Cidades

CONFLITO

PF segue para área ocupada por indígenas e que teria sofrido ataque armado

Povo guarani diz ter ocupado área de fazenda, já tida como sua; originários pedem ajuda federal

Celso Bejarano

18/12/2023 - 15h07

Equipe da Polícia Federal seguiu nesta segunda-feira (18) para a fazenda Cachoeira, em Iguatemi, a 416 km de Campo Grande onde, segundo indígenas, dois dias atrás, no sábado, seguranças armados, supostamente contratados por fazendeiros, atacaram um acampamento habitado por ao menos 30 integrantes dos povos guarani e kaiowá.

Até por volta 15h desta segunda-feira (18), a PF não tinha divulgado se a investida causou ferimentos em algum indígena ou se supostos agressores foram detidos.. 

A ação dos seguranças ocorreu no mesmo dia que os guarani e kaiowá ocuparam, na madrugada, trecho de uma área de mata da fazenda, que mede 2,3 mil hectares e que seria parte da Terra Indígena Iguatemipegua I, território dos originários conhecidos como Pyelito Kue e Mbaraka’y.. Ou seja, para os indígenas, eles ocuparam terras já tidas como suas. 

Comunicado emitido pelo Cimi (Conselho Missionário Indigenista), entidade ligada à Igreja Católica e que  defende a causa dos indigenistas, diz que: 

“A área de mata ocupada por cerca de 30 indígenas, entre homens, mulheres e crianças, é chamada pelos Guarani e Kaiowá de 'Tororõ' e corresponde a uma pequena área da fazenda. É uma das poucas áreas do território que não foi desmatada pelos fazendeiros e coberta por pastagens”. 

Segue a nota do Cimi: “os indígenas pedem apoio e a presença de autoridades federais na região, pois não confiam nas forças de segurança locais, em especial o Departamento de Operações de Fronteira (DOF). As forças estaduais possuem histórico de apoio aos fazendeiros e seguranças privados na região”. 

Também de acordo com o comunicado: 

“As Defensorias Públicas da União (DPU) e do Estado de Mato Grosso do Sul (DPE), assim como o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) já foram acionados”. 

Até a tarde desta segunda-feira, entidades ruralistas não tinham se manifestado acerca do eventual ataque em Iguatemi. Assim que isso acontecer, este material será atualizado. 

Fazendeiros contratarem empresas de seguranças para atuarem em regiões de conflitos com indígenas não é uma novidade em Mato Grosso do Sul. Há, inclusive, casos de mortes. Veja exemplo aqui 

 

 

 

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