Embora a Nintendo acumule sucessos com o Switch, seu console híbrido lançado há sete anos, e "The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom", último grande lançamento para a plataforma, o tratamento dado pela empresa aos produtos antigos é de negligência e descontinuação antecipada de serviços utilizados pelos jogadores.
Tanto os consoles de mesa quanto os portáteis lançados pela companhia com serviços online --o Wii e Wii U, e o DS e 3DS, respectivamente-- já não possuem acesso à loja virtual, para compra de jogos digitais, nem aos serviços de atividade social incluídos nos produtos e aos serviços de terceiros, como a Netflix.
A Nintendo também desativou os servidores para jogo online do Wii e DS em 2014, impedindo que os donos dos consoles compartilhem partidas mundialmente. No Wii U, alega fazer manutenção nos servidores de Mario Kart 8 e Splatoon desde o dia 2 de março --quase três meses.
A título de comparação, os consoles Xbox 360 e PlayStation 3, lançados em 2005 e 2006, respectivamente, ainda possuem acesso aos serviços digitais de compra de títulos e de streaming.
O mesmo ocorre com seus sucessores, o PlayStation 4 e o Xbox One, ambos introduzidos ao mercado em 2013.
Os servidores para partida online nos produtos da Sony e Microsoft também continuam ativos. Vale lembrar que os serviços de partida em rede nestes videogames são pagos, enquanto as redes da produtora de "Mario", "Pokémon" e outros sucessos podiam ser acessadas gratuitamente.
Procurada pela Folha para comentar o motivo do rápido desligamento de serviços a seus produtos antigos, a Nintendo não respondeu até a conclusão deste texto.
A primeira investida online da gigante japonesa ocorreu na sétima geração, quando o Wii e o DS trouxeram a Nintendo Wi-Fi Connection, sistema de jogatina multiplayer na internet. Vieram com os consoles plataformas de interação social, como mensagens entre usuários, canais de notícia e previsão do tempo, além de enquetes e compartilhamento de conteúdo.
Já em janeiro de 2012, a companhia lançou sua segunda geração de serviços digitais, a Nintendo Network. No mesmo ano, veio o Miiverse, rede social do Wii U e 3DS visando integrar os donos dos dois produtos com mensagens, desenho e ajudas em jogos oferecidos nas plataformas.
Em 2013, a empresa descontinuou todos os serviços de interação social online do Wii. No ano seguinte, veio a desativação da Nintendo Wi-Fi Connection, e sobrou aos consoles da sétima geração somente a compra de títulos.
Por fim, as lojas do DS e Wii foram fechadas em 2017 e 2019, respectivamente, inviabilizando a obtenção de vários jogos vendidos exclusivamente em formato digital.
Em março de 2017, a Nintendo lançou o Switch, console atual da companhia, e com ele veio uma terceira geração de serviços digitais da empresa, agora pagos --para poder jogar em rede, acessar conteúdos exclusivos e até salvar os jogos em armazenamento na nuvem.
Sete meses depois, a empresa japonesa anunciou a descontinuação do Miiverse no mundo todo, impedindo o envio de mensagens entre jogadores do Wii U e 3DS. O Wii U Chat, serviço de ligações de vídeo entre os consoles, foi desativado em dezembro do mesmo ano.
Entre 2020 e 2021, todos os aplicativos de streaming disponíveis deixaram de oferecer seus serviços aos consoles da oitava geração da Nintendo, e finalmente, em março deste ano, a eShop, loja digital dos videogames, foi fechada, mantendo-se somente a possibilidade de jogar online.
Segundo levantamento do site Videogame Chronicle, mais de mil jogos exclusivos de 3DS ou Wii U lançados apenas em versão digital ficarão fora do mercado. É o caso de "Dr Luigi" e "Pokémon Rumble U", para o Wii U, e de "Pokémon Picross", para 3DS, entre outros.