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Centro é a região mais perigosa de Campo Grande, aponta levantamento

Em novembro, foram 80 boletins de ocorrência de furto na localidade, enquanto os outros bairros têm menos de 20 casos

Cauê Reis

12/12/2022 - 09h30

De acordo com levantamento realizado pelo Correio do Estado, com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o Centro é o bairro mais perigoso da Capital. Enquanto em outros locais o índice de boletins de ocorrência de furtos fica abaixo de 20 registros, na região central ele chega a 80 casos. 

O Centro também tem mais ocorrências de roubos e homicídios do que os outros bairros de Campo Grande. Enquanto o Centro registrou 16 boletins de roubo, o segundo bairro com mais notificações é o Amambaí, com 6 boletins. 

Em relação aos furtos, o segundo bairro com maiores notificações do crime também é o Amambaí, com 18 boletins de ocorrência, seguido por Tiradentes, com 13, e Taveirópolis, com 9 registros de furto. 

No quadrilátero central do comércio, lojistas divergem a respeito da segurança. Daiane Sampaio trabalha em uma lanchonete que fecha mais tarde que o horário comercial normal, por causa do serviço de delivery, e já teve uma colega assaltada ao sair do trabalho. 

“Mesmo tendo câmera e tudo mais, é arriscado. Às vezes passa uma viatura, mas não tem segurança aqui na região. Vai acabar que, com o tempo, não vamos ficar até mais tarde, e isso prejudica, porque um dos melhores movimentos nosso é à noite”, relatou Daiane. 

Já Marcos Salomão é ambulante e trabalha diretamente com dinheiro. “Falta muita segurança. Às vezes, você vê [policial], mas, na hora em que você precisa, não tem”, diz o trabalhador, que prefere encerrar as atividades às 16h durante a semana, para se prevenir. 

Entretanto, funcionários de lojas que saem no horário comercial convencional afirmam ter segurança no local. Roberta Vendramini é cabelereira e reclama apenas da divisão de pontos de panfletagem. 

“Teve panfleteiro que correu atrás de parceiros meus com faca, ameaçando. Eu acho que deveria ter mais policiamento aqui na esquina, mas de noite aqui é tranquilo, é mais briga de panfleteiro com panfleteiro”, afirmou. 

A vendedora Keyla Gonçalves afirma que vê seguranças no horário de saída, mas não tem coragem de ir ao trabalho de moto, pois tem receio de ser roubada. 

“Eu venho de ônibus porque eu não quero deixar ela [moto] em frente à loja, pois eu tenho medo de alguém roubar. Até com cadeado: você coloca e quando sai não tem mais. Eu tenho amigos que já perderam”, informa a vendedora. 

O especialista em segurança Edgar Marcon aponta como problemas para a segurança na área central,a falta de políticas públicas em áreas como saúde e educação e penas ínfimas para esses tipos de crimes.

“Pessoas desocupadas que perambulam diuturnamente em busca de alimentação e drogas e, sem fonte de renda, encontram no furto a saída para uma subsistência mínima”, comenta o especialista. 

Para Marcon, aumentar o número de rondas não seria suficiente para intimidar as ações. “Não tem como fazer ronda a noite toda, precisaria um número absurdo de policiais ou câmeras para cobrir a área”, finaliza. O Centro, por outro lado, é o bairro mais monitorado da Capital. 

Para o comandante do 1º Batalhão, tenente-coronel Avelar, que atende a região central, a maior parte das ocorrências são registradas na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro (Depac-Centro), e isso acaba contabilizando as ocorrências no bairro. 

Avelar informa que os crimes de furto, que são os mais comuns no bairro, são solucionados quase imediatamente. 

“Na verdade, o trabalho tem surtido resultados positivos quando os crimes ocorrem na área central. Nossas viaturas estão diuturnamente realizando rondas e abordagens”, explica o comandante. 

No levantamento feito pelo Correio do Estado, há registros de boletins sem a localização informada – sendo 5 furtos e 5 roubos sem o bairro registrado – e em terminais ou ônibus –1 roubo e 6 furtos. 

FIM DE ANO 

Com a chegada das festividades de Natal e Ano-Novo, a Prefeitura de Campo Grande intensificou a segurança na região comercial do centro. A Operação Boas Festas começou na segunda-feira (5) e vai até o dia 9 de janeiro. Lojistas já notam a diferença no dia a dia. 

“Sempre vi segurança, mas não tanto quanto tem agora. Aumentou este mês”, comenta Keyla Gonçalves. 

Ao todo, cinco mil policiais reforçarão a segurança das cidades do interior e da Capital, sendo 200 agentes para Campo Grande, atuando em todas as regiões da cidade.


 

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