Cidades

PROJETO DE LEI

Dar imóvel como garantia em bancos pode trazer consequências horríveis, diz especialista

Mudanças na lei sobre penhora de imóveis está tramitando no Congresso Nacional

Ana Clara Santos

02/06/2022 - 18h20

A possível mudança da lei que autoriza bancos tomarem a casa de devedores de forma legal, tem lados positivos e negativos, de acordo com o que o advogado Leandro Provenzano explicou ao Correio do Estado. Conhecido como Marco Legal das Garantias em Empréstimos, o projeto traz diversas modificações sobre penhora em empréstimos e está em tramitação no Congresso. 

De acordo com o jurista, os bancos poderão se aproveitar dessa garantia maior para dar empréstimos com juros mais baratos, já que o risco de calote reduzirá muito. Por uma questão lógica, quem pedir o empréstimo terá receio de perder seu único bem e se verá forçado a  pagá-lo em dia. 

“Como os juros são calculados de acordo com o risco do crédito, ter uma garantia real como o imóvel trará uma redução da taxa de juros ao consumidor.”, explica Provenzano. 

Por outro lado, o advogado ainda pontua que o brasileiro, de forma geral, não sabe lidar com dinheiro, então, a lei pode trazer consequências horríveis para quem quiser pegar um empréstimo com juros mais baixos dando um imóvel como garantia, já que ele corre o risco de perder seu único bem. 

“Para a instituição financeira lhe conceder crédito aquele cidadão já estava numa situação financeira delicada - caso contrário não precisaria de um empréstimo - agora ele não vai ter sequer onde morar”, pontua o jurista. 

O advogado ainda orienta que para evitar colocar o imóvel em risco, é importante que se evite essa modalidade de garantia de pagamento, já que uma vez que o imóvel é retirado do dono, ele terá apenas até o dia do leilão para revê-lo mediante o pagamento da dívida. 

Mas, caso se opte por esse modo de garantia basta que isso conste no contrato, sendo que o banco ainda poderá registrar o contrato na matrícula do imóvel para que terceiros também possam dar o bem como garantia. 

O assunto não é novidade, uma vez que a jurisprudência já estava relativizando a proibição de penhora de bem de família em diversos casos. 

O imóvel já é dado em garantia quando tem alto valor ou quando os recursos obtidos por meio do empréstimo é usado em proveito da família. Também há casos em que o proprietário assina um documento dando seu imóvel como garantia. 

Nesse último caso, os magistrados já estavam autorizando a penhora dos bens de família, independente do marco legal.

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