Cidades

CAMPO GRANDE

Terceirizada alega ter levado prejuízo de empresa que foi alvo da operação "Cascalhos de Areia"

Empresário afirma que ficou sem receber pagamentos pelo aluguel de quatro caminhões empregados nas obras de revitalização do Lago do Amor

Ana Clara Santos

16/06/2023 - 18h11

O empresário Osvaldo Gomes, sócio em uma empresa que aluga caminhões, afirma ter levado um calote de R$ 30 mil da CCO Infraestrutura que, de acordo com ele, foi um dos alvos da Operação Cascalho de Areia, que mirou contratos supostamente fraudulentos na Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Infraestruturas (Sisep). 

Ao Correio do Estado, Gomes relatou que firmou um contrato com a CCO Infraestrutura, que presta serviço para a prefeitura na obra de revitalização do Lago do Amor, no qual alugou quatro caminhões cujo valores deveriam ser pagos todo dia 15 e é calculado conforme o número de viagens realizadas com o veículo. 

Contudo, o empresário aponta que os pagamentos que deveriam ser realizados em meio e junho não foram honrados, causando um prejuízo à sua empresa. Embora o contrato firmado fosse no valor de R$ 30 mil, cada caminhão era alugado pelo valor correspondente ao número de viagens realizadas, então, não é possível precisar exatamente o valor devido, já que este número não foi calculado. 

Além da empresa de Gomes, de acordo com ele, também há outros caminhões prestando o mesmo serviço, sendo que, ao todo, são empregados 12 veículos para o transporte de aterro no local, que está sendo revitalizado após fortes chuvas soterrar a estrutura existente. 

De acordo com o Portal da Transparência de Campo Grande, o contrato da prefeitura com a CCO teve início em março de 2023 e o valor é de R$ 3,8 milhões e, até o momento, já foram pagos R$ 577 mil para a execução da obra. Deste valor, nada foi repassado para a terceirizada para quitar os aluguéis dos caminhões. 

Ainda em entrevista ao Correio do Estado, o empresário destaca que entrou em contato com a empresa, que o orientou a contactar a Secretaria de Serviços Públicos e Infraestrutura. E assim foi feito: tanto a prefeitura quanto a pasta foram informadas por meio de ofício, mas não houve retorno. 

De acordo com Gomes, a empresa foi alvo da operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão do Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), mas, como a empresa já tinha reavido os veículos pela falta de pagamento, esses não foram apreendidos. 

A mesma operação também fez buscas e apreensões da sede da Sisep e na empresa ALS, de propriedade de André Luis dos Santos, conhecido no meio político de Mato Grosso do Sul como “Patrola”. 

Também se tornaram alvos da ação o ex-secretário de Obras de Campo Grande, Rudi Fiorese e o atual superintendente da pasta Mehdi Talayeh.

A reportagem entrou em contato com a empresa, mas não obteve resposta. O espaço continua aberto para possíveis esclarecimentos. 

A OPERAÇÃO 

Deflagrada na manhã de quinta-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão do Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com apoio da Polícia Militar de MS, a operação tem como objetivo apurar a atuação de uma suposta organização criminosa junto com o município para fraudar licitações públicas e lavar dinheiro em contratos para manutenção de vias não pavimentadas. 

Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensões e os contratos fechados com as empresas investigadas ultrapassam o valor de R$ 300 milhões.

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