Pelo menos nove pessoas morreram e outras nove foram presas em uma operação da polícia paraguaia contra uma quadrilha de traficantes de drogas na regiãoSalto Del Guairá, cidade que fica próximo a Mundo Novo, no extremo sul de Mato Grosso do Sul.
Conforme informações do jornal paraguaio ABC Color, agentes da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e do Ministério Público, com apoio da Força-Tarefa Conjunta (FTC), fizeram uma ofensiva na madrugada desta terça-feira contra uma quadrilha comandada por Santiago Acosta Riveros, mais conhecico “Macho”.
Mas, conforme admitiu a polícia, ele conseguiu escapar do cerco feito por terra e pelo ar. Porém, conforme um dos comandantes da Senad, Jalid Rachid, entre os nove presos está o brasileiro Ricardo Luiz Pascolotto Pedroso, conhecido como R7 e apontado como o “braço direito” de “Macho”. Ele era o segundo principal alvo da operação.
O brasileiro Ricardo Luiz Pascolotto Pedroso foi preso em uma casa luxuosa em Salto Del GuairáO brasileiro foi preso em uma casa de alto padrão em Salto Del Guairá na qual foram recolhidas dezenas de armas e milhares de munições, conforme mostram imagens divulgadas pela Senad. Na casa também havia coletes à prova de balas e capacetes normalmente utilizados pelo militares em regiões de guerra.
Ainda segundo a Senad, os integrantes desta quadrilha costumavam desfilar em carros de luxo e fortemente armados por Salto Del Guairá, cidade na fronteira que tem pelo menos uma dezena de shoppings e que recebe diariamente milhares de turistas brasileiros, principalmente do Paraná.
“Santiago Acosta tem um perfil ostentador. Gosta de ostentar veículos de alto padrão e se exibir com suas armas, com coletes, granadas e balaclavas. Fizeram o que quiseram no Departamento de Canindeyu”, declarou o chefe da Senad.
Conforme admitiu o próprio comandante da Senad, a quadrilha possivelmente tinha em sua folha de pagamento uma série de policiais corruptos e por isso conseguiu dominar a região ao longo de vários anos.
De acordo com as informações iniciais, as forças de segurança teriam sido recebidas a tiros no rancho que servia como uma das bases do grupo, mas nenhum policial sofreu ferimentos.
Além de cerca de duas dezenas de fuzis e escopetas, pistolas e revólveres, os policiais apreenderam uma metralhadora ponto 50, arma capaz de perfurar até blindados e derrubar aviões e helicópteros. E, segundo a Senad, os seguranças de “Macho” normalmente o acompanhavam com esta arma, tanto para protegê-lo quanto para intimidar possíveis rivais ou policiais.
QUEM É O CHEFÃO
Até 2005, segundo o jornal ABC Color, “Macho” era peão de uma propriedade rural de um produtor de origem japonesa no Departamento de Alto Paraná. Porém, naquele ano assinou o produtor, enterrou o corpo na própria fazenda depois que ele descobriu o furto de dezenas de cabeças de gado. Após 70 dias de buscas o corpo foi localizado e o assassino foi preso.
Ele chegou a ser condenado a 25 anos de prisão pelo crime, mas depois do sexto ano fingiu que estava doente e escapou das mãos da polícia ao ser levado para atendimento médico.
Em 2016 voltou a ser preso em Salto Del Guairá, na fronteira com Mundo Novo, mas um ano depois fugiu novamente. E, segundo a Senad, nos últimos cinco anos se tornou o traficante mais poderoso do Paraguai, ao monopolizar as plantações de maconha e as pistas de pouso clandestinas em toda a região de fronteira.
Francisco Ayala, porta-voz da Senad, afirmou que se trata da quadrilha mais sangrenta do Paraguai, responsável por uma série de assassinatos de integrantes de bandos rivais e até de policiais. Ele fazia negócios com quadrilhas bolivianas, colombianas, peruanas e até mexicanas, segundo Francisco.
“Essas pessoas achavam que eram donas do Departamento. Por exemplo, uma carga de drogas era guardada por um comboio com 30 pessoas fortemente armadas e as forças de segunraça locais não tinham a menor condição de enfrentrar a quadrilha", explicou Francisco ao explicar que o grupo havia adotado o modo de agir dos traficantes mexicanos.