Cidades

"EMPACADO"

Moradores e Prefeitura tapam "buraco assassino" em obra paralisada há um ano e meio

Motociclista trafegava pela Gunter Hans e tentou desviar de buraco da via antes de morrer atropelado, em trecho que tinha previsão de estar recapeado

Após a morte do jovem Ryan Oliveira, de 17, atropelado após o Trevo Imbirussu, na Avenida Gunter Hans, no início da noite de quarta-feira (12), na manhã de hoje (13), tanto moradores quanto a próprio Prefeitura Municipal se mobilizaram para tapar os buracos da região, que dificultam ainda mais o trecho em obras. 

Tendo em vista que Ryan precisou desviar de um buraco da via antes do acidente fatal, vale ressaltar que -paralisadas há cerca de um ano e meio - as obras da Av. Gunter Hans previam, com o chamado "Corredor Sudoeste", a drenagem e recapeamento do trecho. 

Capacete estraçalhado e marcas do acidente ainda eram vistas na manhã de hoje (13). Foto: MV

Ainda que moradores apontem que, a tentativa de desviar do buraco teria sido o "estopim", conforme a prefeitura na manhã desta quinta-feira (13), diante do acidente fatal provocado na via em obras, "não existem elementos suficientes sobre as causas do acidente". 

"A gente atravessa esse troço aqui direto. Esse negócio inacabado da prefeitura aí, como a pista ficou estreita, devido a isso aí, cara, aconteceu um acidente, o guri foi desviar do buraco, bateu no muro, a carreta passou e pegou ele", comentou Osmar Soares Pinto. 

Aos 60 anos, morador da região, ele e o companheiro de bairro usavam terra do próprio empreendimento paralisado para tapar o "buraco assassino" que ceifou a vida de Ryan. 

"Aqui para trás também está cheio de buracos, o pessoal pegou resto de mármore e tampou um monte, porque se ficar dependendo 'desse povo' [poder público] é difícil", confessa ele. 

Bastião Balbueno, de 61 anos, era o parceiro de "tapa buraco" que tentava remediar a situação com a terra vermelha do acostamento. Ele frisa que, vias de maior movimento deveriam ser o foco principal, diante de outros estragos menores. 

"Deveria ter uma lei, que eles [prefeita e vereadores] andassem nas principais avenidas olhando os buracos. As outras, que são secundárias, tampa quando der, já que tem essas que são mais de urgência", complementou. 

Corredor parado

Com apenas cinco paradas menores entre os terminais Bandeirantes e Aero Rancho, os embarques rápidos devem ser reduzidos para quatro estações, que já acumulam sua segunda paralisação desde 2017. 

Corredor ônibus / Av. Gunter HansTrecho com cinco pontos, será reduzido para quatro paradas entre os terminais. Foto: MV

Num trajeto de cerca de sete minutos, entre um terminal e outro, há a distância de 3,8 km. Essa deveria ser a última etapa da implantação do chamado "Corredor Exclusivo Sudoeste", que no total somam pouco mais de 12 quilômetro de extensão.  

"Só que anotei ali, vai fazer dois anos em outubro. Quando estavam parando e jogaram um resto de massa eu registrei, já fez um ano. A Prefeitura, os vereadores, só ficam sentados e não fazem nada", revela Bastião.

Ainda em 2020 as obras - que tiveram o início pelas mãos do Exército Brasileiro - foram relicitadas, sendo vencida pela Engepar, pelo valor de R$ 12,5 mi para implantar o corredor de ônibus. 

Toda essa execução está prevista dentro do programa Mobilidade Grandes Cidades - PAC 2, planejado desde 2011, sendo que o Plano de Corredores exclusivos iniciou-se em 2012, com empréstimo garantido de R$ 120 milhões, mediante empréstimo firmado com a Caixa Econômica Federal. 

Vale ressaltar que a Secretaria Municipal De Infraestrutura E Serviços Públicos (Sisep), assim como a figura do titular (Domingos Sahib Neto), foram consultados quanto aos prazos finais e valores atualizados da obra, porém, não foi obtida resposta até o fechamento do material. 

"Esse foi o primeiro acidente grave, mas de estourar pneu é direto, seja moto, carro. Esse horário de pique aqui é complicado. Atravessar aqui, tipo 18h30 ou 19h, tanto de um lado quanto do outro, vem umas cinco ou seis motos tudo junto", finaliza Osmar Soares. 

 

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