concluídas.
Conforme constatado pelo Correio do Estado nesta sexta-feira, as equipes da prefeitura da Capital foram deslocadas para uma verdadeira força-tarefa para a entrega dos trabalhos.
Quem passa por algumas ruas nota a falta de sinalização, calçadas inacabadas e instalações incompletas.
A primeira etapa da revitalização compreende as ruas 7 de Setembro, 26 de Agosto, 15 de Novembro, Barão de Melgaço, Marechal Rondon (entre a 14 de Julho e a José Antônio), José Antônio (da Avenida Afonso Pena até a Avenida Rodolfo José Pinho) e Rui Barbosa (da Avenida Fernando Corrêa da Costa até a 7 de Setembro).
Entre os benefícios executados estão: recapeamento, instalação de lâmpadas de LED, microdrenagem, acessibilidade universal, padronização de calçadas, instalação de câmeras de videomonitoramento, arborização e paisagismo.
A Prefeitura de Campo Grande iniciou a segunda fase do Programa Reviva no dia 10 de maio de 2021. De acordo com a prefeitura, o objetivo é promover maior dinamismo social e econômico, segurança e conforto aos cidadãos.
Para a aposentada Elisa Morais, de 67 anos, as obras de requalificação da região central da Capital são positivas e necessárias para o bem-estar da população.
“Sinto que o centro está mais bonito e agradável para pedestres e motoristas. Dá vontade de vir andar por aqui, porque vemos que o que pagamos em impostos está sendo investido”, relatou.
No entanto, a aposentada reclamou da falta de atenção com os bairros. “Eu não vou mentir que amei a reforma aqui nessa região central. Mas os bairros precisam de atenção, porque estão abandonados. O asfalto do meu bairro, o José Abrão, está péssimo, e isso interfere na nossa vida, calçadas acabadas também, isso é uma questão de acessibilidade, é necessário”, pontuou.
PROJETO
A requalificação da área central faz parte do Programa Reviva Campo Grande, que possui financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A segunda e última etapa dos trabalhos será entregue em Agosto.
Ao todo, a revitalização do microcentro engloba 21 km de vias, em um quadrilátero formado da Avenida Fernando Corrêa da Costa até a Avenida Mato Grosso, e da Avenida Calógeras até a Rua José Antônio.
As ruas Dom Aquino, Marechal Rondon e Barão do Rio Branco terão uma área um pouco maior, até a Rua Joaquim Nabuco, no antigo Terminal Rodoviário.
O Reviva Centro teve início há uma década, mas as obras começaram de fato a sair do papel apenas em 2018, com a revitalização da Rua 14 de Julho, que custou R$ 60 milhões e foi inaugurada em novembro de 2019.
CONSEQUÊNCIAS
Mesmo com uma proposta positiva de revitalização, a demora para a conclusão da obra ocasionou o fechamento do negócio de Thiago Braga, que, hoje em dia, encontra-se desempregado. O empresário era dono do estacionamento Green Park, na Rua Dom Aquino, mas a queda do movimento foi fatal para seu negócio.
“Quando começaram as obras do centro, no quarto mês eu comecei a sentir muito na pele, assim como todos os outros comerciantes, porque o movimento começou a cair. Os carros de aplicativo não queriam pegar corridas na região central por conta das obras, as pessoas começaram a evitar pelo congestionamento e sujeira”, destacou.
Como alternativa, o empreendedor contou que se desfez de imóveis e automóveis para conseguir manter seu estabelecimento e pagar contas. “Meu aluguel era muito alto, fui me desfazendo de bens para pagar contas e manter o estacionamento. Em dois anos, eu tive uma média de 300 mil de prejuízo”, salientou.
Thiago ainda contou à reportagem que, de acordo com um levantamento feito por comerciantes do centro e pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), cerca de 250 lojas fecharam suas portas.