Cidades

SONHO ADIADO

Guerra frustra viagem de peregrinos de MS à Terra Santa

Viagem aconteceria entre os dias 20 e 29 de novembro, mas por causa do conflito está sendo adiada para data ainda sem definição

O  conflito entre judeus e pelestinos, que eclodiu no último dia 7 e já provocou pelo menos 2,6 mil mortes, vai forçar a suspensão da viagem de um grupo de peregrinos de Mato Grosso do Sul que iria à Terra Santa entre os dias 20 e 29 de novembro. Além disso, derrubou a venda de pacotes internacionais para todas as partes do mundo, segundo uma agência de turismo ouvida pelo Correio do Estado. 

Ao custo de R$ 19.980,00, a viagem a Jerusalém e Belém, entre outras cidades da região, estava sendo organizada pela Loja São José, de Campo Grande, e, embora ainda esteja aparecendo no site da agência como ativa, já foi adiada. 

Por telefone, uma atendente se limitou a informar que “não vai sair por motivo de força maior”. Como o responsável pela empresa está em viagem à Polônia com outro grupo de turistas, ela informou que somente ele poderia falar e solicitou que um retorno fosse feito na próxima semana. 

Nem o diretor espiritual que iria acompanhar o grupo, o Padre Ferrnando Lorenz, de Dourados, soube informar ao certo o que vai acontecer. “Não sei ainda se nós vamos, estamos dependendo da agência. Mas acredito que vai ser adiado”, afirmou às vésperas de sua segunda viagem à Terra Santa. 

Mas os peregrinos, como são chamados os adeptos deste turismo religioso, não devem ficar no prejuízo, afirma Telma Teixeira, representante de vendas de outra agência, a Catedral Viagens. De acordo com ela, nestes casos as empresas oferecem a troca por outras viagens à Europa ou realizam a viagem depois que o guerra acabar.

“Em maio de 2020 eu estava com um grupo de 25 peregrinos no aeroporto de Guarulhos pronto para embarcar para Tel Aviv. Cinco já tinham feito até chekin quando soubemos que o aeroporto de lá havia sido fechado por causa da pandemia. Todos eles resolveram esperar e finalmente a viagem aconteceu em maio de 2022”, relembra Telma, que há dez anos trabalho no setor. 

Ao longo deste período foi duas vezes à Terra Santa. Uma destas viagens, com um grupo de mais 25 pessoas de Mato Grosso do Sul, acabou no último dia 30, exatamente uma semana antes do ataque do Hamas contra Israel. "Foi muita bênção termos retornado dias antes dos ataques". 

Telma já estava vendendo pacotes a Jerusalém para maio do próximo ano e, apesar de ainda faltarem sete meses, a saída já foi cancelada, já que as perspectivas de paz são pequenas. “Estamos trocando aquele pacote por uma viagem a Portugal e a maior parte dos clientes está preferindo a mudança”.

E, por causa do conflito, a venda de pacotes internacionais para todos os destinos “despencou” na última semana, conforme termo utilizado pela representante da Catedral Viagens.  “As pessoas não tem muita noção de geografia. Embora o conflito seja numa região muito pequena, o simples fato de existir uma guerra já assusta e a maior parte das pessoas acaba adiando seus sonhos de viagem”, explica Telma. 

Roteiro

No roteiro à Terra Santa os peregrinos percorrem tanto áreas no lado palestino, como é o caso de Belém, quanto do lado israelense, que é a maior parte do percurso. Mas, mais que os atrativos ou curiosidades religiosas e bíblicas da região, o que chama a atenção dos turistas é a divisão entre os dois povos. 

“Quando a gente vai a Belém, o guia turístico, que geralmente é judeu, não vai junto. Ele fica do lado israelense, no muro da vergonha, e espera a gente voltar porque  não é seguro para ele. Esse muro que separa os dois povos a gente vê ao longo de horas de viagem pela região. Pra gente que é brasileiro e cristão, é muito difícil de entender”, afirma Telma. 

Este chamado muro da vergonha, construído pelos israelenses, tem pelo menos 570 quilômetros e por conta de suas dimensões é que desperta a atenção dos peregrinos que refazem parte do percurso por onde Jesus Cristo, o maior pregador da paz que a história já conheceu, passou há pouco mais de dois mil anos.  

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