O lado brasileiro da fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero está em alerta depois do atentado que teve como vítima o prefeito da cidade paraguaia, José Carlos Acevedo. O Departamento de Operações de Fronteira (DOF) intensificou rondas pela região da fronteira com o Paraguai.
De acordo com o comandante do DOF, coronel Wagner Ferreira da Silva, equipes da corporação estão fazendo policiamento ostensivo na região de Mato Grosso do Sul que faz fronteira com o Paraguai. A medida, segundo ele, é apenas preventiva.
“Estamos mantendo a segurança reforçada nessa faixa de fronteira, fazendo policiamento ostensivo de forma preventiva, com o intuito de manter a sensação de segurança para as pessoas que moram nessas localidades”, declarou Silva.
Perguntado se há probabilidade de que os autores do atentado contra o prefeito de Pedro Juan venham para o Brasil, o comandante afirmou apenas que ainda não há informações sobre isso e nem se o grupo tem envolvimento com quadrilhas brasileiras que atuam na fronteira com o Paraguai.
“Tudo ainda está sendo apurado, não temos essa informação ainda, mas estamos conversando com as autoridades paraguaias”, reforçou.
ATENTADO
José Carlos Acevedo foi baleado com sete tiros na frente da prefeitura de Pedro Juan Caballero. O crime ocorreu por volta das 16h30min de terça-feira (17). Câmeras de segurança da região registraram o momento em que um carro chegou próximo ao paço municipal e pessoas armadas desceram já disparando. O carro usado no crime foi abandonado a alguns quilômetros do crime e incendiado.
O político foi atingido por disparos em várias regiões do corpo, as mais graves eram as do pescoço e na mandíbula.
O estado do Acevedo, de acordo com um dos médicos que o acompanhava, David Peña, era grave até o fim da tarde de ontem. O quadro clínico do prefeito se complicou muito durante a tarde e, segundo o profissional ao ABC Color, apenas um milagre seria capaz de salvá-lo.
Entre o primeiro boletim da tarde e o segundo, muita coisa mudou. Enquanto no primeiro o médico afirmava que o paciente havia melhorado, no segundo, o profissional já afirmou que a vida do político estava se “desligando”.
Acevedo estava com falha múltipla dos órgãos e não deveria resistir, já que os medicamentos usados já não estavam mais fazendo efeito.
VIOLÊNCIA NA FRONTEIRA
A violência na faixa de fronteira entre o Brasil e o Paraguai no trecho de Mato Grosso do Sul aumentou nos últimos anos. Os crimes de execução ficaram mais comuns, principalmente depois que um dos grandes líderes do crime na região, Jorge Rafaat, foi morto, em 2016.
Segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal de Mato Grosso do Sul, Fabrício de Azevedo Carvalho, esses embates aumentaram porque as quadrilhas agora brigam por espaço na região e pelas melhores rotas para trazer droga do Paraguai para o Brasil.
“Ali [na fronteira], são várias organizações lutando pelas rotas, pelo domínio de território. Então, a forma que eles usam para chegar nisso é praticando esse tipo de crime, homicídio e [acontece de ferir inocentes], que chamamos de efeito colateral”, afirmou Carvalho em entrevista na semana passada.
Nos primeiros quatro meses deste ano, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), 31 pessoas foram assassinadas nas 12 cidades sul-mato-grossenses que fazem parte da região de fronteira com o Paraguai. Número semelhante ao apresentado entre 2020 e 2021, quando foram 34 vítimas.
Em relação ao ano passado, a região teve um aumento de 25,5% de homicídios dolosos em relação ao ano inteiro de 2020. Enquanto em 2021 foram registradas 108 mortes nos 12 meses do ano, no mesmo período do ano anterior foram 86 assassinatos.
No caso de Acevedo, ainda não se sabe ao certo a motivação do crime, porém, o senador paraguaio Blas Llano afirmou que deveria encaminhar um projeto de lei para instituir estado de exceção em Amambay, estado paraguaio onde está localizado Pedro Juan Caballero.
Em outubro do ano passado, a sobrinha de Acevedo, Haylee Carolina Acevedo Yunis, 21, filha do governador de Amambai, Ronald Acevedo, foi morta em um atentado.
A jovem saía de uma festa e estava em uma caminhonete branca, quando pistoleiros se aproximaram em outro veículo e atiraram contra o grupo que estava com ela. Além dela, outras três pessoas morreram.
SAIBA
Na tarde de terça-feira, outra execução ocorreu na região. Dois homens foram mortos a tiros. As vítimas eram paraguaios que estavam estacionados em frente a um mercado da região, quando o suspeito chegou de moto e efetuou os disparos contra o veículo em que eles estavam.