Nesta terça-feira (15) o trânsito na Av. Filinto Müler voltou para patamares de interdição parcial, com a liberação de uma das vias - no sentido centro - após bloqueio total no fim de semana e, com avanço do novo vertedouro, previsão é que obras terminem ainda em setembro.
Conforme observado no trecho de obras, os cavaletes e manilhas que bloqueavam a avenida por completo já foram retirados.
Importante lembrar, entretanto, que as obras continuam no trecho do Lago do Amor, sendo necessária atenção para os motoristas que cruzam, da região do bairro Pioneiros, rumo ao centro de Campo Grande.
Em nota, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) destaca ainda os trechos alternativos, para quem sai no sentido centro/bairro.
Para quem vai pela Avenida Filinto Müler saindo do centro, a recomendação é pegar a Avenida George Chaia, Rua do Hipódromo e Avenida Gabriel Spipe Calarge.
Esquemas dos elementos de vazão para o lago do Amor. Reprodução/Atlas das Águas UFVAinda, do montante de terra antes acumulado no lado oposto ao desmoronamento, que servem de base para os serviços no novo vertedor, é possível notar avanço após a colocação do tubo.
Agora, o vertedouro do tipo monge já tem as armações de ferro - que definem altura dessa estrutura - posicionadas, ficando praticamente no mesmo nível d'água que o primeiro mecanismo vazante que é do tipo tulipa.
Passado o tubo, serviço no vertedouro avança. Foto: M.VVale ressaltar que, diferente dessa primeira estrutura em "tulipa", o novo vertedouro em concreto armado será do tipo "monge", característico pelo formato de "U", com a água vertendo sobre as paredes da estrutura para, então, ser escoada para jusante da barragem através da tubulação.
Segundo o engenheiro responsável, essas estruturas costumam ter tubulações em concreto, entretanto a alternativa para Capital, com a escolha do Armco se dá pela opção ser mais moderna, fácil de trabalhar e resistente quanto a possíveis fissuras ou falhas que podem colapsar o tubo.
Prevista inicialmente para o fim de julho, a obra passou por um aditivo de prazo, sem aumento do valor total (R$ 3.880.427,10) pago para a CCO Infraestrutura.
Situação complicada
Com assoreamento monitorado pelo desde 2008 pelo Laboratório de Hidrologia, Erosão e Sedimentos (HEroS), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Hidrosed Engenharia em estudo de caso, os vertedouros são apenas uma das ações para controle dos constantes transbordamentos desse ponto turístico.
Justamente por isso, a etapa da obra no mês de abril, que "jogou mais terra" no Lago do Amor, chamou atenção por parecer o caminho oposto para a solução do problema e, mais recente, o pesquisador do HEroS, Glauber Altrão Carvalho, comentou a necessidade de solucionar o assoreamento.
Engenheiro ambiental de formação e doutor em recursos hídricos - ambos os títulos adquiridos pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Glauber cita as intervenções mecânicas que podem solucionar o problema.
"Fazer uma dragagem do material que se encontra depositado no lago. Este processo mecânico é algo que realmente tem que ser bem-planejado, pois há muitos especies de animais que estão inseridas naquele ambiente... qualquer que seja a forma que se escolha para o desassoreamento terá impacto", argumenta.
Pela rádio peão, no trecho de obras, essa também parece ser uma das próximas preocupações, ainda que não conste em contrato qualquer obrigação para além da colocação da caixa vertedoura; drenagem; execução de calçada e ciclovia para o recapeamento e sinalização.
Ou seja, ainda que cogitada pelos próprios trabalhadores, que apontam a necessidade de dragar o Lago na sequência para que a terra não se acumule no fundo do Lago, não há qualquer indicativo por parte do poder público para esse tipo de serviço.
Em condições normais, dentro de 14 anos o Lago do Amor já acumulou 88 mil metros cúbicos de volume de sedimentos, perdendo em uma década (entre 2008 e 2018) 45% da sua capacidade de amortecer águas das chuvas