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Um ano após reassentamento, moradores da Comunidade Lagoa continuam sem água tratada

Famílias foram levadas para um terreno no Portal Caiobá em agosto de 2022, mas continuaram sem energia regularizada até maio deste ano. Agora, aguardam as instalações necessárias para o abastecimento de água potável.

Ana Clara Santos

09/08/2023 - 15h54
Quando foram removidas para o Caiobá, os moradores da Comunidade Lagoa tiveram que reconstruir os barracos e depender da água de um único poço

Quando foram removidas para o Caiobá, os moradores da Comunidade Lagoa tiveram que reconstruir os barracos e depender da água de um único poço - Gerson Oliveira/Correio do Estado

Em agosto deste ano,  o reassentamento dos moradores da antiga Comunidade Lagoa, no Jardim Colorado, em Campo Grande, completa um ano. Neste tempo, as famílias conquistaram o acesso à energia elétrica, mas ainda continuam sem água tratada. 

O problema da água é antigo, já que no antigo endereço, os moradores dependiam da captação de água da Estação de Tratamento de Água (ETA) da concessionária fornecedora do serviço, que fica nos fundos do terreno de uma  Área de Proteção Ambiental (APA), onde os barracos foram construídos.

Das 100 famílias da Comunidade Lagoa, 21 foram selecionadas para se restabelecerem no Caiobá, sendo que o grupo selecionado é formado justamente pelas pessoas que moravam próximo ao esgoto e não tinham acesso à água potável. 

Após diversas reportagens do Correio do Estado, a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha), realocou os moradores em um terreno no Jardim Caiobá, local que inicialmente não tinha qualquer estrutura de água, esgoto ou luz elétrica. 

Ao Correio do Estado, a líder da comunidade Rosana do Amaral, explicou que a energia elétrica foi ligada nas residências em maio e isso trouxe mais segurança para os moradores, que dependiam de “gato” para terem luz em casa. 

“É bem melhor assim [com a energia regularizada]. É mais seguro para a gente. Inclusive estamos terminando de construir nossas casas de alvenaria. Estamos saindo do barraco para uma casa melhor”, disse. 

Para agilizar a construção das casas e permitir que as pessoas saíssem dos barracos, a prefeitura da Capital forneceu um auxílio de R$ 6 mil para os reassentados para a compra de material de construção. As famílias também contam com o auxílio de uma organização não-governamental para levantar as novas moradias.

Contudo, se os problemas da energia e das casas foram resolvidos, a falta de abastecimento de água tratada ainda persiste. Inicialmente, apenas uma família conseguiu construir um poço,  que à época não custou menos de R$ 2 mil, pago do próprio bolso. 

Hoje, já existem mais poços, mas nem todos conseguem arcar com os curtos, então, quando precisam, buscam água em alguma casa que tenha este abastecimento, porém, ainda é sem tratamento algum e não vem pela torneira, dificultando as atividades cotidianas. 

Ainda de acordo com a líder comunitária, a promessa é de que a regularização aconteça ainda este mês e funcionários da concessionária de abastecimento já foram no local iniciar alguns trabalhos. 

A reportagem entrou em contato com a Águas Guariroba e, por meio de nota, informou que é responsável pelo abastecimento, mas a área precisa ser regularizada para depois a ligação ser realizada. 

"A Águas Guariroba informa que é responsável pelo serviço de abastecimento de água em áreas regulares de Campo Grande. A área mencionada pela reportagem precisa passar por regularização fundiária para ser atendida pela concessionária", diz a nota

COMUNIDADE LAGOA 

Formada por mais de 100 famílias, a Comunidade Lagoa se situa no Jardim Colorado. Deste total, a prefeitura removeu as 21 famílias que moravam próximas à estação de esgoto e dependiam daquela água para os afazeres do dia a dia, incluindo fazer almoço, tomar banho e lavar louça. 

Hoje, permancem no local apenas os moradores que estão mais afastados da estação de tratamento cuja casas tem energia e água regulrizadas. 

O Correio do Estado acompanha a situação da comunidade há pelo menos dois anos, com diversas reportagens que mostram as dificuldades encontradas, especialmente pela falta de água tratada.

A remoção das famílias demorou mais de um ano, sendo que foi efetivada a partir do dia 13 de agosto de 2022, como já mostrado pelo Correio do Estado.

Diferente do que foi prometido pela prefeitura, as famílias que chegaram ao novo endereço se depararam com um terreno sem qualquer estrutura nem para a instalação de serviços básicos ou para a construção de casas. Assim, as famílias levantaram novos barracos, inclusive reaproveitando os materiais usados anteriormente. 

De acordo com Rosana do Amaral, a luz foi regularizada em maio e aos poucos as famílias estão conseguindo construir suas casas de alvenaria. Agora, os moradores aguardam pela regularização da água.

*Matéria alterada para adição de informações

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