Tradicional em Campo Grande, a entrega dos bolos de Santo Antonio teve 7.500 potes confeccionados e 500 alianças distribuídas entre eles, entretanto, para os participantes da celebração do padroeiro da Capital a fé e tradição foi o que falou mais alto na hora de colaborar com o evento na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Abadia.
Estudante, Keila Carolina dos Santos, 20, participa da festividade pela segunda vez, sendo as duas no formato do bolo de pote.
"É mais fácil para poder pegar, mas eu acho mais legal o corte do bolo, que nem era antes", comenta.
Com quatro potes, que iriam para ela, sua mãe e outras duas amigas, ela completa que o bolo já virou tradição e fez questão de garantir seus pedaços antecipadamente.
"Eu comprei no primeiro dia que saiu nas matérias que já estava vendendo aqui. É a tradição mesmo, não é nem por achar aliança e sim poder colaborar comprando também", diz.
Coordenadora geral do evento, Letícia Alves explica que dos 7.500 pedaços, cerca de 2000 foram disponibilizados previamente, durante o Arraial na Praça do Rádio e que, se até 13h todos os bolos vendidos não forem entregues, de noite ainda haverá a chance de conseguir uma porção.
"Se sobrar, nós vamos vender nas barraquinha lá na praça do rádio, à noite, a partir das 18:00. Então pode ser retirado lá", ressalta.
Bruna Medeiros ficou responsável por coordenar a montagem e garantiu que, durante uma semana de preparação, tudo foi feito com muito amor e carinho.
"Foram mais de 100 pessoas envolvidas em 3 turnos, das 7 da manhã até às 10 da noite", destacou.
Ela aponta que há quatro anos participa do tradicional bolo de Santo Antônio e comenta o novo formato, adotado há três anos.
"Por causa da pandemia, passamos a fazer o bolo de pote. Antes, ele era o bolo de metro e aí eram cortados os pedaços na hora. Por conta da pandemia passamos a fazer assim, pela segurança mesmo", pontua.
Segundo a coordenadora toda a organização se deu de forma tranquila e produtiva, sendo que nessa ocasião, o que vale é a fé da pessoa.
"hoje é dia 13, dia do nosso padroeiro Santo Antônio e ele é um Santo intercessor muito forte. E eu falo assim, que o que leva a gente, o que move, é muito essa fé, essa questão de acreditar que tudo vai dar certo, que tudo vai melhorar. Com fé em Deus, vai dar tudo certo", complementa.
Uns com tantos, outros com tão pouco
Na manhã desta segunda-feira (13) houve quem garantiu bolo para toda a família, mas também aqueles que saíram do local sem nem sequer um pedaço, como é o caso da dona Maria dos Santos.
"É frustrante, porque a gente vem de longe, anuncia, chega aqui e falam que já vendeu tudo", expõe.
Conforme a devota, ficar sem um bolo em dia de Santo Antonio é algo que nunca tinha acontecido.
"Todo ano eu compro e não é todo mundo que pode estar aqui de madrugada... e chegar e não ter mais, então não faça".
Ainda, ela frisa que sempre deixava para garantir seu pedaço no dia da entrega.
"Sempre comprei na hora, há muitos anos, esse é o primeiro que está acontecendo isso comigo. Eu tô muito triste, porque a gente tá acostumada e é uma coisa alegre, gostoso vir aqui. E hoje quase não tem ninguém aqui, quando eu vinha isso aqui tava lotado de barraquinha, de gente animada... hoje tá como, tá meio povo pouco, não vejo ninguém nem pegando e chega aqui não achar nada. Então faça um bolo maior, pra não frustrar as pessoas", pontua.
Diferente dela, a arquiteta Mirella Souza saiu da ocasião com 29 bolos. Ela revela que sempre participa da ação como voluntária, e também adquirindo seus pedaços e, sobre o novo formato, comenta que o terceiro ano de drive-thru segue aprovado.
"Pela praticidade. Porque você chega ali, entrega, não fica naquele de 'quero que coloca na vasilha; na sacola; quero comer agora', então ali o potinho você só entrega e já vai embora", afirma.
Garantindo pedaços para amigos, vizinhos e toda a família, ela conta que sua comunhão com a comunidade e a festividade são o que valem, junto do ponto que une a todos.
"A fé. É um trabalho que mesmo quando eu saía do meu serviço, que eu vinha ajudar como funcionários eram. Não era um trabalho, era um descanso diferente. Eu vinha, no horário de 18h às 22h, trabalhei e foi gratificante. É em forma de gratidão", finaliza ela.