Sendo a necrose de uma parte do músculo do coração - por falta de irrigação sanguínea - o infarto do miocárdio passa a ter um programa de prevenção no âmbito da Capital, instituído no última dia 04, conforme publicado no Diário Oficial de Campo Grande.
Pela lei n. 6.903, conforme texto do Diário, o programa abordará:
- I - readequação do “Disque Samu 192” para inclusão do referido serviço;
- II - ampla divulgação da implantação do serviço e dos sintomas em sites oficiais do município;
- III - qualificação dos profissionais de atendimento para uma rápida identificação dos sintomas;
- IV - orientação dos primeiros socorros por telefone;
- V - direcionamento do paciente para um hospital de referência, o mais rápido possível;
- VI - notificação do hospital de destino;
- VII - solicitação para que o acompanhante seja, preferencialmente, quem tenha presenciado o início dos sintomas
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) regional de Campo Grande já segue as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio para atender estes casos.
"De forma prática, o atendimento não será alterado com a instituição do programa, no entanto abre-se a possibilidade da discussão e implementação de protocolos que possam ser mais efetivos considerando a realidade do Município", apontou a Secretaria ao Correio do Estado.
Ainda, de acordo com a pasta, há 4 anos a Central de Regulação do SAMU teve uma readequação estrutural e de fluxo de trabalho.
Por sua vez, isso resultou numa melhor qualidade na assistência à população.
"Desde então, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) também tem investido na formação e capacitação de seus servidores a fim de melhorar o tempo resposta e a efetividade do serviço", destaca a Sesau.
Vale ressaltar que, através do programa, também será possível ampliar as capacitações dos servidores, dando ênfase em casos e protocolos específicos
"Através dos atendimentos e acompanhamento de rotina que são realizados pela Atenção Primária tem se buscado prevenir ou minimizar as ocorrências de infarto. O paciente propenso a tal condição deve ser precocemente identificado e devidamente acompanhado pela unidade básica e de saúde da família", finaliza a Sesau.
Fatores preponderantes
Em conversa com o cardiologista da Unimed Campo Grande, Dr. Délcio Gonçalves da Silva Junior, o médico aponta que vários fatores - que passam por hábitos pessoais até o convivívio social - podem levar ao infarto.
"Especialmente hipertensão arterial, diabete, níveis altos de colesterol, tabagismo. Além disso, estresse emocional, depressão, sedentarismo, obesidade e até níveis elevados de poluição podem contribuir", afirma.
Entre os sintomas mais comuns de quem está tendo um infarto vale citar a clássica dor no peito, que varia de intensidade mais pode durar até 30 minutos, mas além deste podem ser citados:
- Ardor no peito, muitas vezes confundido com azia, que pode ocorrer associado ou não à ingestão de alimentos;
- Dor no peito que se irradia pela mandíbula e/ou pelos ombros ou braços (mais frequentemente do lado esquerdo do corpo);
- Ocorrência de suor, falta de ar, náuseas, vômito, tontura e desfalecimento;
- Ansiedade, agitação e sensação de morte iminente.
Sobre a prevenção, Dr. Délcio ressalta que, buscar uma vida "mais saudável possível" é um caminho para controlar esses fatores de risco citados.
"Fazer avaliações médicas periódicas podem ajudar nisso, e procure atendimento médico em caso de sintomas de infarto que podem ser apenas falta de ar súbita ou desmaio, mas classicamente se manifesta com dor no tórax, mandíbula ou braços".
Importante frisar que, conforme apuração do portal Drauzio Varella, um terço das pessoas - composto por mulheres, idosos, negros e pessoas com diabetes ou insuficiência cardíaca - não sente a típica dor de infarto.
Socorro à vítima
Como bem aponta o Dr. Délcio Gonçalves da Silva Junior, vizinhos, amigos e familiares devem acionar o serviço médico de emergência, caso se deparem com alguém sofrendo infarto, ou, se possível, até mesmo levar o paciente ao hospital.
Isso é importante porque a pessoa que suspeita ser vítima de um infarto deve evitar andar ou carregar peso mesmo que a dor seja mínima, e não deve dirigir automóvel nessa ocasião.
Caso o paciente conseguir engolir sem dificuldade, mastigar dois comprimidos de aspirina (ácido acetilsalicílico) imediatamente pode ser uma medida de segurança, já que eles ajudam a dissolver coágulos que podem ser causadores da obstrução. Mas essa pessoa não deve comer ou beber mais nada.
Segundo o médico cardiologista o paciente não deve fazer qualquer coisa que retarde a procura por um atendimento de urgência.
"O maior inimigo do infarto é o tempo perdido. A cada minuto de infarto morrem células do coração que pode levar à insuficiência cardíaca ou óbito. Quanto mais rápido o atendimento, maiores as chances de sobrevida e dano cardíaco", finaliza o Dr. Délcio Gonçalves da Silva Junior.