Na madrugada desta sexta-feira (3), famílias das etnias Guarani e Kaiowa ocuparam uma fazenda no território Laranjeira Nhanderu, localizado no município de Rio Brilhante, distante cerca de 160 km de Campo Grande. A área está sebreposta sobreposta sobre a Fazenda Inho.
Segundo a liderança Guyra Arandú, o objetivo da retomada “é acabar com as muitas décadas de dureza, fome, violência, racismo, veneno, intoxicação, confinamento, ameaças e trapaças dos fazendeiros, para poder garantir a Constituição Federal".
Conforme o Cimi, lideranças da comunidade relatam que, pela manhã, policiais militares chegaram ao local e ameaçaram despejar os indígenas, mesmo sem ordem judicial.
Na avaliação do assessor jurídico do Conselho Indigenista Missionário, Anderson Santos, além de ilegal, esta ação tem potencial de causar uma grave situação de violência contra os indígenas.
“Os indígenas levantaram barracos de lona e se estabeleceram no local. Ocorre que a Polícia Militar já está no local ameaçando despejá-los sem ordem judicial. No último episódio que ocorreu, o indígena Vitor Fernandes foi assassinado e dezenas de pessoas foram feridas na retomada Guapoy, em Amambai, em junho de 2022”, avalia o assessor.
“A comunidade pede apoio da sociedade e das entidades de defesa dos direitos humanos”, relata o advogado.
Em junho do ano passado, indígenas e Policia Militar protagonizaram o que os povos classificaram como “Massacre de Guapoy”, ocorrido em junho de 2022. Na ocasião, o indígena Vitor Fernandes, foi vítimado.
Segundo o relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil (CIMI 2017), só em 2016 ocorreram 118 mortes entre a população indígena. Destes, 47% estavam em Mato Grosso do Sul.
Ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Cimi estendeu solidariedade à comunidade Kaiowá e Guarani do tekoha Guapo’y, além dos familiares da vítima.
O Correio do Estado entrou em contato com a Policia Militar e com o prefeito municipal, Lucas Foroni, entretanto não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.