Cidades

Decadência

Horto Florestal sofre com abandono há quase uma década

Há espaço para caminhada, pista de skate e academia ao ar livre, mas o sucateamento força o esvaziamento do local

Celso Bejarano

13/01/2024 - 10h00

O histórico de abandono do Horto Florestal de Campo Grande já dura quase uma década. A última minirreforma, com pintura e conserto de banheiros e estrutura, além da limpeza de um dos mais belos pontos turísticos da cidade, ocorreu em 2015. 


Durante este período, o que funcionava no pomposo espaço ecológico urbano situado entre a Avenida Ernesto Geisel e a Rua 26 de Agosto, como quiosque, pista de skate, espaço para jogo de bocha, restaurante, pista para caminhada, academia ao ar livre, espelho d’água e lugar reservado para aulas de balé, foi se deteriorando aos poucos.


Embora aberto para visitação do público, o Horto vive hoje uma rotina bem distinta do espaço que virou ponto de encontro dos campo-grandenses em 1993, três décadas atrás, período em que a cidade era administrada pelo prefeito Juvêncio César da Fonseca, emedebista morto em dezembro de 2019, aos 84 anos. 


O comerciante Júlio Almeida, de 37 anos, era um dos poucos que caminhava pela pista do Horto na tarde de quarta-feira, enquanto a reportagem via os estragos estruturais do local. 
“Frequento aqui desde criança. Aqui era tão bacana, encontrava amigos, paqueras, nos divertíamos. Havia dia que estávamos com vontade de conversar, e conversávamos.

Queríamos ler algum livro, íamos à biblioteca. Até ouvíamos músicas, estudávamos, conhecíamos novos amigos. Era tudo de bom. Hoje não tem mais nada. Tudo caindo aos pedaços, estragado e ninguém mais quer vir aqui”, queixou-se o comerciante. 


Izilda Carneiro, de 56 anos, aposentada, também disse que suas idas ao Horto eram quase frequentes. “Hoje, minha vida mudou, me casei e tive filhos, mas adorava isso aqui, que era bem diferente, cheio”, contou. 


Izilda disse ainda que, além do abandono, a pandemia da Covid-19 contribuiu para o esvaziamento do lugar. “Teve a questão do distanciamento social, ninguém queria sair de casa, e aqui só vinham poucos”, afirmou a aposentada. 


Hoje, o Horto recebe rondas policiais diárias por meio de tropas da Guarda Civil.
Narrativas indicando o abandono do Horto não são uma novidade para os campo-grandenses, e as promessas políticas indicando que logo o espaço ecológico deve ser revitalizado surgem de tempos em tempos. 


Cinco anos atrás, em 2019, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur) noticiou que o Horto Florestal seria reformado naquele ano, mas o indicativo não saiu do discurso. 
À época, início de 2020, reportagem publicada pelo Correio do Estado indicava que um dos cartões-postais da cidade tinha sido incluído em pacote como um dos locais para onde seriam destinados recursos provenientes de um empréstimo de R$ 30 milhões da prefeitura, feito com a Caixa Econômica Federal, no âmbito da Linha de Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa).


Recursos seriam para reforma e ampliação de vários parques, praças e áreas de esporte da Capital. O tempo passou, e a promessa da prefeitura não saiu do papel.  Em março de 2020, reportagem publicada pelo Correio do Estado revelou que uma reforma em curso no Horto Florestal serviria para abrigar a sede administrativa da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), e este foi um dos poucos projetos que efetivamente foi cumprido no local. 

ÁRVORES CAÍDAS 


Na pista de caminhada é possível notar árvores caídas por falta de cuidados. Já dentro do prédio do setor administrativo do Horto, por meio de fotografias, repara-se que o espaço era ocupado também por árvores que tombaram com o tempo, como das espécies cedro, uva-japão e sibipiruna. “Tempestade, raios e falta de cuidados também causaram isso”, afirmou um dos servidores do Horto. 

GESTÃO


Ao menos 15 pessoas trabalham no Horto, servidores administrativos, pessoas que cuidam biblioteca e atuam na limpeza. Ninguém quis conversar oficialmente com a reportagem e pediram para buscar informações na Sectur, com a secretária municipal de Turismo, Maria Bethânia Gurgel. 


Alguns funcionários disseram que o abandono do Horto ocorre sempre em períodos de mudanças de prefeitos. “Isso aqui já foi bom, bem frequentado. Depende do prefeito. Alguns valorizam o espaço, outros, não”, disse um servidor, que não quis se identificar e que afirmou que a melhor fase do Horto foi na administração de André Puccinelli (1997-2004). 


Por meio da assessoria de imprensa da Sectur, foi informado que a secretária da pasta estava em viagem. A reportagem enviou por e-mail questões sobre o abandono do Horto Florestal e se havia planos para solucionar o problema. 


Inicialmente, foi respondido que há um projeto para revitalizar o Horto, mas que o assunto só poderia ser comentado pela secretária. A reportagem não recebeu resposta até o fechamento desta edição. 

Crédito: Gerson OliveiraCrédito: Gerson OliveiraCrédito: Gerson OliveiraCrédito: Gerson OliveiraCrédito: Gerson OliveiraCrédito: Gerson Oliveira

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