O empresário Osvaldo Gomes, sócio em uma empresa que aluga caminhões, afirma ter levado um calote de R$ 30 mil da CCO Infraestrutura que, de acordo com ele, foi um dos alvos da Operação Cascalho de Areia, que mirou contratos supostamente fraudulentos na Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Infraestruturas (Sisep).
Ao Correio do Estado, Gomes relatou que firmou um contrato com a CCO Infraestrutura, que presta serviço para a prefeitura na obra de revitalização do Lago do Amor, no qual alugou quatro caminhões cujo valores deveriam ser pagos todo dia 15 e é calculado conforme o número de viagens realizadas com o veículo.
Contudo, o empresário aponta que os pagamentos que deveriam ser realizados em meio e junho não foram honrados, causando um prejuízo à sua empresa. Embora o contrato firmado fosse no valor de R$ 30 mil, cada caminhão era alugado pelo valor correspondente ao número de viagens realizadas, então, não é possível precisar exatamente o valor devido, já que este número não foi calculado.
Além da empresa de Gomes, de acordo com ele, também há outros caminhões prestando o mesmo serviço, sendo que, ao todo, são empregados 12 veículos para o transporte de aterro no local, que está sendo revitalizado após fortes chuvas soterrar a estrutura existente.
De acordo com o Portal da Transparência de Campo Grande, o contrato da prefeitura com a CCO teve início em março de 2023 e o valor é de R$ 3,8 milhões e, até o momento, já foram pagos R$ 577 mil para a execução da obra. Deste valor, nada foi repassado para a terceirizada para quitar os aluguéis dos caminhões.
Ainda em entrevista ao Correio do Estado, o empresário destaca que entrou em contato com a empresa, que o orientou a contactar a Secretaria de Serviços Públicos e Infraestrutura. E assim foi feito: tanto a prefeitura quanto a pasta foram informadas por meio de ofício, mas não houve retorno.
De acordo com Gomes, a empresa foi alvo da operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão do Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), mas, como a empresa já tinha reavido os veículos pela falta de pagamento, esses não foram apreendidos.
A mesma operação também fez buscas e apreensões da sede da Sisep e na empresa ALS, de propriedade de André Luis dos Santos, conhecido no meio político de Mato Grosso do Sul como “Patrola”.
Também se tornaram alvos da ação o ex-secretário de Obras de Campo Grande, Rudi Fiorese e o atual superintendente da pasta Mehdi Talayeh.
A reportagem entrou em contato com a empresa, mas não obteve resposta. O espaço continua aberto para possíveis esclarecimentos.
A OPERAÇÃO
Deflagrada na manhã de quinta-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão do Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com apoio da Polícia Militar de MS, a operação tem como objetivo apurar a atuação de uma suposta organização criminosa junto com o município para fraudar licitações públicas e lavar dinheiro em contratos para manutenção de vias não pavimentadas.
Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensões e os contratos fechados com as empresas investigadas ultrapassam o valor de R$ 300 milhões.