O estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica ainda um grande desequilíbrio social evolvendo as populações branca, mais rica e com acesso a melhores postos de trabalho, e as pessoas pretas e pardas, que têm menor renda, mora em casas menores, e ainda são os maiores dentre os desempregados ou que vivem na economia informal no Estado de Mato Grosso do Sul.
Renda menor
No que diz respeito ao rendimento médio da população de Mato Grosso do Sul, em 2021 o valor foi de R$ 2,46 mil para todos os moradores.
Entre a população branca, porém, o rendimento médio foi maior: R$ 3,04 mil por mês, e já entre os pretos e pardos, o rendimento foi de R$ 2,02 mil, mais de R$ 1 mil a menos.
O mesmo estudo mostra que a desigualdade de rendimento entre estes dois segmentos da população sul-mato-grossense aumentou ao longo da última década: em 2012, percentualmente, a diferença era menor (28,75%), tendo sido registrados, respetivamente R$ 2,4 mil de renda média da população, sendo que R$ 2,8 mil para a população branca e R$ 2 mil para a população preta ou parda.
O rendimento dos que trabalham informalmente também é menor: quem trabalha formalmente tem uma renda média mensal de R$ 2,9 mil, já quem está na informalidade, de R$ 1,6 mil.
Ocupação
Mas não é apenas no quesito renda que os pretos e pardos aparecem em uma situação mais desfavoráveis que os brancos.
No que se refere à taxa de desocupação, que são o percentual de pessoas em busca de trabalho, no ano de 2021, os dados do IBGE indicaram que, dentre a população branca, este índice foi de 6,8%.
Já entre a população preta a taxa ficou em 13,4%, tendo sido registrado 11,2% a população parda. Em 2020, os valores eram mais próximos. 8,3% para pessoas brancas, 11,7 para pretas e 10,1 para pardas. Já em 2012, estes números eram 5,5%, 6,6% e 6,8% respectivamente.
No que diz respeito à formalidade da ocupação, a maioria dos que conseguem este tipo de trabalho regular são pessoas brancas. Em 2021, 65,9% das pessoas brancas ocupadas estavam formais. Já na população preta, este número era de 60,2% e entre os pardos foram registrados 57,8%.
Habitação
Ainda conforme o levantamento do IBGE, as pessoas pretas e pardas vivem em moradias menores e mais irregulares.
No Estado, em 2019, 64,4% da população branca residia em domicílios próprios, proporção que era de 62,7% para a população parda e de 59,2% para a população preta. Quando considerados população preta e parda juntos, o percentual é de 62,4% com moradia própria – 4º menor percentual do país.
Em uma série de outras características relacionadas à moradia, porém, existem desigualdades mais significativas por cor ou raça.
Entre a população residente em domicílios próprios, 11,1% das pessoas pardas e 15,7% das pessoas pretas residiam em domicílios sem documentação da propriedade, enquanto a proporção encontrada entre as pessoas brancas era cerca de 8,6%.
Pretos e pardos enfrentam, portanto, uma situação de maior insegurança de posse e de informalidade da moradia própria.
Ainda conforme a pesquisa, os domicílios próprios da população preta ou parda tinham cerca de um cômodo a menos que o verificado em relação à população branca.
Em média, os domicílios sul-mato-grossenses próprios com pessoa responsável de cor ou raça branca tinham 6,6 cômodos, número que era de 5,6 para as pessoas de cor ou raça preta e 5,7 para as pessoas cor ou raça parda. Ou seja, pessoas de cor branca tinham moradias com um cômodo a mais que pessoas pretas ou pardas.
Em resumo, a PNAD Contínua mostra que os imóveis próprios da população preta ou parda eram em geral menores, apresentavam pior inserção na infraestrutura urbana e possuíam maior proporção de informalidade em relação à documentação que os imóveis próprios da população branca.
Mais ricos e mais pobres
Entre os 10% da população de Mato Grosso do Sul com menor rendimento, os pretos e pardo são maioria, já no corte inverso, entre os 10% com maior rendimento, os brancos são maioria.
Em 2021, entre os 10% da população de MS que recebiam os piores rendimentos, 62,7% eram pretos ou pardos.
Já os brancos eram 35,9%. Porém, entre os 10% com os maiores rendimentos dentro do estado, pretos e pardos eram 33,7%. Brancos eram 64,7%.
Em 2020, os números eram, respectivamente, 62,9%, 35,5%, 30,9% e 64,7%. Em 2012, os valores registrados foram: 62,5%, 33,2%, 30% e 66,8%.