Cidades

ÔNIBUS

Com novo subsídio do governo de MS, prejuízo do transporte reduz quase 50%

Estado concordou em pagar valor referente aos seus estudantes para que prefeitura aumente repasse a empresas

O governo do Estado concordou com pedido feito pela Prefeitura de Campo Grande e vai subsidiar o valor do passe do estudante referente aos alunos da Rede Estadual de Ensino (REE).

 Isso significa que, por mês, além do repasse que o município faz de R$ 881.867,39, devem ser acrescidos mais R$ 981.073,40 (conforme dados do Consórcio Guaicurus) para o grupo de empresas responsável pelo transporte coletivo e urbano da Capital. Somado, o valor representaria quase 50% do total do rombo que as empresas do setor alegam ter por causa das gratuidades.

Dados que o Consórcio Guaicurus enviou à reportagem mostram que, hoje, as gratuidades representam um total de R$ 4.234.448,45 por mês que deixam de entrar para as empresas. 

Isso porque esse valor faz parte do cálculo da passagem do ônibus, mas como o valor da tarifa técnica não tem sido colocado em prática, por ser muito elevado, as empresas alegam que há esse prejuízo.

Ao todo, o subsídio do Estado e do município somariam R$ 1.862.940,79, levando em consideração a quantidade de passageiros que utilizaram essas gratuidades em maio deste ano. Isso significa que 43,9% do solicitado será pago às empresas.

O diretor-executivo do Consórcio Guaicurus, Robson Luis Strengari, afirmou ao Correio do Estado que o valor ajuda as empresas, entretanto, salientou que não resolve totalmente o problema.

“Se isso [subsídio do governo] se confirmar é mais uma ajuda. Como a gente já disse, não queremos aumento, o passageiro já está penalizado, mas quem emite ordem de serviço é o município e isso tem um custo. Ajudar com mais R$ 1 milhão ainda vão faltar R$ 2 milhões, mas temos fé de que a prefeita tenha visto com carinho nossa situação e encontrado alguma saída”, afirmou Strengari.

Segundo ele, o valor de R$ 1,8 milhão seria referente apenas à diferença de valor pago hoje no óleo diesel em relação ao início do ano.

O aporte do governo do Estado, no entanto, está atrelado a um compromisso das empresas de que não haveria a exigência de novo aumento da passagem de ônibus, até o fim deste ano.

 Perguntado sobre isso, o diretor-executivo afirmou que “infelizmente” esse valor não cobre o prejuízo das empresas, mas não quis afirmou se eles aceitariam essa condição ou não.

“Prematuro [falar sobre isso], tem de ver o que vem por aí”, declarou Strengari. O executivo ainda disse que, até o fim da tarde, não havia sido convocado para nenhuma reunião com a Prefeitura de Campo Grande para tratar sobre o assunto.

O problema do transporte público foi escancarado na semana passada, quando funcionários fizeram uma paralisação de um dia e o serviço não funcionou. 

A greve foi decretada porque o Consórcio não havia depositado o adiantamento salarial, que deveria ter caído na conta dos motoristas no dia 20 de junho. Após conciliação, os funcionários voltaram às atividades e ontem foi feito o pagamento desse valor.

Ainda sobre essa situação, o Consórcio Guaicurus chegou a dizer na segunda-feira que, apesar de pagar o vale, não teria recursos para fazer o depósito do salário dos funcionários, no dia 5 de julho.

REUNIÃO

Por causa do impasse, a prefeitura chegou a marcar por duas vezes uma reunião com representantes das empresas de ônibus, na sexta-feira (24) e na segunda, mas desmarcou nas duas oportunidades.

Ontem, uma semana após a greve, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (Patriota), e o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, reuniram-se e fecharam um acordo para aumentar o subsídio que já é pago hoje pela prefeitura.

“Nós concluímos um entendimento jurídico da procuradoria, é possível [fazer o subsídio], mas eu também preciso ter a segurança de que o Consórcio [Guaicurus] esteja de acordo. Estando de acordo, entre amanhã [quarta-feira] e quinta-feira deveremos assinar um convênio que possa fazer a transferência financeira do Estado ao município de Campo Grande, e ele vai subsidiar uma parte maior da tarifa e evitar que tenha aumento e que possa ter novas paralisações”, afirmou o governador na tarde de ontem.

O Estado aceitou fazer o pagamento pelos alunos da REE, no entanto Reinaldo salientou que isso depende exclusivamente de que a tarifa permaneça a R$ 4,40. “Não queremos que o usuário regular pague mais do que está pagando hoje”, afirmou Azambuja.

“Nós criamos aqui uma solução que possa ajudar a congelar a tarifa nos patamares atuais e que tenha a manutenção das gratuidades aos alunos”, completou o governador.

O valor será transferido para a prefeitura, que por sua vez encaminhará a quantia para o Consórcio Guaicurus em forma de subsídio. Hoje, a administração municipal está autorizada a enviar até R$ 1 milhão por mês como forma de compensação financeira às empresas. A manobra foi aprovada pela Câmara Municipal em fevereiro deste ano, após ameaça de paralisação dos motoristas de ônibus.

A prefeita afirmou que hoje deverá haver, enfim, a reunião com as empresas para propor o acordo fechado com o governo. No entanto, ao ser perguntada sobre os outros 50% do valor que o Consórcio Guaicurus alega ter de prejuízo, Adriane disse que essa seria uma “questão referente à gestão do Consórcio”.

“Essa crise não acontece de hoje, já vem de alguns anos. Nós estamos na gestão de abril para cá. Nós estamos cumprindo, estamos em dia daquilo que foi pactuado em fevereiro e agora buscamos essa parceria com o governador”, continuou.

Ao ser questionada sobre a possibilidade de rompimento do contrato, no entanto, a prefeita foi taxativa ao afirmar que esta não é uma opção estudada no momento.

A gente tem uma possibilidade [de romper o contrato] diante da queda, mas hoje nós estamos buscando uma solução. Diante da crise que estamos passando, romper um contrato de um serviço essencial, imagina para a gente chegar a um acordo e fazer uma licitação, quanto tempo levaria? E o prejuízo que as pessoas teriam? São 120 mil pessoas que utilizam hoje o transporte coletivo em Campo Grande”, declarou.

R$ 1,8 milhão por mês

Subsídio das empresas de transporte coletivo de Campo Grande pode saltar para R$ 1,8 milhão por mês com incremento destinado pelo governo do Estado.

Oportunidade de Emprego

Prefeitura abre seleção sem prova com salário de R$ 2,5 mil em Campo Grande

Inscrições gratuitas começam na segunda-feira (9); seleção exige formação em Magistério ou Normal Médio e será feita por análise de títulos.

06/11/2026 19h32

Prefeitura de Campo Grande abre processo seletivo com salário de R$ 2,5 mil e inscrições gratuitas a partir de segunda-feira (9).

Prefeitura de Campo Grande abre processo seletivo com salário de R$ 2,5 mil e inscrições gratuitas a partir de segunda-feira (9). Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande

Continue Lendo...

Previdência Social

INSS muda auxílio-doença e dá 10 dias para nova análise em MS

Nova regra já está em vigor e permite que segurados que tiveram o benefício negado pela análise de documentos apresentem novos laudos antes de recorrer

06/11/2026 18h31

Segurados aguardam atendimento em setor de perícia médica do INSS; novas regras permitem pedir reanálise do auxílio-doença negado em até dez dias.

Segurados aguardam atendimento em setor de perícia médica do INSS; novas regras permitem pedir reanálise do auxílio-doença negado em até dez dias. Foto: Agência Brasil

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).