Inaugurado no dia 7 de março de 2018, em Campo Grande, pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar-MS), o Centro de Excelência em Bovinocultura de Corte é a demonstração mais explícita da força da pecuária no município.
Em plena metade dos anos 20 do século 21, Campo Grande completa, no dia 26 de agosto, 124 anos de fundação e, apesar de toda a modernidade e a tecnologia de ponta inerentes a uma capital, não perdeu os ares de uma cidade do interior, cuja pecuária foi o carro-chefe do seu surgimento há mais de um século.
Um bom exemplo disso foi a escolha do município para abrigar a sede do centro, pois a Capital está na Região Centro-Oeste, que tem mais de 34% dos bovinos do Brasil e um rebanho da mais alta qualidade. O local auxilia na formação de mão de obra qualificada para o setor produtivo.
Com infraestrutura moderna, a unidade de educação profissional e tecnológica dissemina conhecimento e inovação e incentiva a pesquisa para o desenvolvimento da cadeia produtiva de bovinocultura de corte, que hoje tem processos com elevado nível de sofisticação e requer profissionais cada vez mais capacitados.
O diretor do Centro de Excelência em Bovinocultura de Corte do Senar-MS, Gustavo Cavalca, explicou ao Correio do Estado que o papel da assistência técnica é essencial para o crescimento da agropecuária, pois atua na inserção de produtores rurais na classe média rural, para que eles produzam em escala comercial e obtenham mais renda.
Ele acrescentou que o Centro de Excelência em Bovinocultura de Corte é o segundo do Brasil especializado em uma cadeia produtiva específica, o primeiro foi o centro de excelência voltado para fruticultura, que fica localizado no Vale do São Francisco, em Juazeiro (BA), por conta da vocação daquela região para a produção de frutas.
“Campo Grande foi escolhida para a construção em razão da vocação para a pecuária, assim como outras cidades do Estado, que tem o quarto maior rebanho do País e é referência para o mercado interno e externo em produção bovina, além de ser caracterizado por um elevado nível de tecnificação”, ressaltou, completando que o centro de excelência em Campo Grande é uma das referências para todo o Brasil e oferece cursos técnicos em agropecuária com especialização técnica em bovinocultura de corte.
“Em Mato Grosso do Sul, 64,5% dos postos de trabalhos de técnicos agropecuários gerados no ano passado foram ocupados por pessoas entre 18 anos e 24 anos. Isso demonstra como o mercado está aberto a receber esses profissionais, como os graduados do centro de excelência, por exemplo, que finalizam o curso completamente preparados para atuar nas propriedades do Estado”, explicou Gustavo Cavalca.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), disponibilizados na Sinopse Estatística da Educação Profissional e Tecnológica, em 2019, Mato Grosso do Sul registrou 18,8 mil matrículas em cursos técnicos de nível médio, e 42% das matrículas eram na forma subsequente, quando o aluno já concluiu o Ensino Médio e está matriculado em um curso técnico, perfil em que se enquadra o curso técnico em Agropecuária do Senar-MS.
A iniciativa privada responde por 41,18% das matrículas, com mais de 7,7 mil alunos, 6,4 mil delas em curso técnico subsequente, o que representa 83,17% dos estudantes. Na esfera pública, somando as administrações municipal, estadual e federal, com mais de 11 mil inscritos, apenas 1,4 mil estão na modalidade subsequente. O gênero feminino representa 52,35% das matrículas, com 9,8 mil alunas, enquanto os estudantes do gênero masculino são 8,9 mil, número que representa 47,65% do total.