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Hospitais reagem a projeto de marido da prefeita: "problema é volume de pacientes, e não macas"

"Quem propôs esse projeto se esquece que em cima da maca tem uma pessoa precisando de atendimento", diz diretor da Santa Casa, sobre PL de Lídio Lopes

Eduardo Miranda

17/02/2023 - 20h00

O projeto de lei do deputado estadual Lídio Lopes (Patriota) que tem o objetivo de proibir o que ele chama de “retenção de macas” das ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros pela Santa Casa, já provoca reações. 

Para José Roberto de Souza, diretor técnico da Santa Casa, o maior hospital de Campo Grande, e o que mais atende urgência e emergência na cidade trata-se de buscar uma solução muito fácil para um problema que para ele é “bem mais complexo”. 

“Nosso problema da rede de urgência e emergência nunca foi maca, é o número de pacientes”, afirma. “Quem propôs esse projeto se esquece que em cima da maca tem uma pessoa precisando de ajuda, de atendimento”, afirma.

Lídio Lopes é marido da atual prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (Patriota) e, recentemente, a saúde do município tem enfrentado problemas de superlotação das unidades de urgência e emergência, mesmo com a pandemia de Covid-19 controlada há mais de 1 ano pela vacinação. 

O projeto de Lídio Lopes prevê, entre outras coisas, punição com multa de até 100 Uferms (R$ 4.735,00) para o diretor do hospital que ficar com a maca (que acaba virando um leito improvisado no corredor, devido a falta de leitos na urgência e emergência) do Samu ou do bombeiros retida.

“O número de casos que term entrado no hospital sem a nossa validação, sem o nosso ok, aumentou muito. Nenhum dos hospitais que são da rede de urgência e emergência tem dado conta da demanda”, acrescenta o diretor da Santa Casa. 

“Às vezes temos de atender de quatro a cinco intercorrências simultâneas. Nossa área vermelha permanece em superlotação contínua”, acrescentou José Roberto. “Não podemos simplesmente devolver a maca, e ficar com o paciente aonde enquanto o bombeiro e o Samu vai embura buscar outro?”, questiona.

Outros médicos que atuam na urgência e emergência, mas que preferiram manter o anonimato, afirmaram que a iniciativa de Lídio Lopes é uma forma de transformar os hospitais em depósitos de pacientes, e não em um local em que eles realmente são tratados. 

Nos próximos meses, o Hospital Universitário deve deixar a rede de urgência e emergência de Campo Grande, da qual fazem parte a Santa Casa, Hospital Regional e unidades de pronto atendimento. A decisão deve sobrecarregar ainda mais o sistema. 

Uma das alternativas sugeridas pelos médicos seria a abertura de mais leitos de unidades de tratamento intensivo (UTI) e contratação de leitos na rede privada. Ainda não há uma sinalização do município a este respeito, apenas a proposta do marido da prefeita, que está tramitando na Assembleia Legislativa.

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