Presidida pelo vereador Coronel Villasanti (União Brasil), a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito de Campo Grande se reuniu nesta quarta-feira (3) com o Consórcio Guaicurus, secretarias e órgãos municipais para debater a qualidade e os rumos do transporte público de Campo Grande. O encontro aconteceu na Câmara de Campo Grande.
Entre os pontos destacados no encontro, estiveram os tópicos as possibilidades de um escalonamento dos horários de serviço e principalmente o controle do fluxo de alunos nas escolas municipais e estaduais do município.
“Precisamos seguir pensando um escalonamento na saída das escolas para não soltar todos os alunos juntos e não gerar um caos no transporte. Hoje os locais de mais fluxo estão nos bairros, só olhar o Universitário, a gente não tem o fluxo anterior visto na rede central da cidade”, destacou Alciley Lopes da Silva, superintendente de planejamento e apoio institucional da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, responsável pela central de matrículas da rede estadual.
Para além do escalonamento já previsto e destacado pela Sed, o gerente executivo do Consórcio Guaicurus, Robson Strengari destacou alguns problemas enfrentados com os alunos dentro dos terminais de ônibus da capital. “Há comércio de droga dentro do terminal, brigas na região do Júlio de Castilho, ali é um problema, pessoas armadas mesmo, "acerto de contas". Temos de verificar coisas do tipo, se o ônibus dá uma, duas voltas e o aluno está ali, perguntar o que acontece, porque muitas vezes o aluno deixa de ir pra escola e fica ali no terminal”, frisou.
A fala de Strengari foi acompanhada por Lopes, que destacou alguns pontos da capital onde, segundo ele, há maior fluxo de situações que podem propiciar conflitos envolvendo alunos. “O malandro sabe que onde está o maior problema é onde se encontra o maior fluxo de alunos. Temos problemas de droga nas escolas grandes, em áreas mais humildes, de menos conhecimento. Temos problema no Nova Lima, no Antônio Vilela, no Bairro Universitário, cinco escolas nas Moreninhas, esse é um trabalho de formiguinha, a família, porque não temos poder em cima dos alunos, não falar e parar no deslocamento, temos orientado, feito cartilha para evitar vandalismo nos terminais e durante as viagens”, pontuou.
Apesar dos pontos abordados, o Consórcio destacou que, neste momento, não há possibilidade alguma de que a frota atual de 449 veículos seja aumentada. “Atualmente não temos condições de realizar essa mudança por questões financeiras. O custo operacional mensal do transporte gira em torno de R$ 13 milhões, basicamente o valor que arrecadamos em receitas, isso se considerarmos os valores de repasse a auxílio tanto do Governo do Estado quanto da prefeitura”, disse.
Questionado sobre as adaptações, Strengari destacou que as mudanças se dão por questões de oferta e demanda, tanto dos veículos, quanto da população em utilizar o transporte da capital, valores em queda desde o início da concessão, iniciada há cerca de 10 anos. De lá pra cá, houve uma redução de aproximadamente 100 veículos à disposição da população, além da queda de usuários do transporte.
Diretor-presidente da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg), Odilon Júnior, expôs que uma das alternativas vistas pela pasta é a criação de um conselho para ajudar nas questões operacionais, entender as economias de trajeto, pontos das escolas, os horários, quais os impactos disso na linha, comunicação rápida para reduzir tempo, dando subsídios para que a Câmara vote isso em projetos futuros e promova as modificações necessárias.
Diretor de estudos econômicos financeiros da pasta de regulação, Renato Coutinho disse que uma das alternativas possíveis seria o pagamento por km rodado, alternativa inviável, segundo ele, sem financiamento. “A Agereg faz desde 2018 a fiscalização para verificar a qualidade da frota que está rodando. Contratamos uma empresa especializada em inspeção veicular para que mesmo que a frota esteja envelhecida, ainda opere com segurança. Em qualquer negócio, existe a possibilidade de evoluir e crescer, assim como de fracassar, com o transporte coletivo não é diferente. Queremos, por meio de financiamentos, com esse projeto, escalonar em cinco anos a frota de veículos para atingir uma idade média de cinco anos, porque a frota do transporte coletivo tem idade média de aproximadamente 8 anos atualmente”, destacou.
Para viabilizar a medida e propor uma remodelagem, o faturamento necessário deveria ser de 20 milhões, segundo Coutinho.
CONTRAPONTO
“Diante das colocações, é melhor então a prefeitura executar o serviço porque precisamos de uma concessionária que não é capaz de fazer os investimentos, capaz de manter o serviço, de atrair o consumidor e que não avança. As pessoas abandonam o transporte público porque ele não é atrativo, não é rápido, não é eficiente. Se o negócio não é interessante para a empresa, a gente encampa o serviço a partir da administração pública”, disse a vereadora Luíza Ribeiro (PT), presente no encontro.
Segundo ela, não há sentido em colocar recurso público para empresa privada administrar, não há nada que indique que o serviço privado vá administrar melhor que o serviço público. Uma alternativa talvez seria o município fazer as linhas que não são rentáveis ao consórcio", disse.