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Novo presidente suspende repasse à Dataeasy e promete auditoria no TCE

Jerson Domingos disse que não vai renovar contrato com empresa foco do esquema de corrupção na Corte e, ainda, que vai contratar auditoria da FGV na instituição

Cauê Reis

12/12/2022 - 09h00

O presidente interino do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), Jerson Domingos, informou ao Correio do Estado que suspendeu o pagamento à empresa Dataeasy Consultoria e Informática Ltda., investigada pela Polícia Federal por envolvimento em escândalo de corrupção com os conselheiros Iran Coelho das Neves, Waldir Neves e Ronaldo Chadid. 

A empresa é tida pela Polícia Federal como o principal foco de corrupção no TCE-MS, no contexto da Operação Terceirização de Ouro.

O nome da operação, diga-se de passagem, faz alusão ao polpudo contrato da Dataeasy com o Tribunal, a partir do qual eram empregados parentes e conhecidos dos conselheiros, além de feitos saques milionários pela empresa. 

Por causa do envolvimento em supostas fraudes no processo de licitação, que garantem a empresa como uma das principais fornecedoras de informática e serviços do TCE-MS (apesar de executar, em muitas situações, os mesmos serviços já realizados por servidores ou outras empresas especializadas), o presidente do Tribunal, Iran Coelho das Neves, Waldir Neves e Ronaldo Chadid foram afastados do cargo pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e ainda terão de usar tornozeleira eletrônica pelos próximos seis meses. 

O uso da tornozeleira eletrônica e a obrigação de manter distância do Tribunal de Contas de MS para os três conselheiros foram as medidas encontradas pelo ministro do STJ para negar o pedido da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), que pediram a prisão preventiva dos três e, ainda, da chefe de gabinete de Chadid, Thais Xavier da Costa. 

Em trecho da decisão, o ministro do STJ Francisco Falcão diz para que detalhes e documentos das investigações que implicaram os conselheiros sejam compartilhados “com o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), para que este adote as medidas judiciais cíveis cabíveis, tais como a propositura de ação civil para a anulação e a suspensão do contrato entre o TCE-MS e a Dataeasy, a propositura de ações de improbidade, ressarcimento e outras que se entender cabíveis”.

Ou seja, além das investigações contra os conselheiros, o MPMS deve pedir que eles devolvam o que teriam recebido como propina para fraudar processos licitatórios.

Pelas investigações do MPF, os conselheiros teriam praticado crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitações, fraude na execução de contratos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

AUDITORIA

O contrato da DataEasy, de aproximadamente R$ 30 milhões por ano, com o TCE-MS vence no dia 24 de janeiro de 2023. Jerson Domingos já sinalizou o seu desejo de não renovar o contrato, tanto é que mandou suspender o processo aberto pelo presidente afastado Iran Coelho das Neves para manter a contratação da Dataeasy.

Domingos anunciou, ainda, a contratação da Fundação Getúlio Vargas para promover auditoria nos contratos do TCE-MS. Hoje ele terá uma reunião com os representantes da FGV para tratar da auditoria. 

“Precisamos saber onde está errado para ser feita a devida correção”, afirmou Domingos. Ele disse, ainda, que pretende promover mudanças na estrutura da administração depois de conhecer o resultado da auditoria da FGV.

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